As vezes penso se faço parte deste mundo, quer seja por aos 25 anos ainda ver desenhos animados ao domingo de manhã, por ter nas lides domésticas uma espécie de yoga, ou por não ter vergonha de dizer que tenho o sonho de casar. É que num mundo onde nada se manda arranjar porque o novo se compra já ali, num mundo em que a ideia de passar o resto da nossa vida do lado da mesma pessoa soa entediante e castrador, eu afirmo, sem medos ou embaraços, que um dia gostava de ser pedida em casamento, gostava de me casar e de ver uma aliança na mão esquerda e digo ainda que a palavra marido não me assusta ou apoquenta.
Porquê que eu me quero casar? Porque quero tentar construir aquilo que não tive, quero pelo menos tentar mostrar ao mundo que o casamento não dói mais do que namorar, que o casamento não é o único motivo de divórcio (vocês percebem...) e quero acima de tudo que um dia o meu homem me veja de um jeito tão seu e tão bonito que ganhe coragem e peça em casamento.
Se o vestido branco, a festarola que não é para os noivos mas para a família e o assinar de um papel me fazem falta!? Nenhuma! Os casamentos, e todos aqueles que já foram a um sabem disso, é um dia em que os convidados comem e bebem à grande e à francesa, a noiva arrasta um vestido maior que ela durante umas boas 16 horas, o noivo ouve bocas dos amigos a dizerem que foi para forca, as mães choram, os pais ficam com os copos juntos, os solteiros fazem olhinhos uns ao outros e, contas feitas, é um dia de festa em que os únicos que não têm tempo para realmente se divertirem são os noivos.
Apesar de todos estes contras, apesar de compreender a seriedade e a importância deste passo, eu continuo a dizer que um dia me quero casar e quero um homem que se queira casar, pois casarem-se comigo para me fazerem o jeito seria o favor mais caro que já me fizeram, pois o negócio não ia durar. Quero que seja uma vontade individual para depois se tornar uma coisa a dois, pois penso que só assim, só os dois acreditando que o casamento não é um bicho papão que destrói a felicidade do individuo conseguiremos fazer com que a coisa resulte.
Devo dizer que entendo a postura que a maioria dos jovens tem hoje com o casamento. A maioria de nós é filho de pais divorciados e crescemos numa casa em que se odiaram muitos anos até terem coragem de tomar aquele passo. Casar fica caro e andamos todos tesos. Divorciar fica ainda mais caro e ninguém anda para dividir televisões, sofás, cuecas e pacotes de leite. Para quê casar se já podemos dormir juntos sem que o pai dela me ameace de morte!? Os testes de ADN já deixam saber quem é o pai da criança e não tem que ser o marido a registá-lo(a) se tiver dúvidas. Quem casa descasa e o mundo tornou-se um local tão egoísta tão cheio de si mesmo, que ninguém está para aturar meias sujas no chão do SEU quarto nem cuequinhas a secar na torneira da SUA casa-de-banho. Portanto....para quê casar? Para mim a resposta é simples:
Para mostrar-mos ao mundo que somos tão loucos, tão felizes e nos amamos tanto que somos até capazes de ignorar tudo o que referi acima.
Por algum tempo desisti disto do casar, do ter marido, mas se o fiz foi porque a pessoa que tinha comigo encarava o casamento como uma prisão, um estorvo à sua individualidade e um peso na consciência na hora de "mijar fora do penico". E eu aceitei (e aceitava e aceitava e aceitava) e pus de lado o sonho de casar, ter uma coisa a dois, ter filhos e tentar ser feliz. Agora, mesmo com o coração despedaçado vejo que sim, que este é mesmo um dos meus sonhos e que se um dia tiver a possibilidade de o realizar, serei um pouco mais feliz.
Liz
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