Quem já amou?
Não me refiro às borboletas no estômago ou a vontade louca e incontrolável de estar junto, de beijar, de abraçar, de cheirar. Não. Falo de AMOR. Falo daquele sentimento que quase tudo suporta, que quase tudo desculpa e , acima de tudo, que quase tudo expressa pelo outro. Já muitos tentaram escreve-lo e passa-lo a palavras, já se editaram verdadeiras obras literárias (quem não conhece o poema do Genialissímo Camões?) e não serei eu a defini- lo com este post...quem sou eu para definir o AMOR?
Em primeiro lugar, porque escrevo sempre AMOR com letras maiúsculas? Porque para mim AMOR é um sentimento nobre, dos mais nobres que se pode nutrir por outro ser humano ou animal. À minha "definição" de AMOR irei aplicar aquilo que sei graças ao que vivo/vivi.
Para mim o primeiro amor não tem que ser a primeira paixão da adolescência, não tem que ser uma relação nova, nem tem que ser algo louco e fugaz que nos consome. O meu primeiro amor não foi assim....O meu primeiro AMOR foi em 2ª mão quando eu dali já não esperava nada e tornou-se num "tudo" a que agora irei para sempre associar o que é estar em relação. O meu primeiro AMOR foi louco também, foi quente, foi tresloucado e levou-me (por vezes ainda leva..) a partes de mim que não sabia que tinha....quer sejam elas boas ou más. O meu primeiro AMOR ensinou-me muita coisa e todos os dias aprendo algo novo, algo como o nunca dizer "eu nunca permitiria!". Atenção...não sou, nem fui nem me deixarei ser uma vitima de violência doméstica....falo de clichés que vemos nas relações das amigas que nos fazem gritar bem alto "que dessa água não beberei".
O meu primeiro AMOR ensinou-me, acima de tudo, a AMAR. O primeiro AMOR é aquele a que nós associamos os primeiros "tudos" e os primeiros "nadas". É aquele local onde fomos pela primeira vez de mão dada com alguém ou a primeira experiência física (ou metafísica) partilhada com AQUELA PESSOA. No primeiro AMOR tudo é exagerado, tudo dói muito ou faz muito feliz, tudo é "a melhor coisa que já me aconteceu" ou "eu não vou sobreviver a isto"; O primeiro AMOR tem borboletas e suspiros mas esta ainda é a fase da paixão, em que a outra pessoa não tem defeitos, nem nós! Esta é a fase em que mostramos às amigas as mensagens que o ser AMADO nos envia pela manhã e que nos deixam com um sorrisinho aparvalhado para o resto.....do mês!! É a fase em que o sol nasce e se põe naquele ser humano que nos foi enviado pelos deuses para nos fazer a miúda mais feliz na face da Terra! Esta fase temos muitas, tantas, tantas vezes....o que custa, da trabalho, é sobreviver ao pós-paixão. Se sobrevivermos...é porque algo parecido com AMOR está a crescer...
No pós-paixão começa a aparecer o papão de todas as relações: a rotina. A rotina tem que ser doseada quase como os pesticidas. Um pouco só faz bem, é normal, dá segurança e ajuda a estabelecer padrões no casal que mais tarde ajudam à construção de algo mais. Mas em demasia os efeitos são os mesmos dos pesticidas: mata tudo, as ervas daninhas e as plantas para consumo. Quem consegue regular a rotina entra então no 3º estádio da relação: o aprofundamento.
Aqui começamos a conhecer o outro , e vice-versa, quase como a nós mesmos. Sabemos do que gosta e como, sabemos o que o tira do sério e o que o faz muito feliz. Sabemos onde ir, o que fazer e sentimos-nos aceites nesta "coisa" a 2. Sentimos que aquele peito é o melhor lugar para dormir e que aquele gajo nos vai tirar do sério. Sentimos vontade de chorar e de rir e de tudo e mais alguma coisa mas não com a mesma intensidade da paixão. Nesta fase, olhamos para ele em fato de treino ou pijama a comer torradas na cama e a beber o café com leite daquilo que parece uma aquário e pensamos...AMO-O.
Estamos naquela fase em que...ele e o que construímos com ele se torna o exemplo que damos às amigas quando as relações delas não estão bem.Até que tudo muda, a tua realidade é virada de pernas para o ar e tudo o que conhecias como relação, foi-se! É neste momento que ficas no meio da ponte e pensas: ou vou em frente e luto por isto ou baixo as armas e desisto.
Quando as coisas se foram e tu continuas com ele....é porque o AMAS. É porque apesar de todas as condicionantes todos os "nãos" todos os "não vale a pena" e todo o Cansaço que se acumulou em ti e na relação....tu continuas. E nem sabes bem porquê , pois tudo está errado, tudo corre mal, tas farta, dás por ti a ter atitudes que não tinhas, a apontar dedos e a dizer palavras que nunca pensas-te dizer. Será estupidez, para quê ficar!? Falta de amor próprio? Não... AMOR a mais dentro do peito.
O primeiro AMOR faz destas coisas, da o céu para tirar o chão e ainda assim, dure ou não este amor, será sempre a ele que iremos associar algumas das nossas memórias mais puras e belas....é a nossa bolha de sabão, a nossa efémera! É o nosso PRIMEIRO AMOR, é nosso, pessoal e intransmissível e quase como uma tatuagem, atravessar-nos-à o coração para sempre.
Citando Miguel Esteves Cardoso...como se esquece alguém que se ama?