quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O depois

A minha avó faleceu há 4 meses e na altura prometi que assim que me sentisse "resolvida" com este facto escreveria sobre esta minha experiência, eu que só há muito pouco tempo comecei a passar por este tipo de perdas. Prometi que, tal como deixei aqui a minha partilha de como foi na altura, ainda a quente, mais tarde falaria do que se sente, do que se pensa, do que fica e este texto é sobre isso exactamente.

Sobre o sentir neste campo sou suspeita. Não fui criada com os meus avós (nem paternos nem maternos) e só os via no Verão, durante umas semanas ou caso acontecesse algo que fugisse à rotina, tendo por isso uma ligação algo precária com eles. Também não eram as pessoas mais afectuosas que eu conhecia e eu sempre fui uma miúda demasiado bichinho do mato para me chegar a quem por mim não puxava, tendo a relação ficado assim a boiar numas águas mornas. Ainda assim, eram os os meus avós, a razão de eu ter pais e isso, já devia ser o suficiente para eu nutrir algo de muito bom por eles. A avó que perdi era a mãe do meu pai e, para quem não conhece a história, morreu aos 96 anos e eu apelidei-a da McGyver das avós pois a vida com ela não foi madrasta, foi um personagem mau da Disney.

Do que o meu pai e tios falam era uma mulher dura, sempre de soco ou vergasta na mão mas também, não era fácil criar uma tropa de filhos sozinha visto que o meu avô só vinha a casa a cada 15 dias, numa boa fase lá no trabalho. Ficou sem mãe pequenina e essa perda marcou-a para sempre, endurecendo o coração de menina que de repente se viu a servir na casa do Coronel pois o pai não se sentiu capaz de a criar sozinho. Não era boa pessoa mas era uma boa mulher e isto, de algo lhe deverá ter valido ao longo da vida. Era feita de uma espécie de liga metálica que a tornou moldável mas inquebrável, dura e resistente mas facilmente adaptável às situações. Não posso dizer que lhe sinto saudades mas reconheço o seu valor intrínseco e a noção de que, nos dias de hoje, são poucas as mulheres feitas da mesma fibra.

No que penso? Penso no medo de quando for "a minha vez". Os pais e as mães também morrem e, independentemente da idade que possamos ter, seremos sempre a mais frágil e indefesa das crianças no dia em que perdemos o nosso pai ou mãe. Penso em algumas atitudes que tive que não foram correctas, penso de quando não foram correctos comigo, penso que as coisas já podiam ser como são há muito muito tempo e penso, como penso, que se assim fosse, eu nem teria nascido. Penso nas palavras do meu pai que agora fala somente das coisas boas da mãe e penso na minha mãe que viu perder a sua sem nunca terem sido verdadeiramente sinceras uma com a outra, nunca se arrumaram por dentro. Penso que a continuar assim, estou no mesmo caminho....

O que fica? A realidade de que ninguém é eterno, que eu tenho quase 26 anos, que os meus pais já têm 65. A realidade é que um dia vai ser muito muito difícil passar por isto porque sou um coração com perdas que não sabe lidar com perdas. Mas sei que quando for a minha vez só quero poder tê-los perto, muito perto, junto a mim e do meu jeito dizer-lhes adeus...até qualquer dia. 




Liz

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Oi?

É impressão minha ou a blogosfera anda com a pipoca aos saltos e dos blogues que sigo já são 4 os que contam que ontem andaram a dar cambalhotas acompanhadas!?

Deco minha gente, decoro....


Liz

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

B-A-BA da Malta do Ginásio

Regressada das catacumbas emocionais causadas pelas recentes chuvadas que me deixaram à beira da toma de anti-depressivos com álcool estou de novo preparada para voltar a escrever sobre mim, as minhas cenas e as minhas coisas, independentemente disso interessar a alguém ou não!
Quanto ao título, quem leu os anteriores B-A-BA já sabe que vem aí escrita de escárnio e maldizer, cheia de clichés e más línguas mas que, contas feitas, até é verdadeira e ainda consegue sacar a quem por aqui anda umas gargalhadas! Posto isto, não é que a amiga Liz agora anda num ginásio?! É bem verdade minha gente pois eu acredito que tudo o que já está bom só pode ficar melhor (e o inverso também é possível) e tendo eu encontrado um daqueles ginásios low-cost que agora estão tão na moda lá me decidi aventurar pelo maravilhoso mundo das pessoas que se deslocam a um espaço fechado para suarem todas em conjunto.

Posto isto...Presenting!

O maravilhoso mundo dos ginásios

Os Gajos:

Nos ginásios encontramos dois tipos de homens: os Massudos e os que querem ser Massudos. Os Massudos são aqueles gajos que vão para o ginásio ora de calças de lycra justinhas ora de calções que quase deixam escapar um tomatinho, top´s (sim, TOP´S) ou t-shirts 3 tamanhos abaixo e acessórios como um daqueles cintos para proteger as costas ou luvas sem dedos para "o ferro não fazer calos". Como os identificamos se não forem assim vestidos? Eles gemem, muito, alto, como se estivessem a ser possuídos à bruta por um angolano abonado. E levantam sempre peso a mais para aquilo que o corpo deles aguenta deixando-os num estado lastimoso e a cheirarem a cavalo a 3 metros de distância.
Já os wannabe Massudos são uns tipos, muitas vezes, mais giros que os massudos mas que suam e gemem ao levantarem uns halteres com uns ridículos 15 Kg. O sonho deles é terem os bícepe maior que a própria cabeça pois estão piamente convencidos de que isso os fará engatar gajas. São tristes. Ambos. Por vezes encontramos um espécime raro, raríssimo: os homens que estão na sua vidinha e que só querem ficar com um corpo saudável. Ainda não vi lá no meu ginásio um destes mas dizem que eles existem....dizem....


As Gajas:

Neste departamento também temos dois tipos de gajas: As que vão para o ginásio com o único intuito de arranjar homem e as que realmente querem melhorar a sua forma física. As que querem única e exclusivamente arranjar gajo vão para o ginásio meias descascadas, mais bem vestidas e condizentes do que eu ando no meu dia-a-dia mas em versão roupa desportiva, fazem exercício de cabelo solto ou com um apanhado fashion cujo único objectivo é deixá-las "sexys". Não suam, não ficam rosadas, saltitam entre as máquinas e só falta despejarem sobre si a garrafa de água, qual anúncio dos anos 80. Ainda assim, muitas exibem uma forma física invejável. Porcas.
Depois no polo oposto temos as mulheres que querem mesmo trabalhar o corpo e a mente, procurando saúde, resistência e tonificação (sim sou eu..). Estão vão para o ginásio com umas leggings velhas, uma t-shirt larga, cabelo apanhado, mas apostam em bons ténis e sutiens de desporto. Suam que nem animais, ficam vermelhas e peganhentas mas puxam pelo físico em todas as máquinas. No fim do treino, são aquelas mulheres que se arrastam até ao duche mas sempre, com a sensação de dever cumprido! Eventualmente, ficarão em forma....

Os Balneários:

Balneário sem gaja nua não é balneário mas zona de troca de roupa! Parece que é obrigatório, impositivo até, sermos confrontadas com um rabo do tamanho de uma monovulme bem perto da nossa cara, ou com um peito descaído que mostra as agruras da maternidade. Há as que andam em pêlo como se estivessem na casa de banho lá de casa, ignorando na totalidade as outras que se tentam desviar dos seus corpos desnudados sem serem por eles atingidas. Há as que se escondem por detrás da toalha até a deixarem cair de rompante como que produzindo uma onde de choque sobre quem humildemente tenta trocar de roupa sem levar com uma mama na testa e por fim, há as que nunca deixam ver uma pontinha de pele e fazem da sua toalha de banho uma espécie de tenda-vestiário só saindo dela para vestir o sobretudo. Não sei como são os balneários masculinos mas cheira-me que a coisa não muda muito.


Os PT´s:

Há os homens e as mulheres, há os giros e os que têm corpo de quem não se levanta de uma cadeira sem ajuda; há os mirones que tentam controlar a zona para ver quem poderá ser um possível alvo e há os que querem mesmo ajudar quem treina; há as marias-rapaz cujo físico não queremos e há as jeitosas com as quais nos queremos parecer. O comum a todos estes grupos: só querem alguém que aceite pagar um balúrdio para um treino acompanhado.


A Malta:

Há quem encare isto do ginásio com a mesma religiosidade com que se vai à missa ou à bola, há a malta que só lá vai quando chove ou quando não tem planos; há quem controle toda a sua vida em função dos resultados esperados e há os que saem do ginásio e vão comer bolos; há os que entram mudos e saem calados, concentrados no seu treinos e há as bestas sociais que entram e automaticamente cumprimentam toda a gente e conhecem toda a gente e são super felizes e simpáticos e chatos como a m****; há os que olham envergonhados para quem treina e tentam replicar os movimentos pois aquilo parece resultar bem e há os que acham já saber tudo. 

Em suma, o que mais parecido temos com um micro cosmos (suado) do mundo "lá fora" é o ginásio e para quem gosta de observar a vida selvagem pode dar consigo a perder alguns exercício ou mesmo aulas de grupo mas a ganhar conhecimentos socialmente preciosos que podem muito bem funcionar como desbloquadores de conversa.


Liz

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A new place

Pessoas giras que por aqui andam, a amiga Liz tem mais um canto, recanto, livro de rascunhos. Chama-se Sala dos Tecidos e podem encontrá-lo aqui



Enjoy*


Liz

Hoje vim de botas

Muito contrariada, muito maldisposta e com uma birra como não fazia desde os 5 anos mas lá tive que vir de botas pois não me apetecia nada que me chovesse nos pés. A situação foi maisómenos esta


Não estou preparada psicologicamente para isto...nem os meus pés, nem o meu cabelo, nem o meu guarda roupa que eu não sei o que vestir...

Liz

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Paizinho #1

Decidi iniciar uma nova rubrica chamada "Paizinho" que vai falar da actual conjuntura económica aplicada à reprodução assexuada dos caracóis! NOT! Vai pura e simplesmente falar das peculiaridades di papai que é tão rico nestas coisas como o Outono em folhas caídas:

Inicia assim.....

O Acordar

Para papai o acordar é sempre um momento especial do dia, não para ele mas para quem está à volta dele. Ora qual a melhor maneira de se acordar uma adolescente já por si só minada de maus feitios matinais e com uma sede de matança própria da idade? Deixo aqui as técnicas di papai:

Entrar à bruta no quarto soltando um berro;
Entrar à bruta no quarto e acender todas as luzes possíveis e imagináveis ao mesmo tempo;
Entrar à bruta no quarto e abrir as persianas fazendo a maior quantidade de barulho possível;
Entrar à bruta no quarto e puxar a roupa à adolescente deixando-a completamente destapada em pleno inverno quando esta achava por bem dormir de calções e top mesmo nesta altura do ano;
Entrar à bruta no quarto e fazer tudo isto ao mesmo tempo;

Resultado (e já não moro com ele):

Hoje durmo numa espécie de casulo noctívago sendo completamente impossível deixar-me destapada;
O interruptor da luz do tecto está escondido;
Não tenho persianas;
Qualquer tipo de acordar que não me assuste, destape, cegue ou me dê um enfarte é recebido com um sorriso e o mais caloroso dos bons dias com beijinhos e tudo;

E vocês pensam: Oh Liz e mandares tu um berro ao teu pai e dizer-lhe que aquilo não é uma caserna nem tu um fuzileiro maluco dos cornos!? 
Ao que eu respondo: vocês faziam isso a um atirador especial que andou na guerra do Ultramar?! As possibilidades de ser fuzilada com uma colher de sobremesa estavam sempre presentes...


to be continued...


Penso, logo deixo de existir

Dizem que as pessoas caladas têm as mentes mais ruidosas. Não podia concordar mais. É como sou, como fui concebida, como estou formatada, criada de silêncios para viver no constante caos mental em que me formei.

Dentro de mim tenho viagens sentada nas costas de um elefante, tenho um Unicórnio que canta Elton John, tenho um arco-iris que no fim não tem um pote de ouro mas o Ryan Gosling numa banheira de chocolate, tenho o meu best seller a ser comentado no The Guardian, tenho uma adaptação de uma história minha ao cinema, tenho um vestido de noiva cor de rosa, tenho um quarto com vista para a Torre Eifel, tenho a roda gigante de Londres no fundo da minha rua, tenho um templo tailandês a 15 minutos a pé da minha casa, tenho um por do Sol na Gorongosa todos os fins de tarde, tenho as noites mornas numa praia no Havai.

 As vezes isto só vai lá assim, com muita imaginação, criatividade, sonhos tontos e conversas que tenho comigo mesma. Porque as vezes só dá para aguentar cá fora com a ajuda do que se passa "cá dentro".


Liz

O maravilhoso mundo dos transportes públicos

No maravilhoso mundo dos transportes públicos temos muitas coisas, lá está, maravilhosas e lindas que todos os dias nos deixam com um novo ânimo para encarar mais um dia de trabalho numa empresa cheia de mulheres (às vezes não há paciência...):

Os Encostos:

Os encostos são aqueles seres bafejados pelo capeta que veem tão mal tão mal que até confundem uma pessoa com um dos varões ou pegas do comboio, encostando-se aqui à je com todo o vagar e conforto do mundo! Coitadinhos....o problema é quando aqui "o poste" se desvia e acabam a patinar pelo comboio, soltando uns risos tímidos a quem vê a cena.

Os Espaçoso:

Ok que os transportes publicos não são conhecidos pelo seu espaço e por mim falo, que se me sentar refastelada os joelhos tocam no banco da frente, mas eu não tenho obrigação de ir a levar com o traseiro da senhora que se senta ao meu lado, ou de ir a levar na testa com a mala da gaja que está de pé!

Os cheirosos:

Aqui aplico as duas variações da expressão: ora os que se banham em perfume ora os que não sabem o que isso é, nem banho quanto mais perfume. E aos perfumados...gente....eu não preciso ficar com o vosso cheiro no meu nariz o dia todo okay? Ainda pior se for aqueles perfumes de velhas que cheiram longe.


Os sonâmbulos:

Não gosto de cabeças, braços ou outras partes corporais que não minhas encostadas a mim. NÃO GOSTO!

Os jogadores de Rugby:

Não, o meu comboio não dá boleia à selecção portuguesa de rugby. Falo das velhinhas que todos os dias quase me batem para conseguir um lugar sentadas. Quem diz velhinhas diz algumas senhoras em tudo semelhantes a tanques de guerra, das quais eu tenho medo e com as quais nem me atrevo a disputar o lugar. 


Há dias que tudo isto se atura, há dias que uma pessoa até se ri mas outros dias, assim tido o de hoje, só dá vontade de gritar bem alto que dentro da lancheira vai uma bomba e não um arroz de frango.....


Liz

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A carência do que não se pode ter

Há algo de magnífico no "não", no impossível, no alcançável pois perante eles comportamos-nos como os meninos pequeninos que já não devíamos ser, passando a desejar com todo o nosso ser aquilo que até há bem pouco tempo era irrelevante, dispensável. O porquê de funcionarmos assim? Pura natureza humana: precisamos de objectivos, metas, "quereres" e se não os temos estagnamos, paramos no tempo e deixamos de evoluir, então inventámos esta forma de "movimento" que nos leva a querer o que não temos, o que não quisemos e o que já tivemos mas perdemos, sendo este último, o "querer" mais incomodativo.

Por norma, só queremos aquilo que em tempos tivemos se esse objecto de desejo nos remete para um tempo em que éramos felizes, realizados, completos por dentro. Quem diz objecto pode muito bem dizer pessoa (acima de tudo pessoa), colocando em outrem a imagem da felicidade de tempos passados conotando-o/a com uma carga emocional pesadíssima, carga essa com que não temos o direito de carregar ninguém e com a qual ninguém deve nunca ser conotado pois é de uma injustiça tremenda ser a fonte da felicidade de alguém que nos rejeitou, alguém por quem passámos e que não nos deixou ou fez ficar. 

Sei que é um tremendo cliché dizer que só damos valor ao que temos quando nos vemos privados da sua existência mas não é esta uma das grandes verdades do Universo? É que só sente saudades das aulas às 8h da manhã quando se começa a trabalhar sem interrupções durante o dia; só se sente falta do calor reconfortante ou sufocante do Verão quando se apanha uma valente molha ou se tem as mãos num permanente estado de congelação; só sente falta daquela pessoa insuportável, carente, pedinchona e sensível quando vemos que essa mesma pessoa era engraçada, conversadora, carinhosa, ombro amigo, amor, chão. E ao constatarmos que o enjoo em nós sentido por causa dessa mesma pessoa não passava de cansaço, exaustão, tempo a mais juntos, descobrimos que o afastamento foi a melhor das soluções ainda que a mais dolorosa e, agora, arriscamos dizer que todos os dias é como se o sol nascesse directamente do traseiro deste indivíduo que até há bem pouco nem com o seu melhor fato nos agradava. 

Que o ser humano é estúpido, egoísta e funciona muitas vezes com um imenso retardamento já não é novidade para ninguém mas bem que podia ir aprendo algumas coisas com as pedras que a vida lhe vai atirando ou com as sérias americanas que também são boas a falar destas coisas. É que a desculpa do "se arrependimento matasse" ou o "se pudesse faria tudo diferente" já não cola com ninguém e reconhecer, ao fim de meses ou anos, que não se soube cuidar daquilo que hoje se vê ter sido a melhor coisas que nos aconteceu não muda as acções mal praticadas, as palavras que cortaram e muito menos mudam o traseiro de onde o sol nasce, que vai agora alumiar para outros horizontes. 



Te voglio benne...

Hoje está-se assim


Liz