Mostrar mensagens com a etiqueta Liz a descrente no amor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Liz a descrente no amor. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Confiança

Há uns tempos em conversa com uma amiga falámos da relação de confiança que ela estabeleceu com o namorado. Trabalham no mesmo computador, usam o telefone um do outro quando precisam, deixam páginas de email ou Facebook abertas e não se preocupam com passwords secretas e difíceis de adivinhar. Fiquei assim meia que em choque, pois para mim é completamente impossível imaginar uma relação onde consiga este nível de confiança, não porque não a mereça, mas porque durante muito tempo vivi de telefones bloqueados, computadores usados à vez e números de telefone não memorizados. 

Aprendi os códigos de desbloqueio, lia as mensagens disfarçadamente e dei por mim a ligar para o 118 para tentar saber a quem pertencia cada número desconhecido. Pesquisei históricos do computador e por uma vez, mexi no que não devia. E como se estes comportamentos não fossem suficientemente vergonhosos e condenáveis, o verdadeiro problema residia no facto de que, cada vez que eu procurava, eu acabava por encontrar. E a cada achado a confiança esvaía-se por entre as minhas mãos e a cada alteração de planos eu tremia e criticava-me por assim reagir. 

Já por aqui disse que me tornei uma desconfiada crónica, então no que diz respeito a homens, não encaro nenhum "direito", daí o meu espanto e total incredulidade perante tamanha confiança entre eles os dois. E saber que ela conseguiu uma relação assim, ela que já passou por tanto, de alguma forma me tranquiliza e me faz pensar que talvez um dia eu também confie assim em alguém e não tenha que recorrer a telefones ou computadores para confirmar as minhas suspeitas, pois elas não vão existir. Neste momento não admito que ninguém ponha a minha palavra e conduta em causa, não aceito que me perguntem se estou a dizer a verdade e, ironicamente, quem não confia sou eu. 

Sempre soube que a confiança no outro é essencial para que a relação dê certo, mas hoje, passados alguns meses, vejo como a relação onde estive tinha tudo para dar errado. 



Liz