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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Oh Rafiki...


Dependendo de onde levamos a pancada pode doer por mais ou menos tempo, uma dor mais castradora ou uma simples moínha mas numa coisa o Rafiki estava certo, ou aprendemos com ela, ou estamos condenados a repeti-la.


Liz

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Mensagem

Véspera de Domingo de Páscoa, 23:30, sozinha na sala e a casa toda dormir. Só esperava conseguir aguentar acordada para ver um pouco do "eat, pray love", quando vejo que recebi uma mensagem. O telemóvel estava longe e eu bem confortável no meu sofá. Meia hora depois levanto-me e vou à mesinha de apoio buscar o telefone, não esperava uma mensagem de ninguém, provavelmente seria a A.


Não te mando uma mensagem à tanto tempo...a prova disso é que ainda tinha amor no teu nome....as vezes tenho saudades tuas, mas por respeito não te digo nada...sei que falamos, mas penso bem mais vezes vezes em ti do que falo....só quero ir sabendo se estás bem....


Há dois meses atrás o estrago tinha sido tremendo, épico, uma 3ª Guerra Mundial dentro do meu peito. O que não tinha dado por umas saudades tuas, o que não tinha dito se visse esta mensagem mais cedo. Hoje, não porque a mandas-te e logo num sábado à noite, aquela noite em que mesmo namorando era difícil ter a tua atenção. Não entendo o que ela quer dizer e não me vou dedicar a pensar nisso. Realmente a última mensagem foi à muito tempo, 18 de Janeiro, e dizias que ia nevar pela primeira vez desde que te mudas-te para aí. 

Há dois meses atrás eu teria voltado ao meu poço. Hoje, optei por desligar o telemóvel. 


Liz

quarta-feira, 20 de março de 2013

Quem sabe tudo



Com este tamanho e ainda penso como a menina adorável da camisola branca. Sou tão cor-de-rosa...


Liz

domingo, 17 de março de 2013

Sentidos

Sou uma pessoa de sentidos. Rejo-me pelo toque, pelo cheiro, pelo olhar, pelo paladar e pelo ouvido, quase como se fosse um bicho. Há alturas em que os olhos de nada valem, é o cheiro que nos mostra onde estamos e com quem, ou que nos transporta para um local onde já fomos felizes. Há também alturas em que estar junto não chega, tenho que tocar, tenho que criar uma memória visual com as minhas mãos pois só assim consigo criar a memoria perfeita, infinita. Por vezes, só o ouvir de uma certa voz me faz acelerar o coração ou o trava completamente, só aquela voz da qual temos tantas saudades ou que não queremos de todo voltar a ouvir. E depois o paladar...a massa que fica na tigela quando o bolo já entrou no forno, arroz doce acabado de fazer, pele acabada de sair do mar e tão salgada, tão boa. Sou sem dúvida alguém que precisa dos seus sentidos, alguém que tal como o poeta disse "sente tudo de todas as maneiras". Talvez por ser assim seja umas vezes tão feliz e outras tão miserável, talvez por me deixar levar na "aventura dos sentidos" tenha em mim gente que se materializa quando penso naquela característica particular.

Hoje passei a minha tarde numa apresentação de um livro de poesia, uma poesia erótica, de amor, e ao meu lado estava sentado um casal de idosos. Estiveram o tempo todo de mão dada, os dedos bem entrelaçados e enterrados na mão do outro, movendo-os devagarinho, acariciando as mãos e os dedos do outro. Aquelas mãos disseram-me tantas coisas, disseram-me tudo. Quando naquela fase da vida ainda se consegue dar as mãos com tanto amor, com tanto apego, é porque há dentro delas mais amor do que os dois serão capazes de expressar um pelo outro. Ao vê los assim, de mãos tão dadas, não pude deixar de sentir uma certa inveja pois uma das coisas de que mais gosto é de andar de mãos dadas. 

Esteja calor e as mãos estejam suadas ou peganhentas, esteja frio e o facto de estarmos com as mãos fora dos bolsos dos casacos se torne em certa altura doloroso, estejamos nós sentados numa mesa de jantar com os amigos à nossa volta e ainda assim, eu gosto de estar de mãos dadas. Eu não era assim e não sou o tipo de pessoa "muito física" mas se há vicio de relação que adquiri foi o do contacto, constante. 

Estávamos sempre em contacto, fosse esse contacto na forma de mãos dadas ou mesmo abraçados. Um dos melhores lugares do mundo era quando ele me puxava para debaixo do seu braço e eu encaixava na perfeição naquele recanto de homem podendo ficar ali durante horas. Éramos de toque, de abraços, de beijos, de mãos no cabelo e de apalpões dados em locais públicos. Ele conduzia com a mão na minha perna e eu passava-lhe a mão no pescoço. Quando o sinal ficava vermelho, pedia-lhe um beijo e nunca conseguia sair do carro sem me despedir com um beijo demorado e um abraço. Se a tarde era de chuva e pedia cama, o meu sítio era com a cabeça no peito dele e em 2 minutos dormia, pois o coração que ecoava embalava-me.  E o cheiro.....adorava o cheiro dele, não o perfume, o Cheiro! Cheiro nenhum alguma vez será como aquele e nem eu quero que seja pois o meu nariz de perfumista não ia comportar ter que lidar de novo com aquele cheiro em mim. 

Sinto falta do toque, não do dele pois esse agora eu repudio,  mas de ser tocada. Sinto falta de abraços apertados em que encostamos as cabeças e balançamos um pouquinho. Sinto falta de me por em bicos dos pés para abraçar alguém e, sendo eu alta, tem sido complicado ter um destes. Sinto falta daquele sitio debaixo do braço e de por a mão no pescoço de alguém enquanto conduz. Sinto falta de tudo isto mas, acima de tudo, sinto falta de fazer tudo isto de um modo inato, sem ter que pedir licença ou sem ter que perguntar se é conveniente. Preciso de um abraço em pontas e de uma mão grande e áspera enrolada na minha. Preciso de olhar para a minha mão e ver as mãos que vi hoje. 




Liz

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

...ainda em relação ao último post

Para quem não entendeu a piada que estava no último post, porque sim era uma piada, um exagero meu, eu não tenho nada a ver com a pessoa que o ex namorado possa arranjar. Não é do meu departamento, não tenho que me sentir melindrada ou feliz e, acima de tudo, cada um come do que gosta e até mesmo eu cada vez menos ligo ao figurino mas ao que ele representa. E recorrendo à velha máxima popular

Quem feio ama bonito lhe parece.

Mas fora os politicamente "correctismos"....quem consegue não se sentir melindrado/a quando se trata de alguém por quem ainda sentimos algo? E muitas vezes nem é por a outra ou o outro serem mais bonitos ou mais feios, mas antes, por já existirem enquanto o nosso corpo ainda não "arrefeceu". Isso custa, a realização de que o outro ja nos digeriu e nos arrumou a um canto e nós aqui, ainda rídiculos e ainda uns tristes pensando nos porquês deste desfecho. 

Se ela é bonita? Talvez, mas o que realmente me incomoda é que agora é ela que recebe os elogios que até há bem pouco tempo eram meus.




Liz

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Marry me

As vezes penso se faço parte deste mundo, quer seja por aos 25 anos ainda ver desenhos animados ao domingo de manhã, por ter nas lides domésticas uma espécie de yoga, ou por não ter vergonha de dizer que tenho o sonho de casar. É que num mundo onde nada se manda arranjar porque o novo se compra já ali, num mundo em que a ideia de passar o resto da nossa vida do lado da mesma pessoa soa entediante e castrador, eu afirmo, sem medos ou embaraços, que um dia gostava de ser pedida em casamento, gostava de me casar e de ver uma aliança na mão esquerda e digo ainda que a palavra marido não me assusta ou apoquenta. 

Porquê que eu me quero casar? Porque quero tentar construir aquilo que não tive, quero pelo menos tentar mostrar ao mundo que o casamento não dói mais do que namorar, que o casamento não é o único motivo de divórcio (vocês percebem...) e quero acima de tudo que um dia o meu homem me veja de um jeito tão seu e tão bonito que ganhe coragem e peça em casamento.

Se o vestido branco, a festarola que não é para os noivos mas para a família e o assinar de um papel me fazem falta!? Nenhuma! Os casamentos, e todos aqueles que já foram a um sabem disso, é um dia em que os convidados comem e bebem à grande e à francesa, a noiva arrasta um vestido maior que ela durante umas boas 16 horas, o noivo ouve bocas dos amigos a dizerem que foi para forca, as mães choram, os pais ficam com os copos juntos, os solteiros fazem olhinhos uns ao outros e, contas feitas, é um dia de festa em que os únicos que não têm tempo para realmente se divertirem são os noivos. 

Apesar de todos estes contras, apesar de compreender a seriedade e a importância deste passo, eu continuo a dizer que um dia me quero casar e quero um homem que se queira casar, pois casarem-se comigo para me fazerem o jeito seria o favor mais caro que já me fizeram, pois o negócio não ia durar.   Quero que seja uma vontade individual para depois se tornar uma coisa a dois, pois penso que só assim, só os dois acreditando que o casamento não é um bicho papão que destrói a felicidade do individuo conseguiremos fazer com que a coisa resulte.

Devo dizer que entendo a postura que a maioria dos jovens tem hoje com o casamento. A maioria de nós é filho de pais divorciados e crescemos numa casa em que se odiaram muitos anos até terem coragem de tomar aquele passo. Casar fica caro e andamos todos tesos. Divorciar fica ainda mais caro e ninguém anda para dividir televisões, sofás, cuecas e pacotes de leite. Para quê casar se já podemos dormir juntos sem que o pai dela me ameace de morte!? Os testes de ADN já deixam saber quem é o pai da criança e não tem que ser o marido a registá-lo(a) se tiver dúvidas. Quem casa descasa e o mundo tornou-se um local tão egoísta  tão cheio de si mesmo, que ninguém está para aturar meias sujas no chão do SEU quarto nem cuequinhas a secar na torneira da SUA casa-de-banho.  Portanto....para quê casar? Para mim a resposta é simples:

Para mostrar-mos ao mundo que somos tão loucos, tão felizes e nos amamos tanto que somos até capazes de ignorar tudo o que referi acima. 

Por algum tempo desisti disto do casar, do ter marido, mas se o fiz foi porque a pessoa que tinha comigo encarava o casamento como uma prisão, um estorvo à sua individualidade e um peso na consciência na hora de "mijar fora do penico". E eu aceitei (e aceitava e aceitava e aceitava) e pus de lado o sonho de casar, ter uma coisa a dois, ter filhos e tentar ser feliz. Agora, mesmo com o coração despedaçado vejo que sim, que este é mesmo um dos meus sonhos e que se um dia tiver a possibilidade de o realizar, serei um pouco mais feliz. 




Liz

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Gravity

Algo de estranho se passa, dentro e fora de mim, pois deixei de te chorar. Ainda te penso de manhã ao acordar e à noite, enquanto conto as horas no meu relógio  mas já não te choro. Bem, em verdade, dizer que só te penso ao acordar e ao adormecer é o mesmo que assumir que a Terra tinha voltado a ser plana pois estou certa de que não há no meu rol de 24 horas diárias uma em que, efectivamente, não pense em ti. 

Nem sei já dizer o que penso de ti, do nós que existiu e que agora assumo e aceito que morreu e pede chão para ser enterrado, visto que em nós o fogo sempre foi sinónimo de amor e não de fim. Penso se alguma vez fui feliz contigo e, imediatamente, sou levada para pequenos momentos nossos, dos quais já nem me sabia lembrar e que como a água da chuva que ninguém consegue conter, me invadem a mente e me desligam, levando-me a vive-los uma e outra vez. Sim, fui feliz contigo, aquela que eu era quando dia fui foi feliz contigo, talvez fosse ainda não a tivesses tu matado, com pequenas doses de veneno, não letais mas que com o passar dos anos consumiram o que de bom por ti eu uma vez permiti-me sentir. Sim, fomos felizes, fomos miúdos, fomos loucos, fomos famintos um do outro,  fomos crianças em corpos de adultos que se procuravam de manhã, de tarde, de noite, em todo o lado e em lugar nenhum. Sim, fomos felizes.

E como se numa dinâmica de roda da fortuna se tratasse, os pensamentos felizes são consumidos pelos maus, os feios, os monstros debaixo da nossa cama ou os que saem do armário quando fica escuro e a casa está em silencio. E aí vejo, como era infeliz, triste, pequenina, mesquinha, eu, que sempre me jurei nunca ser assim. Contigo tornei-me mulher e descobri o que implica ter um homem na sua vida, aprendi a amar mais do que me amava e a dar-me de corpo e mente sem nada ou muito pouco pedir em troca, contudo, descobri também a pessoa que nunca mais quero voltar a ser. Descobri o ciúme feroz, a necessidade de controle que me tirava as noites de sono, a insegurança, o medo, a solidão que só se sente quando namoramos alguém que já não nos namora. Descobri até onde me consigo deixar chegar por amor e assustei-me perante o que vi, entendendo agora atitudes e palavras tuas que até ao dia de hoje não tinha conseguido entender. Estou, sem dúvida nenhum, a meio de um processo de iluminação que me mostra todos os dias o bom e o mau da minha vida, que me mostra as escolhas e as renuncias, as tentativas e erros, em suma, que me mostra o que não só tu me fizeste, como aquilo que eu me deixei fazer. 

Sei que em determinado momento aquilo que eu defendia como amor era afinal adoração, sentimento de posse e necessidade do outro para ser feliz. Perdi-me no sentimento lindo que pela primeira vez consegui nutrir por um homem e juntos, transformamos o amor das nossas vidas numa relação doente, coberta de chagas abertas que a cada dia consumiam a carne e derrotavam o espírito.  Podíamos ter sido felizes, eu estava perfeitamente segura de que te conseguiria fazer feliz mas e tu? Serias tu capaz do mesmo? Ou que relação era esta em que eu pedia a um cego para ver o qual belo estava o dia, ou em que eu pedia a um paralítico para andar do meu lado? Quando pedimos ao outro algo que ele não nos pode dar a única coisa que recebemos é a sua revolta, pois ele não consegue dar mais e nós, cabras loucas e exigentes, não paramos de pedir que ele se levante e ande a nosso lado! Mas tu não podias andar e eu já não aguentava mais empurrar a tua cadeira de rodas.

Hoje vejo que te pedia demais, pedia a um ser que nasceu para ser sozinho que fosse o meu companheiro, a minha cara-metade. Pedia a um ser egoísta que se deixasse de lado e nutrisse o meu bem-estar tal como eu nutria o dele. Pedia ao homem da sua vida, que se tornasse o homem da minha. 

Foi bom, foi louco, foi duro, foi desnecessário, foi tudo, mas já não pode ser mais nada pois por mais que te queira, por mais que te deseje, eu tenho que me soltar das amarras cobertas de ferrugem e lodo com as quais me deixas-te no fundos da tua casa. Acima de tudo, tenho que me velar em condições, tenho que me enterrar e permitir-me o meu luto de mim, pois a menina demasiado sonhadora e inocente que cativas-te morreu e, depois de nos chorar, tenho que a chorar a ela. Apesar de tudo, não me sinto triste por me despedir dela pois mulheres como ela não têm lugar num mundo como o nosso, vivem nos contos de fadas e são felizes para sempre. 

Hei-de enterra-la em breve, num local onde o sol traga vida ao chão, às árvores e às pedras, onde os pássaros cantam até de noite e onde um riacho puro faz rolar pequenos seixos. Era aí que ela gostava de ser enterrada, pois era aí que ela vivia. Hei-de visita-la de tempos a tempos agradecendo-lhe o sacrifico que me proporcionou ser quem um dia eu serei, um ser deste mundo. Obrigado minha pequena, era bom ver o mundo pelos teus olhos. 

E ironia, dou por mim a chorar não a tua perda mas a perda de mim, pois a ti, eu já não te choro, já não te consigo ver como uma perda mas antes um fatalismo, uma tragédia grega em que a donzela padece aos infortúnios dos deuses e tu, foste o seu carrasco. 

Estarás ainda no meu pensamento sei lá eu quantos mais anos ou mesmo séculos. Esquecer-te-ei eu algum dia? Nunca. 




Liz

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Will you?


                                                        Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
Or just a moment's pleasure?
Can I believe the magic of your sighs?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
And you say that I'm the only one, the only one, yeah
But will my heart be broken
When the night meets the morning star?

I'd like to know that your love
Is love I can be sure of
So tell me now, cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?


......porque tenho ouvido isto uma e outra vez nos últimos dias? Não faço ideia mas a verdade é que ela me transmite uma felicidade, um calor, um consolo...que poucas músicas têm conseguido trsnmitir nos últimos tempos. Talvez pela voz da Amy, que partiu cedo demais, talvez por falar de um momento de amor que não deu garantias de nada, talvez, por falar de uma incerteza à qual só uma mulher se agarra, à qual só uma mulher se entrega.

Não sei.


Liz

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Killing me Softly #4

Não sei até que ponto este pode ser considerado um momento Killing me Softly mas a verdade é que não posso deixar de dizer que coisas deste género mexem comigo, nomeadamente, o facebook do meu ex namorado se ter tornado nisto




Sei que isto não me devia afectar e sei que se a coisa está neste termos é porque alguém também anda "com a franga solta" procedendo à pesca por arrastão. Sei também que ontem no jantar de solteiras de S. Valentim me comprometi a passar por cima destas mediocridades, afastando-me de alguém que me faz mais mal que bem. Mas pronto...sou mulher, sou curiosa e, por vezes, até demasiado esperta para o meu próprio bem. 


Liz

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Blame it on the Ladies

Eu sou mulher e até eu que sou mulher, me sinto por vezes ultrapassada pela maneira como as mulheres funcionam. Complicamos muitas coisas, simplificamos outras que tais, amamos como homem nenhum consegue amar e temos atitudes que nos fazem parecer autenticas Medusas petrificadoras. Eu aceito isto, eu entendo isto, mas há algo que me ultrapassa:

Porque razão, quando uma mulher é traída e descobre, a primeira pessoa que ela culpa é a outra, a "porca que lhe deu a volta e fez com que ele me traísse!" 



É que minhas amigas, não é ela que nos deve contas, não é ela que nos deve fidelidade, honestidade e sinceridade. Que eu saiba, homem nenhum alega violação ou coação à pratica sexual. É verdade que soltam argumentos como "ela provocou-me" ou "eu não sei porque o fiz e amo-te muito!", mas não foram, nunca, em tempo algum obrigados/forçados à pratica do encornamento da pessoa "amada". 

Este assunto é-me particularmente sensível  pois mexe com tudo aquilo que sou como pessoa e com tudo aquilo que me enoja e me faz detestar profundamente outro ser humano. Não digo que nunca o farei mas, se me respeito e se me tenho em alta consideração, não irei envolver-me com outro homem enquanto tenho um compromisso assumido e além disso, assumo-me uma mulher que quando está apaixonada e quando ama consegue transformar todos os homens à sua volta em gajas barbudas. 

Nisto sou prática: quem está mal muda-se. Ah porque o meu casamento já não tinha uma vida sexual activa. Que fizesse por ter uma vida sexual que não se resumisse a missionários de 10 minutos onde nem a roupa toda se tira! Ah porque não me sentia ouvido ou compreendido pela minha parceira. Pois não coitado, dividia com ela cama, mesa e máquinas de roupa mas não era homem para desabafar com a "companheira de casa". Ah porque desde que tivemos filhos a nossa relação morreu. Ok, eu aqui não teço comentários pois nunca fui mãe e não sei como será quando for a minha vez mas o casal tem que trabalhar os dois na relação e não deixar para ela aquele ser minúsculo e dependente que ajudaram os dois a fazer....é o que penso. 

Agora....trair, envolver-se emocional e fisicamente com outra mulher/homem? Eu não entendo. Chamem-me quadradona, digam-me que nada percebo da vida, digam.me que não é defeito é feitio e que há gente que nasce com os genes da traição, comigo não pega! Disse e repito, quem está mal muda-se e algo de muito errado se passa para se chegar a este ponto. 

Se flirt é trair? Tecnicamente não mas eu não gosto que meu homem  o faça (namorei 3 anos com o rei do flirt e só agora a ficha me caiu). Se mensagens, chats, telefonemas, é trair? Como é óbvio depende do conteúdo das mesmas mas, para mim, é. Se me magoaria mais saber que há nas minhas costas uma relação e não só um desvario da carne, uma vez sem exemplo? Magoaria, muito. Porque para uma mulher que o seu homem se divida em carne com outra é uma coisa, mas que diga a essa outra que gosta muito dela, que sente a sua falta, que tem saudades, isto é sentir que dividem o homem por inteiro. Mas daqui podia nascer a velha questão do ir às pegas ou ter uma amante (aguardem o próximo episódio).

Se há mulheres que só se sentem atraídas por homens comprometidos? Há que eu conheço uma. Falando com ela pergunto-lhe o porquê de se interessar tanto por homens que já têm "dona" e ela responde-me:

Porque são descomplicados, porque não fazem ciumes e porque não lhes devo nada. Se sou a outra? Sou, mas não sou eu que sou casada, nada devo a ninguém. 

E é isto...este tema dava pano para mangas, as opiniões e histórias de vida são mais que muitas e decerto haverá quem concorde comigo e quem me ache completamente errada. A minha opinião é esta, o blog é meu e eu digo o que quero.



Liz