Já aqui antes falei da minha obsessão pelas TED talks, ou conferências simplesmente geniais que ocorrem um pouco por todo o mundo falando de tudo e mais alguma coisa. Acabei de "descobrir" mais uma que por pouco não me pós a chorar tal não foi a força com que o dedo me tocou na ferida: sonhos.
Em miúda eu tinha um sonho, um sonho que foi tão ridicularizado por todos que acabou por se tornar na minha "vergonha": eu sonhava ter sido bailarina. Daquelas, lindas, com os seus tutus brancos e bodys cor-de-rosa, dançando em pontas, tão lindas, tão elegantes, o supra sumo da elegância e da delicadeza. Pedi e pedi e chorei e implorei para que me deixassem ter aulas de ballet ou de qualquer outro tipo de dança pois ao fim de algum tempo, cheguei à conclusão de que o que eu queria mesmo era dançar! Mas nunca ninguém me ouviu, me levou a sério ou me levou a uma aula de dança e eu, via as meninas da minha turma nos seus fatinhos de bailarina e aquilo fazia-me doer o coração.
Ainda hoje é uma vontade que me corrói a alma pois com o passar dos anos descobri o porquê deste amor pela dança: eu amo tudo o que é belo, estético, original, criado do pó para se tornar uma estrela. Em Florença delirei com aquela que até hoje considero a mais bela cidade-museu que já visitei. Em Paris fui arrebatada por uma cidade em que os arquitectos eram artistas do tijolo e da madeira. Em Lisboa, fascina-me a sua luz perfeita e quente que até no Inverno temos. Perco-me num texto bem escrito e choro com uma fotografia/imagem quando esta vale bem mais que 100 palavras. E a escrita...arrisco-me a dizer que se está a tornar na minha paixão.
Posto isto, será que sirvo para uma profissão/carreira que me consuma todos os dias das 9h as 17h, voltar para casa, fazer jantar, dar banhos, dar jantar, deitar na cama, e amanhã, tudo outra vez? Será que aguento viver num paraíso do betão onde não há espaço para ser árvore, pássaro ou ser humano? Será que sirvo sequer para um só emprego, por mais bem remunerado que seja, desde que não me faça feliz?
Peço-vos encarecidamente que dediquem ao Larry Smith 15 minutos da vossa vida. Não é por mim, é por vocês.
Liz