sábado, 1 de junho de 2013

Dia da Canalha

Quem conhece o palavreado do norte do país conhece a expressão "canalha" e sabe que ela se refere aos petizes, putos, miúdos, crianças e não a gente de má índole que faz maldades aos outros. Eu como gosto de ser diferente, não tenho para mim que hoje é dia da criança mas dia da canalha pois criança que é criança comporta-se como a canalha se comporta , ou seja, não se comporta.

Hoje é dia de narizinhos ranhosos, rabos cagados, mãos porcas e cabelos cobertos com substâncias colantes não identificadas. É também dia das birras em sítios públicos, dos vomitados na roupa boa que foi comprada para a festa, de joelhos esfolados e de tirar macacos do nariz com tamanha convicção que um dedo não chega, vai mesmo a mão toda nariz acima. É dia das batalhas estóicas em que os pais embarcam para convencer o miúdo a comer a sopa ou dos passeios de carro à volta do quarteirão às tantas da madrugada pois é a única forma da peste adormecer. É dia de noites mal dormidas e do fim das saídas e planos depois do jantar pois "alguém" tem que estar na cama até às 21h. É dia de fugir da mãe em concentrações tipo pic-nic do Continente e de arruinar a vida sexual dos progenitores destruindo todo e qualquer mood ou disposição para o fandango de papai e mamãe, assegurando assim, ser o último da sua espécie e a herança. 

Contudo, sei que é também dia do "cheiro a recém-nascido" (procurem um e cheirem-no compulsivamente!!) e de pegar ao colo aquele pedaço de carne e ossos frágil e indefeso. É dia de risinhos malandros, de pés pequeninos e gordos e de preguinhas pelo corpo todo. É dia de tótós e jardineiras e de dói-dóis nos joelhos. É dia de abraços recebidos à volta do pescoço pois os braços não dão para mais e é dia de beijos lambusados e colantes que nos deixam as bochechas nojentas mas completamente babados por dentro. É dia de desenhos e rabiscos onde nos vemos personificados aos olhos daquele pedaço de gente e é dia das respostas tortas mas sinceras que só eles têm coragem para dar. É dia de um "goto de ti" e do "mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee" ouvido a cada 5 minutos. É dia de ter alguém pequenito a dormir-nos no colo e de ser acordado aos saltos por quem tem demasiada energia para as horas que são. 

E a canalha é isto.....se são muitos calmos é porque têm algum problema e se são demasiado mexidos damos-lhes medicamentos. Eles são bons e maus, certos e errados, yin e yang. São a subida aos céus e um pé nos infernos mas, acima de tudo, continuam mesmo a ser a melhor coisa do mundo. Feliz dia da Canalha.


(Imagem retirada da internet)

Liz

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Pérolas da Liz #9

E há quanto tempo não escrevia eu sobre as minhas pérolas hein?! Confessem, já desesperavam com a ansiedade de saberem o que usa a amiga Liz para os seus cuidados e mimos. O produto de hoje foi a minha salvação há dois Verões atrás em que eu estive no limiar de fazer um peeling corporal completo graças a um escaldão só comparável a uma descida aos infernos. Contudo, sei que vir para aqui falar de produtos de protecção/cuidado solar é quase uma ofensa mas tenho fé que algures este ano tenhamos uma semana dessa época estival tão amada por nós. Posto isto, preparai-vos para encontrarem o verdadeiro salva-vidas da vossa preciosa cútis.

Presenting:

Disoderme Gel 



(imagem retirada da Internet)

Meus caros e minhas caras se isto não é um frasco cheio com duendes e fadas da reparação cutânea então não sei de que é feito! Mentira, sei sim e trata-se de uma fórmula à base de aloe vera e glicerina que faz milagres numa pele maltratada pelo sol, ou mesmo nas queimaduras caseiras e nas picadas de mosquito. Eu descobri este gel já em total desespero pois durante dois dias a única roupa que conseguia utilizar era roupa 100% algodão e nada justo. Dormir era um martírio e a minha única ajuda era uma daquelas placas térmicas gelada em contacto com o peito, que era a zona mais maltratada. Até que um dia saí de casa em total desespero à procura da primeira farmácia, bruxa ou curandeiro (fiquei-me pela farmácia) e o senhor recomendou-me o Disoderme, que era milagroso e assim o melhor produto de toda a Galáxia e que só ele salvaria a honra do convento. Bom....besuntei-me nisto ao ponto de ficar com uma camada de gel verde espalhado pelo corpo e garanto que foi a primeira noite que dormir bem em 3 dias. Na manhã seguinte ainda estava muito vermelha mas a sensação de queimadura estava muito mais ténue e depois de dois dias de uso, comece a descamar mas a pele por baixo estava saudável. 

O preço? Por 150 ml ronda os 10,80€ o que pode parecer muito para tão pouco produto mas meus caros, eu vos garanto com a ajuda de todos os meus Santos e entidades divinas, que em caso de emergência isto é mesmo a única coisa que vos vai valer. Sem dúvida, a minha mais valiosa descoberta. Mais infos aqui.

Liz

Inquérito Online #4

É possível manter uma amizade no fim de um relacionamento?

Sei que os factores e as condicionantes são mais que muitas, sei que por norma há sempre um que sai magoado, muito magoado, e há sempre um que segue com a sua vida primeiro. Contudo, será possível manter uma amizade com alguém que um dia amámos? Estar perto dessa pessoa, sem o/a abraçar, beijar, dar algum tipo de carinho e isso ser tido como normal? Também não apoio o "cuspir no prato onde se comeu", andar por aí a falar raios e curiscos de alguém que já nos foi tudo mas, amizade? Quando há uma história imensa por trás. Sei que é possível, conheço N casos mas as opiniões nunca são demais..

Liz

Velha dum raio!

É a segunda tarde seguida que me sento para "o almoço assentar bem" e fico a dormir durante uma hora e meia. Preciso de um emprego ou daqui a nada dou por mim a fazer malha, a ir para o jardim jogar às cartas e a pedir para ir ao programa do gordo. Valha-me o 19 no primeiro teste de Alemão....



Liz

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Para que não restem dúvidas

Se algum dia se perguntaram como terá a puberdade actuado na minha pessoa deixo-vos com esta foto


Obrigada pai e mãe...eu sabia que na altura certa o vosso amor por mim viria ao de cima :)

Liz

Sonho Americano Versão Portuguesa

Tony Carreira: nascido na Beira, partiu para Paris com 10 anos, trabalhou numa salsicharia e é neste momento o artista português que mais massas e capital faz movimentar. Se o oiço ou aprecio profissionalmente? Não, de todo, contudo sei reconhecer o valor a quem o tem e este senhor tem. Vamos por partes.

Que Portugal é um país de emigrantes e que cada vez somos mais os que se vão embora já não é novidade nenhuma, contudo, não podemos nunca comparar a vaga de imigração que ocorreu nos anos 50/60 com a vaga de emigração do momento. Há 40 anos atrás partiam "a solto", serra acima e serra abaixo, chegavam a  Espanha e, com sorte, estava um intermediário à sua espera. Não falavam a língua do país para onde partiam e muitos não sabiam ler nem escrever. Deixavam a mulher, os filhos pequenos e a vida que sempre conheceram para tentar a sorte lá fora. França foi a Meca de milhares de portugueses que "optaram" (como se tivessem opção..) seguir por este caminho. Ora, com esta introdução e conhecendo os mínimos da história de António Manuel Mateus Antunes, nascido na Pampilhosa da Serra e pobre como só os pobres são, é normal que para muitos ele se tenha tornado a materialização do sonho americano à portuguesa : acabou de se criar em Paris, juntou uns tostões a trabalhar como salsicheiro e teve a sorte de em 1988 ter sido seleccionado por um produtor francês para gravar duas canções. Nascia a "lenda" da música ligeira portuguesa.

Se tem um grande talento ou ou grande figura? Para mim não, ouve-se, as suas músicas são aquilo que considero como orelhudas e, acima de tudo, tem a seu lado uma equipa de luxo ao nível de uma qualquer super estrela internacional e uma mulher que lhe assegurou a "criação" dos meninos. Sei que há boatos de ele ser um vadio de primeira, que há muita profissional do sexo que já alinhou em grandes fandangos e que a própria Fernanda Carreira sabe disso. Se me interessa? Sim, tanto como a reprodução assexuada dos caracóis e não é disso que vou aqui falar. 

A meu ver, o maior azar do Tony foi ter nascido português pois fosse ele espanhol e era o Julio Iglesias ou americano e era um Tom Jones (sem aquele vozeirão e a pelúcia sensual). E este é o maior azar do Tony e da maioria dos talentos portugueses, pois infelizmente, fomos lavados cerebralmente para só gostar do que vem de fora, lá do estrangeiro. Em Paris já encheu dezenas de vezes o Olympia, tem duetos com artistas considerados "conceituados" e tem um álbum todo acompanhado pela Orquesta Sinfónica de Paris. Cá, não encontrei informação de alguma vez ter feito um dueto com qualquer artista português pois é piroso, cliché, emigrante. Ainda assim, para muita gente ele mostra o que um português no estrangeiro consegue, passando de um menino meio aparvalhado mas que gostava de ouvir os discos do pai para uma estrela da música ligeira. E é isto que eu retiro da personagem Tony Carreira e é por isto que eu considero que, por mais mulheres loucas na menopausa a gritar por ele, por mais canções com letras como "se me vais deixar, leva-me contigo" ele escreva, vai ser sempre alguém que tem o seu mérito e o seu valor e ao qual o Portugal onde nasceu só vai dar valor quando for fazer "torrões" para debaixo da terra. 

Agora vamos lá ver quantos seguidores perco....


Liz

terça-feira, 28 de maio de 2013

Almost Lover



Perfeita....simplesmente .

Liz

Who Knew?


Esta já é velhinha mas remete-me uma e outra vez para um momento especial para mim. A artista escreveu-a para um amigo que morreu com uma overdose, o que não a podia deixar ainda mais perfeita. E eu que me quis convencer que estavam todos errados, que todos eram loucos e maus e descompensados e que eu e tu estávamos certos. Merda, eles tinham razão.

Liz

Killing me Soflty #25

Tenho uma pessoa que me tem feito alguns elogios, uns bem discretos outros demasiado descarados mas que, va lá sejamos sinceros, me têm feito maravilhas ao ego. E há pouco ouvi isto

"Tu és uma mulher bem difícil de ler....talvez seja isso que te torna uma mulher tão interessante. Tão diferente das outras"

Agora se me são licença vou só ali buscar o meu Ego que o gajo basou para outra galáxia e anda no meio da rua em pelota a dançar o corridinho algarvio.

Liz

Papel e lápis

Existe uma obsessão comum a todos os que gostam de escrever: a maneira como o fazem. Todos nós, "escritores", temos os nossos pormenores e idiossincrasias e as clássicas paranóias. Há escritores que só escrevem com uma determinada caneta, de uma determinada cor e se esta lhes falha, sentem-se totalmente incapazes de escrever. Há quem só escreva em cadernos e blocos de notas e quem só se sinta inspirado numa determinada mesinha de café, ou no transporte público a caminho de casa enquanto observa quem por si passa. Mas todos nós, temos, de certeza, o nosso "ritual de escrita", aquele momento em que a inspiração toma conta de nós.

Eu só escrevo bem de noite, sozinha no meu quarto com um candeeiro de luz morna em cima da secretária. Todos os textos diurnos parecem vazios de qualquer coisa que me faça sentir a vontade de os publicar e no dia-a-dia faço-me sempre acompanhar de um pequeno caderno pautado, de capa castanha que fecha como se fosse um envelope e da sua caneta de tinta permanente. Só aquela caneta tem o direito de escrever naquele bloco e porquê? Porque o som que ela faz ao arrastar a sua ponta pelo papel é simplesmente delicioso, poético, incentiva à escrita de uma e outra página. E o cheiro a tinta fresca que as esferográficas não conseguem igualar ou mesmo, em último caso, os dedos borrados com tinta. Na faculdade, todos os meus apontamentos foram manuais e foi isso que me salvou de chumbar às cadeiras. Foi também esse facto que fez com que ainda hoje circulem pela Faculdade de Letras apontamentos meus. 

Escrever para quem gosta de escrever não é um esforço mas uma necessidade, quase tão vital como respirar ou tão inata como pestanetjar. Esta coisa de brincar com palavras e sentidos, coisa belíssima, dom concedido ao ser Humano, a possibilidade de escrever "mulher" ou "jovem senhora", a paridade entre o que se sente e o que é escrito e, claro, a quase ausência do filtro que restringe o que se diz, mas que não tem lugar no que se escreve. A mim a escrita faz-me palpitar o coração, dá-me tremores e quase me põe a ansiolíticos. Sei que preciso disto mas sei também qual é o meu maior veneno, a minha kryptonite: a felicidade. Durante 3 anos não consegui escrever, era-me impossível, só saída porcaria e eu nunca consegui manter um blog durante os meus "tempos felizes". Agora, entre o tristonha e o desgosto, dou por mim a escrever coisas que, sem qualquer modéstia, assumo que são boas e isto assusta-me. Tenho medo que um dia a felicidade me tome de novo o meu néctar de ambrósia e eu fique de novo sem ter sobre o que escrever. Contudo, sinto ter um trunfo: agora sei o que é sofrer ao ponto de escrever bem e isto dá-me alento para que este meu vício de dedos não me abandone, seja apenas adormecido por uma felicidade gritante.

Liz

Shame

Todos nós sentimos vergonha de algo. Pode ser estúpido e fútil ou pode ser um segredo bem guardado, talvez uma situação feia. Todos nós gostamos também de realçar a vergonha no outro, apontamos o dedo, fazemos pouco daqueles momento, pois como se costuma dizer "pimenta nos olhos do outro para os meus é refresco". Se isto faz de nós más pessoas? Não, faz de nós aquilo que realmente somos, pessoas, seres tantas vezes mesquinhos e cheios de certezas que se dão ao luxo de trotear a vergonha alheia.

Há vergonhas pequeninas, tontas, apalhaçadas e das quais nós até gostamos de falar, como por exemplo, o facto de ficar corada quando recebo elogios. Corada não, o caso é mesmo toda uma afluência sanguínea às minhas bochechas. Pronto, esta é uma vergonha gira mas e aquelas vergonhas negras, escabrosas, cáusticas para o Eu e para o Tu? Dessas ninguém gosta de falar, não são bons temas de conversa, não arrancam aos outros sorrisos e sabemos, com toda a certeza, que se tivermos a audácia de um dia as partilharmos com alguém estamos sujeitos a um "eu não acredito". 

Do que tenho eu vergonha? De algumas coisas, da pessoa que em tempos bem longínquos fui, das inúmeras situações em que "me pus a jeito" para mais tarde sentir vergonha. Contudo, eu e as minhas vergonhas, já demos por nós várias vezes a ser os fiéis depositários de várias vergonhas alheias, daquelas, das feias, que nos deixam a pensar qual a nossa posição aos olhos do outro para ele ter visto em nós tamanha capacidade de ombros para suportarmos as suas vergonhas. Confesso que não me dá qualquer prazer saber dos dirty little secret´s dos outros mas deixa-me muito orgulhosa de mim mesma saber que sou um ser digno da confiança do outro, que aos olhos de alguém sou tão confiável/acolhedora/receptiva que tenho a honra de ser o seu ponto de desabafo. Há desabafos duros, que me doem mais a mim do que a quem os verbaliza mas, às vezes, penso se não se perdeu aqui uma "ouvidora profissional".

E vocês? Existe muita vergonha por esses lados?


(imagem retirada da internet)

Liz

A pedido de muitas famílias...

...ficam aqui as fotos do mega sensual actor porno da fruta. Atentai, que as mentes mais frágeis poderão não aguentar a pressão de ver uma "coisa" daquelas! Dei-lhe o nome de Alejandro



Sexy hein?

Liz

Baby Alert!

Chata este é para ti!

Lembras-te de andarmos a ver grávidas a saírem do meio de pedras da calçada, por todo e qualquer buraco e até pensávamos que as últimas mulheres não grávidas no mundo éramos nós? Pois atenta bem irmã....só hoje já tive dois "nascimentos" no meu facebook! Elas começaram a expulsá-los....

Liz

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Havemos de engordar juntos #1



Normalmente, toda a gente está demasiado preocupada em colocar a barra que diz "cliente seguinte", estão ansiosos, nervosos, têm medo que aquele que está à frente lhes leve os iogurtes, têm medo de pagar o fiambre daquele que está atrás. Enquanto não marcam essa divisão, não descansam. Depois, não descansam também, inventam outras maneiras de distrair-se. É por isso que poucos chegam a aperceber-se de que a verdadeira imagem do amor acontece na caixa do supermercado, naqueles minutos em que um está a pôr as compras no tapete rolante e, na outra ponta, o outro está a guardá-las nos sacos.

As canções e os poemas ignoram isto. Repetem campos, montanhas, praias, falésias, jardins, love, love, love, mas esse momento específico, na caixa do supermercado, tão justo e tão certo, é ignorado ostensivamente por todos os cantores e poetas românticos do mundo. Bem sei que há a crueza das lâmpadas fluorescentes, há o barulho das caixas registadoras, pim-pim-pim, há o barulho das moedas a caírem nas gavetas de plástico, há a musiquinha e os altifalantes: responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12, responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12; mas tudo isso, à volta, num plano secundário, só deveria servir para elevar mais ainda a grandeza nuclear desse momento.

É muito fácil confundir o banal com o precioso quando surgem simultâneos e quase sobrepostos. Essa é uma das mil razões que confirma a necessidade da experiência. Viver é muito diferente de ver viver. Ou seja, quando se está ao longe e se vê um casal na caixa do supermercado a dividir tarefas, há a possibilidade de se ser snob, crítico literário; quando se é parte desse casal, essa possibilidade não existe. Pelas mãos passam-nos as compras que escolhemos uma a uma e os instantes futuros que imaginámos durante essa escolha: quando estivermos a jantar, a tomar o pequeno-almoço, quando estivermos a pôr roupa suja na máquina, quando a outra pessoa estiver a lavar os dentes ou quando estivermos a lavar os dentes juntos, reflectidos pelo mesmo espelho, com a boca cheia de pasta de dentes, a comunicar por palavras de sílabas imperfeitas, como se tivéssemos uma deficiência na fala.

Ter alguém que saiba o pin do nosso cartão multibanco é um descanso na alma. Essa tranquilidade faz falta, abranda a velocidade do tempo para o nosso ritmo pessoal. É incompreensível que ninguém a cante.

As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.

Havemos de engordar juntos.

Estas situações de amor tornam-se claras, quase evidentes, depois de serem perdidas. Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é atravessar sozinho os corredores do supermercado: um pão, um pacote de leite, uma embalagem de comida para aquecer no micro-ondas. Não é preciso carro ou cesto, não se justifica, carregam-se as compras nos braços. Depois, como não há vontade de voltar para a casa onde ninguém espera, procura-se durante muito tempo qualquer coisa que não se sabe o que é. Pelo caminho, vai-se comprando e chega-se à fila da caixa a equilibrar uma torre de formas aleatórias.

Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é estar sozinho no sofá a mudar constantemente de canal, a ver cenas soltas de séries e filmes e, logo a seguir, a mudar de canal por não ter com quem comentá-las. Ou, pior ainda, é andar ao frio, atravessar a chuva, apenas porque se quer fugir daquele sofá.

E os amigos, quando sabem, não se surpreendem. Reagem como se soubessem desde sempre que tudo ia acabar assim. Ofendem a nossa memória.

Nós acreditávamos.

Havemos de engordar juntos, esse era o nosso sonho. Há alguns anos, depois de perder um sonho assim, pensaria que me restava continuar magro. Agora, neste tempo, acredito que me resta engordar sozinho.

José Luís Peixoto, in revista Visão (Janeiro, 2012)

Genes

Todos nós nos identificamos um pouco com a nossa família, quer pelas coisas boas que "herdamos" como pelos "defeitos do teu pai" ou o "mau feitio da tua mãe". Todos nós vemos em nós pequenos sinais e semelhanças com o paizinho ou a mãezinha que nos dão a certeza de não termos sido adoptados ou roubados a um casal rico com 5 iates e 3 mansões (com muita pena minha..) e o mais engraçado é que ,muitas vezes, as pessoas com quem partilhamos uma mão cheia de genes depositam em nós toda a porcaria que encontram no outro. No meu caso e segundo a minha mãe, sou uma gandim como o meu pai que gosta de sair de casa sem dar contas a ninguém e, segundo o meu pai, eu sou tão casmurra e teimosa como a senhora minha mãe. Contudo, nada nos alerta mais para o facto de sermos realmente filhos daquelas duas pessoas do que duas situações assim:

- O descobrir de algumas fotos do nosso pai de quando "andava na guerra" em Moçambique vestido de cowboy, com os dedos a fazer de pistolas e com uma cara que me remete para umas onomatopeias do tipo "pew pew".

-Quando chegamos a casa e temos em cima do computador um boneco feito com uma casca de laranja, onde aquela "coisa branca" que sai do meio da laranja foi propositadamente mantida, ou o boneco teria sido castrado. Ao confrontarmos a feitora de tal pornografia da fruta, vemos que esta se ri a bandeiras despregadas dizendo "Vês! Até tem pilinha!".

Eu até posso ser mais parecida com um do que com o outro, mas na estupidez, saio claramente aos dois.


Liz

Giane

Há um actor brasileiro que mexe com os meus cordelinhos, me deixa descompensada e rosada e me faz imaginar os filhos lindíssimos que teríamos. Este mesmo actor ensinou-me que a beleza exterior muito pouco interessa ao viver uma relação de mais de uma década com Marília Gabriela a quem, mesmo já não estando juntos, continua a dizer que é o amor da sua vida. Este senhor, com a mais perfeita estrutura óssea que já vi na minha vida, é um bacana, um paz de alma e com 40 anos e depois de passar por um cancro, diz que ainda se sente mais bonito. E cá para mim, está mesmo.

O melhor? Está solteiro....e eu aqui cheia de amor para dar.



Liz

Exercício

Ultimamente, fora as fotocópias de alemão das quais cada vez gosto mais pois já percebo os "insultos linguísticos" que lá contêm, a minha bíblia de bolso chama-se Introdução à Escrita Criativa, de João de Mancelos. Comprei este livrinho pacato numa das reprografias da faculdade por um preço irrisório e decidi dar-lhe uma chance. A verdade é que, depois de anos arrumado numa gaveta cheia de tralha escolar, decido pegar nele e não o larguei mais pois está super bem escrito, com um palavreado acessível e claro e tem umas dicas fantásticas. Ao longo do livro, o autor coloca alguns exercício de escrita criativa ao dispor do leitor e o de hoje fala de um especialista de minas e armadilhas que têm que cortar o mítico frio azul ou vermelho, sabendo que se errar, explode com um hospital e cenas....vamos a isto. 

Cinco minutos. Deram-me cinco minutos e 20 anos de experiência, tem que chegar. Tenho cinco minutos para desmontar um engenho armadilhado, artesanal, mas demasiado bem feito para ser amador. Lembra-te...lembra-te do procedimento, o procedimento não falha e tu também não. Invólucro protector retirado, o corpo da bomba está agora exposto. Corpo, corpos, a única coisa que não pode existir hoje. Fios descarnados e já só tenho 3 minutos. Está calor. Não, não está. É Inverno. Nem fio azul nem vermelho, pretos, todos pretos. O procedimento, o que dizia? Dois minutos e eu não me lembro. Core detectado e dele saem dois fios, pretos. Um minuto e meio e todo um hospital nas minhas costas, maternidade, gente pequena, demasiado pequena, os meus dois filhos que não vejo há um mês. Um minuto e uma gota de suor escorre-me pela testa, nariz, cai. Pintados, tinta fraca, e um vermelho e um azul. Quarenta segundos, fios molhados e um que crepita. É este, corta, agora, é este, tem que ser este. Corta! 
Cortei. 


Liz

domingo, 26 de maio de 2013

Inquérito Online #3

Gente da blogosfera, felizes, infelizes, pobres ou benfiquistas digam-me uma coisa:

Depois de um grande desgosto amoroso, daqueles filho da mãe, doridos, que arruínam a honra do convento...é possível voltar a gostar de alguém com a mesma força ou ficamos de certa forma "estragados"?


É só isto.

Liz


Leão

O Leão...o Rei da Selva, o 5º signo zodíacal. Segundo a Wikipédia um Leão..

"O leão [feminino: leoa] (nome científico: Panthera leo) é uma espécie de mamífero carnívoro do género Panthera e da família Felidae. A espécie é actualmente encontrada na África subsaariana e na Ásia, com uma única população remanescente em perigo, no Parque Nacional da Floresta de Gir, Gujarat, Índia. Foi extinto na África do Norte e no Sudoeste Asiático em tempos históricos, e até oPleistoceno Superior, há cerca de 10 000 anos, era o mais difundido grande mamífero terrestre depois dos humanos, sendo encontrado na maior parte da África, em muito da Eurásia, da Europa Ocidental à Índia, e na América, do Yukon ao México. É uma dos quatro grandes felinos, com alguns machos excedendo 250 quilogramas em peso, sendo o segundo maior felino recente depois do tigre.
A pelagem é unicolor de coloração castanha, e os machos apresentam uma juba característica. Uma das características mais marcantes da espécie é a presença de um tufo de pelos pretos na cauda, que também possui uma espora. Habita preferencialmente as savanas e pastagens abertas, mas pode ser encontrado em regiões mais arbustivas. É um animal sociável que vive em grupos que consiste das leoas e suas crias, o macho dominante e alguns machos jovens que ainda não alcançaram a maturidade sexual. A dieta consiste principalmente de grandes ungulados e possuem hábitos noturnos e crepusculares, descansando e dormindo na maior parte do dia. Leões vivem por volta de 10-14 anos na natureza, enquanto em cativeiro eles podem viver por até 30 anos. Alguns animais desenvolveram o hábito de atacar e devorar humanos, ficando conhecidos como "devoradores de homens".

E segundo a astrologia...

 "O Leão, que pertence ao elemento fogo, é dominador, cintilante, autoritário, mas benevolente. Ardente nas suas paixões e supremo mestre na arte de amar, ele traduz bem a energia de um signo de fogo.
Não sabemos se o Leão é despótico. O que é certo é que ele se entrega profundamente às suas convicções. Acredita com entusiasmo nos seus sentimentos. Acredita que se pode dar à vida uma dimensão mais elevada.
A imagem de segurança e o estilo grandioso, características dos Leões, não lhes dá a facilidade de pedir.
A generosidade, a facilidade de se concentrar intensamente num fim em vista e, sobretudo, o fascínio por viver ou por ver os resultados dos seus investimentos, fazem do Leão um ser apaixonado.
Este ardente signo do Fogo não se compadece com pequenas medidas. Os Leões têm vocação para grandes desafios. O requinte e a qualidade desses desafios é-lhes particularmente cara.
Se você ama um Leão, prepare-se: vai ser bombardeado com atenções, presentes, jantares à luz da vela. Apaixonado, idealista, sincero, mas também ciumento, o nativo deste signo vive o romance com prazer e exuberância. Pronto para os maiores sacrifícios pela casa e pelos filhos, o Leão encara com dificuldade aqueles pequenos contratempos do quotidiano doméstico.
Perito na criação, no espectáculo, na arte, na capacidade de inflamar os outros para a acção, sobretudo quando não há outro personagem que lhe ensombre a imagem pessoal, o Leão pode realizar-se com sucesso através de um destacado cargo de chefia, numa profissão que exija requinte e selecção ou através da criatividade, no domínio das belas-artes ou da arte cénica"

Sapo Astral

Como puderam perceber trata-se de um elemento grandioso, faustoso, dado aos luxos e às grandezas, ao que a vida tem de bom. São feras no amor e na vida e, senhoras, sejam conquistadas por um Leão e preparem-se para se sentirem umas princesas (castelo, 45 criados, duas carruagens e 5 aias garantidas). Então agora digam-me como ficariam se o Leão que vos é posto à frente está assim

 Nature , 2nd prize stories , Xiaoqun Zheng
World Press Photo 2013
Vêm que o karma existe, que ele funciona, mas daí a ficarem felizes....vai uma grande distância. Bela merda de fim de semana.

Liz

Materialização

O karma existe. O karma existe e é das cenas mais poderosas e "overwhelming" por que podemos passar ou pela qual podemos ver os outros passar. O karma existe, é palpável e eu vi-o ontem à minha frente. 

Bom domingo.

Liz