....eu vou com ela.
Durante o dia comporto-me e importo-me como uma pessoa normal. Tenho o que fazer e quando não tenho, invento e como eu sou boa a inventar! Faço por ir mandando mensagens à A. que (como dela é tão característico me responde sempre prontamente e de um jeito meigo, o jeito dela. Saio de casa e vou "trabalhar" e durante aquelas horas estou ali meio entretida com as "minhas" crianças. Gosto deles...é a única coisa que gosto neste trabalho, gosto da inocência deles, fazem-me lembrar alguém Durante o dia porto-me bem, aguento-me, sou uma linda.
O problema começa de noite....porque quando fica de noite só me posso lembrar de quando, depois de jantar, recebia uma mensagem do Big dizendo somente "desce". E eu descia e íamos ao cinema, ou ver lojas, ou a Belém beber um café, ou onde quer que fosse que a nós nunca nos faltou onde ir ou o que fazer. Era também a noite que te via, que podia ser tua namorada e era quando namorávamos...na tua casa, falando baixinho porque já todos dormiam, no carro parados em Sintra e, mais uma vez, namorávamos onde fosse porque a nós nunca faltou vontade ou motivo para namorar. Era a noite que te tinha, que te abraçava, que te cheirava, que me deitava nesse peito "com mais de metro" e que me fazia sentir pequena, segura, confortável. Deixei de ter isto e, o que fisicamente me era terno,tornou-se em algo fosse suficiente com um computador pelo meio.
Depois de ires, a noite tornou-se aquele espaço em que te "via", em que falávamos, em que ríamos e em que eu podia sentir que de alguma forma ainda eras o meu namorado, que ainda estavas "aí". Mas até isso me levas-te.
Agora, a noite é aquele aglomerado de horas infinitas que por mais confortavel que a minha cama esteja, por mais pares de meias que eu calce, ou mais "chás-que-fazem-dormir-como-um-bebe" eu tome não há maneira de o sono me pegar, pois já não há o consolo de uma mensagem de boa noite ou um beijinho, nem a minha estúpida mente se permite descansar de pensar no assunto que já não tem nada que se lhe diga ou pense. É a noite que posso chorar, ainda que seja obrigada a chorar para dentro, baixo e engolindo as lágrimas pois são estas as condições que tenho e nem liberdade para chorar me dão.
A noite custa, dói, e faz.me pensar que é desta que eu não passo. Mas em semelhança, a noite reflecte tudo aquilo que eu me sinto: ás escuras.
Quanto a ti, sei que não choras, que dormes como um anjo e que de manhã te sentes revigorado pela noite bem dormida. Mas esta é só uma das nossas muitas diferenças entre nós...
Liz
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