quinta-feira, 25 de julho de 2013

Madrastas

Não entendo a repulsa que algumas pessoas criam em relação ao novo conjugue daquele com quem tivemos filhos, especialmente, se essa pessoa trata as nossas crias como suas. Dizem que são ciúmes, medo que a mãe/pai novo sejam superiores a nós em afectos, carinhos e grau de fixeza (coisa em que eu costumava medir os adultos) acabando a mãe ou pai verdadeiros levados para um segundo plano, uma despromoção parental.

Conheço N casos de gente a quem isto aconteceu, mas, porquê? Porque o pai/mão verdadeiro era um autêntico zero à esquerda, um disfuncional, um ausente, um homem ou uma mulher que se demitiu desse cargo logo à nascença. Contudo, são os únicos que não reconhecem e aceitam este facto, passando para a criança as suas frustrações fazendo com que aquela que podia ser uma relação positiva e segura para uma criança que viu os pais a deixarem de gostar um do outro se torne um tormento, um alvo a abater.

Quanto a mim, e do alto da minha sabedoria de quem não percebe nada de coisa nenhuma, serei capaz de admitir ao pai dos meus filhos que seja um mau marido mas nunca um mau pai, tal como sou capaz de admitir que ele siga com a sua vida mas nunca, que exponha os meus filhos à porca barraqueira com quem poderá "namorar" depois da nossa separação. Se, ao invés, essa mulher tratar bem os meus filhos, lhes der carinho e bons tratos e se eu sentir que os trata com os cuidados de mãe e não de madrasta, então que seja! "Quem meus filhos beija minha boca adoça" e é exactamente o que penso, eu, que não tenho filhos, nem tive marido e tenho uma certa tendência a chamar nomes às posteriores ao meu reinado. Contudo, pelos meus petizes, serei certamente uma senhora, apesar dos pequenos estarem obrigados ao seguinte discurso:

-Madrasta tu és gira mas a minha mãe é linda!
-Madrasta tu cheiras bem e tens um colo fixe mas a minha mãe é perfeita!
-Madrasta tu e o pai ontem a noite fizeram muito barulho mas a minha mãe fez-me!
-Madrasta a tua comida é boa mas a da minha mãe tem duas estrelas Michelin!

And so on.....o quê? Sou sensata mas não deixo de ser mulher!



Liz

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Das coisas boas

Já por aqui disse que sou a minha pior inimiga, que mais ninguém me deita abaixo com a eficácia com que eu o faço e sou a primeira a julgar-me e a castigar-me, até mesmo quando a culpa não é minha. É assim que sou, é assim que sempre fui, dizem, que por ter sido mal amada. Pessoalmente, não acredito, pois o que não falta neste mundo é gente mal amada que se torna insuportável de tanto ego e amor próprio. Sinceramente? Acho que quando somos os nossos maiores críticos, as críticas dos outros tornam-se muito menos dolorosas. 

Contudo, no meio deste meu auto-jugo eu devo estar a fazer alguma coisa bem, não por mim mas pelos outros pois, por vezes, muitas vezes sem eu saber bem como, coisas boas acontecem, coisas que eu não sei porque me acontecem e às quais não sei como reagir. Não sinto que faça nada demais pelos outros e, quando o faço, não me gabo. Não gosto de me gabar de quando ajudei alguém pois fico com a sensação de que o bom dessa situação está a ser dissecado na minha "conta kármica", como se eu tivesse uma espécie de cartão de pontos kármicos, que acumula boas acções e que, um dia, me vai dar um lugar no Céu. 

Talvez por pensar assim me surpreenda quando alguém tem um gesto bonito comigo, quando alguém me diz que gosta de mim, que tem saudades minhas ou que eu faço falta. Eu muito raramente verbalizo este tipo de coisas e nos últimos tempos então....ou estou numa situação de choro em cascata ou com os copos e como chorar faz rugas e costumo ser a designated driver, não é algo que aconteça muito. Mas quando digo....bolas, sinto o peito crescer, riu-me com os olhos e com o corpo todo, emano um calor qualquer sobrenatural e vejo borboletas azuis à volta da minha cabeça. É desta maneira que sou, meia lamechas, meia durona, do 8 e do 80, do muito feliz e da tristeza profunda, do Pico e do Abismo, do tudo e do nada. Se eu podia mudar? Não....já tentei e não consegui. 

Vidas....




Liz

De boas contas

11743 visitas, 350 mensagens, 36 seguidores

Matematicamente, isto é o meu blog. Felizmente, eu nunca fui boa a matemática e por isso prefiro por as coisas nestes modos:

-Por 11743 vezes alguém me leu, alguém me procurou, alguém gostou do que escrevi, alguém soube exactamente do que falava, alguém odiou, alguém não gostou, alguém voltou para uma segunda vez;

-Por 350 vezes eu fiz-me de letras e desabafos. Escrevi sobre mim, talvez demasiado, talvez sobre demasiadas coisas, mas precisei, teve que ser, pois ou vos escrevia aqui ou tinha morrido sufocada nas palavras que nunca direi. 

-Com os meus 36 seguidores eu partilho a estupidez crónica dos meus dias, os meus desabafos mais profundos, as minhas piadas parvas, os meus vídeos engraçados, as minhas músicas tristes. Com os meus 36 estranhos falei de coisas que não consegui contar a alguns dos meus conhecidos mais chegados, por isso, os meus 36 estranhos são hoje os meus 36 colos, abraços, ralhetes, parceiros.

E é isto, o meu blog. Uma página da internet onde não sou capaz de colocar um foto minha ou de dizer como me chamo mas onde, efectivamente, toda a gente me conhece. Obrigada.


Liz

terça-feira, 23 de julho de 2013

Um anjo cantando

Imaginem que o Apu dos Simpsons tinha um caso com um dos miúdos dos 1Direction. O resultado, estou convencida, que seria este

http://www.istosorir.com/a-pior-musica-do-ano/

Agora digam que a Liz não é amiga :)


Liz

domingo, 21 de julho de 2013

Leva-me #2

Decisão tomada, compro o passe de 3 dias e está resolvido. Se não me posso dar a estes luxos e extravagâncias quando o meu dinheiro ainda é só meu quando o vou fazer? To hell with that...

Trouxa feita e levada para o trabalho, 18:30 e saiu rumo ao Meco. Ansiosa, animada, aos pulos dentro do carro, eu só queria chegar aos concertos! Jantar rápido, trocar para uma roupa mais festival-logo-merdosa-que-já-se-sabe-que-vai-haver-pó-e-coisas e siga para o recinto. Foi o meu primeiro SBSR por isso só posso falar do que sei e o que sei é que toda a gente falava cobras e lagartos do recinto, empoeirado e caótico, com um campismo terrível e umas parcas condições de higiene. Pois que fiquei bastante surpreendida: apesar de ter vindo para casa com as pernas e os ténis castanhos, de ter estado durante um ou outro concerto a roer poeira e de ter visto na wc portátil onde fui a maior poia da minha vida, no geral, foi confortável e o espaço estava muito giro. 

Os concertos. Bem, os concertos foram só assim a atirar para o genial: 

Dia 1- perdi Arctic Monkeys porque os senhores do festival acham por bem começar uma coisa destas a uma 5ª feira quando toda a gente trabalha no dia seguinte, logo, o primeiro dia ia ser perdido. Pelo que me relataram e pelo que já vi no Youtube, terá sido o melhor concerto dos Macacos em Portugal, com o público e a banda ao rubro.

Dia 2- A começar pelos Kaiser Chiefs as apresentações estavam feitas! Vocalista louco, animal de palco, animadíssimo, a correr junto ao público e a tirar às meninas uns sofridos gritinhos cheios de estrogéneo. Seguindo para os cabeças de cartaz The Killers confesso que tive ali um momento ou outro que ia chorando. O espectacular show de luzes, o fogo de artifício, conffetis, chuva de fogos e a sensação de que eu estava num concerto privado e não num festival fizeram-me ficar ainda mais fãs destes senhores. Ah e a camisa às estrelas do Brando Flowers deu-me fornicocos nos joelhos!

Dia 3- Noite mal dormida, um dedo negro e uma forme de leão. Vamos para a praia, escaldão nas maminhas e um almoço feito de bolas de berlim. Chegar a casa, banho de água fria que o gás acabou, ir ao restaurante, sair para o festival. Confesso que me senti algo desiludida com o Gary Clark Jr. Dentro dos meus parcos conhecimentos musicais, só posso dizer que inventou demasiado, muita guitarrada e poucas letras. E chegam os Reis da noite: Queens of the Stone Age. Não sou fã de carteirinha, mas gosto muito de algumas das músicas e meus senhores, que concerto! Recinto cheio, metaleiros, rastafaris e betos, tudo aos saltos pela mesma banda. Moches, subir às cavalitas, 3 filmes no telefone. Um som fantástico, um show de luzes igual e um vocalista emocionado com a especialidade tuga: ser o melhor público para quem um artista pode actuar.

E hoje acordar sem voz e a cheirar a coisas que nem quis identificar, com um ninho de ratos num cabelo liso mas de barriga cheia, de emoções e não de comida. Gosto disto dos festivais, uma plateia inteira, milhares de pessoas em uníssono, a pensarem e a verem o mesmo, juntos, unidos, daquelas coisas bonitas de que o ser humano ainda é capaz. Uma pequena depressão-pós festival e até para o ano!



A abertura do concerto



O melhor de todos


Last but not Least
Liz

Leva-me #1

Fazer as malas é uma das coisas que mais gosto. Para passar a noite na companhia de quem se ama, para um fim de semana com os amigos, para uma semana na terrinha, é sem dúvida uma das coisas que mais me anima e me deixa com um sorriso. Pensar no que levar (e esquecer-me sempre de alguma coisa), fazer os conjuntos, planear, deixar-me ir de uma forma física já que a mente não se desliga nunca. Nunca.

Passei o fim de semana fora, festival no Meco, calções, tops curtos, escaldão no peito, sangria, gargalhadas, noites geladas, conduzir uma espécie de tractor familiar, ouvir bandas de luxo, saltar até me doerem todas as articulações da cintura para baixo, bandanas coloridas, ténis porcos, pó, 3 palcos, não ter horas para chegar, não ter horas para nada, um Sharpei preto com 2 meses, ouvir esta ás cavalitas de um amigo feito há um dia, lembrar-me da primeira vez que a ouvi, dormir numa tenda sendo levemente claustrofóbica, ir adormecendo com a cara no prato, comer os melhores secretos de porco preto da minha vida, beber o melhor café com leite de sempre e não sonhar todas as noites, um luxo para mim.

A merda é quando tem que se voltar e se está à porta de casa, carregada com as malas e a vontade de entrar não existe. Não por quem me espera mas pelo o que me espera, o mesmo, o igual, o "todos os dias". E a cidade que amo, a menina dos meus olhos, que todos os dias me dá motivos para me lembrar de quem me quero esquecer, com as suas curvas e esquinas onde um dia fui feliz e onde hoje, ou sinto um pequeno aperto no peito ou, ainda pior, não sinto nada. E sou dada a estas coisas, a estas estupidezes a que mais ninguém se dá, às quais mais ninguém se entrega. Já por aqui disse que emocionalmente sou um acidente de percurso e que vivo as coisas a extremos, ora ridiculamente feliz ora muito em baixo e isso ainda me vai dar conta do sistema mas, fazer o quê, quando nos fizeram nascer com o coração maior do que o peito?

Neste momento, só queria que alguém me levasse....

Liz

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sofrimento que me acomete

Eu preciso confessar algo: não sei lidar com gente burra. É verdade, sei que sou eu que estou mal e que eu é que tenho o defeito e não os burros em si mas não consigo. Eu tento, respiro, faço ali uns segundos de Yoga, penso no Gosling nu, mas não consigo. Há um calor que se apodera de mim e não é um calor dos bons, é daqueles calores que iniciaram conflitos bélicos ou que fazem pessoas andarem à pancada no trânsito. 

Porquê todo este discurso? Passo a explicar:

Conheci uma miúda porreirissima no curso, super disponível, queridinha,  mitrinha, mas boa miúda e eu, Liz A Diplomata, aceitei-a no grupo de pessoas que deixo que falem comigo e às quais respondo com educação. Mas ela tem uma pequena falha, que consiste no curto circuito que por vezes se dá entre o hemisfério direito e o esquerdo da massa cor-de-rosa que reside dentro do seu loiro crânio (sem conotação com as loiras mas acho que o pigmento se entranhou...). E hoje, tive mais um momento lúdico com essa piquena amorosa:

-Olá estás boa miga (trato-a assim..)?
-Heyyyy sim migaaaaaa e tu?? (entendem agora?)
-Sim está tudo! Olha conheces alguma depiladora boa e que não seja muito cara?

Cito:

Máquina para fazeres? Se quiseres empresto-te a minha que nunca a usei e a minha arranca! Senão vê no forretas.com. Há la muitos descontos de depilação. Era lá que comprava.

.......
-Não querida! Eu quero é uma senhora depiladora. Conheces?
-Bah não sei mesmo! Já viste nos forretas.com?

Meus caros, a não ser que agora nos sites de compra e venda de coisas o tráfico humano seja permitido e estejam lá senhoras esteticistas/depiladoras à venda, por nacionalidade, experiência e especialidade, estou perante um caso gravíssimo de estupidez. A minha que ainda enviei uma segunda mensagem depois da primeira respostas dela....


Liz

Pequenas constatações em 4 dias

Nestes últimos quatro dias da minha vida profissional adquiri para mim estas pequenas constatações:

-Almoçar numa mini cozinha cheia de mulheres é como estar no Parlamento Europeu no dia em que a Alemanha disser que vai sair do Euro. Todos os dias!

-Se nos fizermos assim de meio distraídas ficamos a saber a vida de toda a gente sem ser preciso fazer uma única pergunta.

-Nunca contes a tua vida a ninguém!!!!

-Diz muitas vezes "desculpe", "obrigada", "com certeza" e "sim senhora".

-Come bolos e tostas carregadas com doce em frente à gaja que está a fazer dieta e ninguém te vai renovar o contrato.

-Um homem que trabalhe por um longo periodo de tempo num ambiente com muitas mulheres das duas uma: ou entra em modo "música de elevador" e ignora metade da informação ou vira gaja e começa a guinchar como elas.

-Gravidez, tampões, menopausa e manicure são temas de conversa comuns e recorrentes.

-Dizeres que moras ao pé de 3 bairros sociais já não provoca medo mas admiração.

Esperemos pelos próximos episódios!




Liz

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Klling me Softly #26

Não ter ninguém há meses. Conhecer um rapaz, super normal, nada demais. Ver que ele até tem uma conversa bacana, tem boa cabeça para a idade e aparenta ter projectos e objectivos. Tem como maior sonho ser pai, adora viajar e todos os dias me diz que sou linda, gira, jeitosa, com um feitio de m***** mas que é meu fã. 

A questão


Estar ao pé dele ou de uma rapariga é o mesmo. Zero, nada, nicles! Não mexe comigo, não me dá borboletas (nem gafanhotos quanto mais borboletas), não me faz fantasiar nada e nem com os copos ficou mais bonito ou sexy.


.....e os deuses sentados lá em cima, rindo às gargalhadas enquanto apontam o dedo para a minha foto, fazendo apostas a amendoins e tremoços. Cacete pah...


Liz