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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Eu sou uma grande Tuga!

E não tenho vergonha nenhuma de o assumir! Eu gosto de minis e petiscadas, de ver jogo de futebol em tascos, vou à praia com lancheira e chapéu de sol e buzino imenso no trânsito. Eu amo a Costa Vincentina com a mesma força com que amo o meu Gerês e acho que somos uns grandes pobres e mal agradecidos  por fazermos tantas férias lá fora quando temos um país que conseguimos percorrer numas 12 horas (mais coisa menos coisa). O nosso jardim à beira mar plantado (a única coisa de jeito que o salazar alguma vez disse) tem de tudo, passando das planícies às praias e da cidade ao campo com os seus montes e vales. Sou tuga porque falo alto e se me chateiam foge-me o pé para a chinela, porque sou capaz de comer bacalhau todos os dias, porque quem me tira o arroz doce e ao pão de ló tira-me os alimentos que fizeram crescer e  e sou tuga porque, como qualquer tuga que se preze, tenho com o meu país uma relação igual à que as ciganas têm com os maridos:

Só eu posso falar mal dele. Se vem alguém de fora e fala mal do meu Portugal leva uma carga de porrada verbal e duas chanatadas nas trombas que perde logo a vontade de criticar do meu eterno amor. 

Sim porque aquilo que nutro por Portugal  é amor, só tenho pena de quem o governa, ou desgoverna. Não é o país que está mal, o que se passou foi: experimentem meter um Ferrari, daqueles vermelhos e que fazem vrum e isso, nas mãos de uns fedelhos acabados de tirar a carta que só pegam no Ferrari para mostrar ás gajas e não porque o carro merece andar? Dá azarinho e o Ferrari acaba cheio de amolgadelas, suspensão desgraçada e panela de escape rota (sou bué das mecânicas eu).

Fora os maus governantes, o tuguinha dá-me cada vez mais nojo. Atentem nobres senhores e senhoras, eu disse tuguinha e não tuga. Porquê? Porque o tuguinha é aquele ser ignóbil que está sempre com cara de quem comeu e não gostou, que responde sempre um tristonho "vai-se andando" e que se queixa se está de chuva mas que também não suporta o calor do mês de Agosto. A meu ver, um dos males deste país é o tuguinha, com os seus queixumes, tristezas, os velhos do Restelo que nem para enfeitar servem e que ao invés de procurarem neles mesmos motivos para serem felizes andam numa constante tristeza insuportável que já ninguém aguenta. 

Somos um povo rijo que nem calhaus, trabalhador, honesto, com uma resiliência invejável, somos afáveis e bons acolhedores, sujeitamos-nos a trabalhar em qualquer porcaria desde que se ganhe algum e, acima de tudo, temos das maiores taxas de indivíduos com formação superior da Europa. Por isso não me venham com aquele discurso de m#$%& de que devíamos era ser espanhóis, de que a vida lá fora é que está boa e que só fica cá quem é parvo. Eu se calhar vou e vai doer horrores pois aqui eu sei ser esta a minha terra, a minha casa e o sítio onde gostava de criar os meus filhos, se um dia os tiver. 

(e eu tonta que quase choro com estas porcarias...)


Liz