Quem tem tv por cabo certamente já ouviu falar de um programa que passa no canal Bio (se não estou em erro) onde os sobrevivente de grandes desastres, catástrofes, ataques de animais selvagens e outros que tais ,contam a sua história ao mundo e como conseguiram domar um urso pardo americano com o uso de um simples gancho do cabelo e uma colher de sopa. Não minha gente, eu não estou de todo a fazer pouco de quem sobreviveu, estou sim a falar de situações terríveis às quais eu não sobreviveria nem com o apoio de um pelotão dos GOE quanto mais sem ter qualquer ajuda...
E ao que sobrevivi eu? Ao último dia da SAL, ou semana académica de Lisboa. O dia de ontem foi dedicado a isto da vida académica com uma grande amiga minha a benzer as fitas. Claro que não precisamos de motivos para nos juntarmos mas sabe sempre bem estar com gente com quem as conversas começam com um "lembras-te daquela vez em que no dia seguinte não sabias onde estavas?". O jantar correu bem, ri, muito, até às lágrimas e isso ajudou a exorcizar algumas coisas e siga para o recinto da SAL, no pólo universitário da Ajuda. À entrada todo um mar de gente aos empurrões e nós fomos mais uns a entrar no mesmo mantra do "não empurrem!". Ao fim de 45 minutos a ser empurrada, esmagada, emifrada, de ter tido contactos mais do que próximos com gente que nunca vi na minha vida e de ter prometido a mim mesma fazer um teste de gravidez quando chegasse a casa, oiço o seguinte grito de guerra vindo de um grupo de rapazes à minha frente:
"É agora!"
Eu sou uma miúda alta, com os pulmões de quem nadou durante 10 anos e nunca fumou e senti que ia desmaiar, que era desta que eu ia ter com o Jesus ao outro lado. Entrei no recinto numa maré de gente sem que os meus pés tocassem no chão, perdi-me do meu grupo e lá pelo meio passou-me a vida toda à frente dos olhos e eu só tive tempo para pensar "SÓ!?". Sabem, sempre ambicionei uma morte estóica, digna de uma heroína de Homero, qual epopeia bélica. Ambiciono uma lápide que diga
"Aqui jaz Liz Efigénia, atingida por um raio/comida por um leão/afogada nas cataratas Vitória por se ter empoleirado para espreitar lá para baixo"
Entendem o que digo? Uma morte individualizada, só minha, daquelas que os nossos descentes contam aos seus petizes na noite de Natal. Ontem, o que quase tive foi uma morte por esmagamento colectivo, numa merda de uma festa académica organizada por gente que não sabe em que curso está, quanto mais, como organizar um evento desta envergadura. Tive pena genuína por algumas miúdas à minha volta, pequenitas e frágeis e algumas, já com uma valente bebedeira no lombo. Lá entrei, vi o Sean Paul, sim vi não ouvi, porque a única coisa que ouvi foi o disco a tocar lá atrás com a voz dele enquanto em cima do palco ele se limitava a saltar (gordo que nem um porco) repetindo uma e outra vez "sexy ladies Portugal!!!", soltando de tempos a tempos um refrão, recorrendo depois a uma botija de oxigénio para continuar. Não consegui estar na boa com os meus amigos, não vi sequer toda a gente que gostava de ter visto e o mais triste, ainda paguei para este catastrófico espectáculo.
Talvez eu esteja a ficar velha para isto ou, talvez, eu já esteja naquela fase em que molhada não é festa e apalpões e roça-roça, só quero com quem mexe os meus cordelinhos. Contudo, sobrevivi.
Liz