sábado, 5 de janeiro de 2013

Blood, sweat and tears

Ainda não fui capaz de fazer o resumo de 2012 e acho que até já vou com algum atraso...
Sempre tive este ritual, meditar o meu ano, escreve-lo, pensar onde estive bem e onde estive mal e o que não posso voltar a repetir. Assim sendo:

Janeiro - Passagem de ano meio estranha, mas não foi de todo má. Ele estava em mais uma "daquelas suas fases" e eu ali....a tentar navegar um cargueiro pelo Atlântico Norte com o uso de dois remos de madeira. O mestrado estava a dar trabalho e eu sem trabalho. Desejei que a sorte me sorrisse neste novo ano que entrava e que pelo menos a situação laboral melhorasse pois os amigos e a família estavam bem e o amor, também (mal tu sabias Liz...mal tu sabias)

Fevereiro - Fim das férias retorno ao mestrado e a pergunta constante de porque raio estava eu naquele mestrado, visto sentir-me la tão bem e tão à vontade como um bife dentro de um aquário com piranhas. Ele já se estava a deixar dos seus achaques e momentos diva e tudo se parecia encaminhar. Iríamos morar juntos até ao Verão e eu continuava à procura de emprego. Surge uma possibilidade...será?

Março - Mais uma vez a minha estabilidade vai para o espaço sideral  Ele teve uma proposta para ir para fora do país e está a pensar seriamente nesse assunto. Aquilo que lhe propõe soa a ouro e mel numa época em que metade do mundo está sem trabalho e a outra a tentar agarrar o que tem, e eu, nunca lhe poderia dizer que não. Apoiei, incentivei, ajudei, organizei e agarrei-me às palavras que diziam "eu não vou sem ti. Não vou aguentar". Dia 26 chegou e tu foste-te...

Abril - Abril até foi giro. Entre correrias com o mestrado, a perspectiva de um trabalho que por enquanto era dinheiro, a 1ª visita ao namorado logo ao fim de um mês e a Liz que perde o avião na volta.....Ah! As vezes acontece-me isto....aquilo que costuma ser um cérebro que ate funciona relativamente bem é substituído por um grande amontoado de alpista ou serradura e eu....perco aviões. Soube bem vê- lo mas sei que fui cedo demais.....

Maio - O drama, o horror e a tragedia! o Fim do ano lectivo aproxima-se e eu num completo caos de trabalho cujos títulos lia e relia e só compreendia isto:

"Sabendo que a distancia da Terra à Lua pode ser medida em azul, indique a idade da Joana quando o gato fez miau"
Tinha trabalho, o que já animava, mas queria deixa-lo o mais depressa possível por algo que realmente valesse a pena.

Junho- Marrar, escrever, chorar e comer e dormir quando calhava. Ele vinha cá ao fim de 3 meses e guess what?!

"Desculpa mas...estou confuso. Estou a viver algo muito bom aqui sozinho, pela primeira vez não tenho regras nem horários e isso sabe-me bem. Não quero que venhas para cá" 1st round 

Ainda assim...esperei-o no aeroporto e estive com ele esse fim de semana. Ele foi-se embora, mudou de ideias e a vida continua...

Julho- Exames feitos, sensação de alivio transcendente, trabalho...ainda o mesmo. Ia visita-lo pela 2ª vez e esperava que desta corresse melhor. Seriam 10 dias que iriam servir para ver como seria "morarmos" juntos (ai inocência ..). Foram os melhores 10 dias que passamos juntos em muitos meses. Eu não trabalhava mas depressa arranjei como me entreter numa cidade fria, minúscula e onde a todo o lado se vai a pé. Chega a véspera de ir embora e eu, como seria lógico, pergunto para quando combinamos a minha chegada. Resposta:

"Não estou preparado para isto. Estes dias foram óptimos mas sinto não estar preparado para isto. Tenho muito trabalho, trabalho a mais e sei como sou quando tenho muito trabalho. Mas continuo a querer estar cntg!" 2nd round
De coração partido em mil pedaços meto a viola no saco e venho embora na manha seguinte. Ah! Como foi essa noite!? Maravilhosa, com jantar e musica ao vivo. Voltar para casa e fazer um esforço imenso para não chorar..

Agosto- O melhor mês do ano todo! Gandaia e mais gandaia, sei que dormi 1 fim de semana em casa. Não quis pensar em toda a situação mas também não quis reagir e a minha desgraça foi essa. Mês de alivio e sem dores de maior, para variar um bocadinho. E desisti do mestrado. Se fiz mal? Provavelmente mas agora também não vale a pena pensar nisso...um dia voltarei.

Setembro- Sem mestrado, sem um trabalho de jeito e ele chega para 15 dias. Vem felicíssimo  Está animado e agora diz que afinal me quer la, que trabalho não é tudo (isto foi uma semana depois de ter dito o contrario..). Passamos umas boas ferias juntos mas havia qualquer coisa que já não estava bem..uma falta de habito, um desconforto..um coração magoado há muito pouco tempo? Não sei....

Outubro- Mês de caca. Más noticias... péssimas e o meu aniversario estragado. Um sentimento de tristeza na família toda e eu a sentir-me de mãos e pés atados. Recebi um presente dele e apesar de ter gostado muito...um ramo de rosas vermelhas entregues à minha porta logo pela manhã tinham feito o meu dia. Não foi dia de anos, foi um dia como outro qualquer. Vale-me o pensamento de que para o ano há mais.

Novembro- Nothing interesting to report.

Dezembro - Ah Dezembro......aqui a coisa ganhou toda uma nova dimensão! Eu trabalhando e bem disposta, com o espírito natalício a apoderar-se da minha pessoa e eis que....adivinhem quem do nada volta a dizer as palavrinhas mágicas!?

"Desculpa, não me sinto bem, não me sinto bom namorado nem bem contigo. Não estou preparado para isto e tu, tens que olhar por ti e pela tua vida" 3rd round

Desta vez não dá mais. Se isto não bastasse os comportamentos posteriores foram simplesmente vergonhosos para um homem do tamanho dele e fizeram-me perder qualquer respeito pelo sua pessoa! Mas eu afasto-me, tento, quero.me afastar e Ele não deixa. Não diz que me ama, não diz que sente a minha falta, não quer estar comigo nem me procura....mas não me deixa.

Lendo isto só penso pensar duas coisas:
-Merecia uma surra de cinto pela forma como deixei levar 2012;
-Será que o ano foi assim tão mau....ou eu é que o fiz mau?!

Sinto-me genuinamente mal e envergonhada comigo pois eu não sou esta pessoa, eu não sou assim. Sempre me orgulhei da minha espinha dorsal e estas posturas, esta inércia...que vergonha Liz. Que vergonha..
Será que em 2013 me redimo?

Liz

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Quiet people have the loudest minds

Querido Blog,

Sinto que devemos ter esta conversa. Sei que nem sempre tenho estado presente e que te tenho negligenciando em prol de outras coisas. Desculpa, não foi por mal, simplesmente estava em demasiados sítios ao mesmo tempo para conseguir estar só aqui. A partir de agora vais começar a ver-me com uma maior e melhorada assiduidade e só te peço que não estranhes nem temas que te volte a "abandonar".
O porquê desde regresso da filha pródiga? Bom......digamos que a coisa por estes lados não está boa. Preciso falar, verbalizar tudo o que penso e sinto, uma e outra vez até sentir....que já não sinto nada. Nunca fui boa a falar, nunca soube bem o que dizer e sempre me assumi publicamente como Liz aka O Bicho do Mato. Não te assustes  Tenho capacidades suficientes para a vida em sociedade e não te escrevo de uma ermida no meio do monte! Só que escrever....faz bem ao corpo e à mente. Escrever é eternizar o que a cabeça pensa e o que a boca não consegue dizer. Escrever, para mim, é a minha terapia da fala. 
Sobre o que vou escrever? Não sei bem. Tudo e nada, o que devo e o que se calhar não devo, mas acima de tudo, o que preciso dizer e não consigo.....pois a pessoa a quem o quero dizer perdeu o direito vital a merecer ouvir o que eu penso. Porquê? Eu depois conto..
Só te peço paciência  calma (muuuuita calma) e que me oiças, ou leias, tu é que decides. Deixo ao teu critério a "qualidade" do que aqui vai ser publicado, visto não procurar público ou um contrato com uma editora, nem pretendo fazer do meu blog um Diário da Tua Ausência em que exponho diariamente o quão coitadinha, sofridinha e magoadinha estou! 

"I´m a "guy" and "guys" don´t cry....well, sometimes they do" 

Não acreditando eu em psicólogos,  psiquiatras  e outros que tais(mas respeitando a profissão e entendendo a falta que eles fazem numa sociedade a morrer por dentro), farei de ti a minha terapia, escreverei aqui tudo o que quero ler daqui a alguns anos, pois o meu único objectivo é ver o quão na fossa estou e o quão bem fiquei, ver que nada é mau para sempre e que por mais que doa eu me levanto, e levanto, e levanto...

Morta por dentro. Mas de pé, como as árvores 


Liz

Really?...1#

Faz hoje um mês desde o meu último post, aquele em que falava do primeiro AMOR. Em que o descrevia como  a coisa mais espectacular e que meu deu momentos em que me senti a desencarnar. Desde esse post, e para não fugir àquilo que tem sido a minha realidade durante este ano, a minha vida mudou toda de pernas, braços, nariz e cabelos para o ar. 
Neste último mês comecei a ter aquilo que julgava ser o renascimento da Liz deprimida, magoada, instável e com um pezinho no desespero que fui durante 2012. Andava animada, com os meus dois trabalhos e a perspectiva de rendimentos mais avultados. Estávamos às portas do Natal, época do ano que me deixa uma tótó completa e que por norma me transmite uma sensação de felicidade e "calor que vem de dentro" imensa, e Ele ia chegar dali a uns dias do seu exílio mais ou menos forçado, mais ou menos difícil.  Pela primeira vez em 3 meses iria estar com Ele, abraça-lo, cheira-lo, beija-lo (e outros que tais) e íamos ter aqueles momentos só nossos , aqueles momentos ridículos e completamente vergonhosos, mas que fizeram com que o meu coração batesse mais forte durante 3 anos. Estava num êxtase ridículo e aproveitando a época natalícia, all I wanted for X-mas was you. E foi a única coisa que não tive. 
Andávamos bem, meio acelerados mas não discutíamos e as coisas pareciam caminhar a passos largos para a concretização do que andava a ser planeado (e des-planeado) há já 9 meses. Tinha o teu presente comprado (aquele que me pedis-te especificamente com direito a foto e descrição física da coisa) e estava tão ou mais entusiasmada do que tu com o momento em que to daria. Fui-te buscar ao aeroporto como sempre e a espera de uns ridículos 20 minutos parecia sem fim! E tu apareces-te....como sempre, de t-shirt e meio encalorado da correria entre avião, malas e cartões e, imediatamente, levantas-te a cabeça a minha procura. Eu fiz o mesmo e quando nos vimos, corri. Corri meia aos saltinhos pois o aeroporto estava um completo caos e eu tinha que me desviar de gente tão ansiosa como eu. Saltei-te ao pescoço e fiz o de sempre: cheirei-o com os olhos fechados e beijei-o. 
Passaram-se 3 meses e estavas finalmente ali, tinha-te finalmente nos meus braços e era uma sensação espectacular! Aquela sensação de quando chegamos a casa ao fim de um dia de cão e o jantar já está feito, ou quando tomamos um banho quente que nos permite voltar a sentir os pés, ou ainda, a materialização de algo tão bom, tão maior que nós e que nos aquece o peito de tal forma que nos faz dizer baixinho....chegas-te. 
Depois disto? Depois disto o 6º sentido liga-se e todo o Universo parece trabalhar para que no fim do processo o teu "grilo falante" te diga ao ouvido...eu avisei-te. 

Liz