Um homem que me dê um orgasmo mental tem-me por inteira, pois depois da alma conquistada, o corpo dá-se sem pedir licença, sem pudores. Preciso de um homem inteligente, com quem possa conversar de politica, religião, cinema, música, com o mesmo a vontade com que falo de desenhos animados, diferentes formas de comer bacalhau, futebol e gajas gordas em leggings com padrão. É nesta ambiguidade que reside toda a minha tesão mental por alguém, é disto que preciso. Também tem que me fazer rir, sendo que eu apesar de ser de riso fácil sou de uma gargalhada durissíma, que exige trabalho, devoção e lá está, inteligência. Sarcasmo e ironia são também um requisito ou não vai perceber metade das coisas que digo no meu dia-a-dia.
Para que eu sinta o corpo a tiritar por alguém preciso de ele me deixe o cérebro molhado, com tremeliques e achaques de calores. Ele tem que me dar trabalho, tem que ter qualquer coisa de estranho e tenho que adorar essa estranheza nele pois pessoas muito normais assustam-me. Ninguém é completamente normal e, se o aparentar (somente aparentar), é porque algo de muito errado se passa dentro portas e o mais certo é que eu ao fim de algum tempo tenha que sair a correr muito depressa ou vou-me magoar.
Gosto de conversas parvas na mesma medida que gosto de conversas filosóficas e eruditas em que durante horas debatemos qualquer coisa sem chegarmos a conclusão nenhuma. Ainda que a atracção comece no olhar se o que está dentro da cabeça não acompanhar, eu desisto, perco o interesse e por mais bonito que seja, torna-se mais um igual a tantos outros. Eu deixo-me conquistar por palavras diferentes, um raciocínio rápido e o dom de compreender os meus trocadilhos pois do mesmo jeito que eu preciso que ele me faça rir, ele tem que se rir comigo, tem que entender, achar hilariante e a coisa mais engraçada depois dos Monty Python. Tem que ser algo louco e desvairado, com pouca vergonha e muito bom humor. E o homem que tocar no meu ponto G cerebral, tem acesso aos outros pontos todos.
Liz