quarta-feira, 15 de maio de 2013

A carta que nunca te escrevi

Preciso dizer-te algo...não sei bem como nem com que sentido mas, preciso de te escrever. Passaram-se 5 meses desde aquele fatídico dia em que mais uma vez, me partiste o coração. Chorei, perdi-me no mundo e em ti e questionei tantas vezes como ia eu conseguir viver sem o meu oxigénio, sem aquele que me fazia bater o coração e que punha o sangue a correr-me nas veias. A necessidade de ti não era simplesmente sentimental, era uma cena física e fisiológica, era amor e obsessão, desejo e carinho, era tudo isto e mais alguma coisa. O mais engraçado? Eu já não era feliz contigo e já não o era há muito tempo, demasiado até, para que aquela fosse a relação que um dia ambicionámos, que eu um dia quis para mim, mas tu és viciante, tu deixaste-me de cabeça perdida e eu não sabia o que fazer com o meu mundo se tu não constavas mais dele.
Disseste-me que "já acabámos há 5 meses" mas para mim, ainda foi só há 5 meses. Foi há uns míseros e insignificantes 5 meses que eu perdi o único homem que algum dia me permiti amar e, quando o fiz, dei-me a ti do único jeito que me sei dar, do único jeito que nunca te tive. Tu consumiste-me, levaste-me ao meu melhor e ao meu pior, a noites de choro e desespero e a noites de prazer e amor. Foste a minha companhia do cinema, dos jantares, dos fins de tarde passados na faculdade e as primeira férias com um rapaz, foram passadas contigo. Eu era mais do que virgem quando te caí nas mãos, eu era inocente, não acreditava que alguém que nos diz amar seja capaz de nos magoar e acima de tudo, acreditei que me amavas para sempre, pois foi o que me prometeste, para sempre, lembras-te? Hoje sei que o para sempre não existe e pior, hoje sei que já não me amas e isto dói tanto...Hoje sei também que afinal não és o meu príncipe encantado mas o príncipe de toda e qualquer princesa com quem te envolvas, afinal, aquilo que me davas e prometias não é só meu e agora sei-te preparado para amar de novo. Será que a ela também a chamarás de mulher da tua vida e lhe dirás que serão dela os teus filhos? Será que também a vais apresentar à tua família dizendo ser a tua última namorada a levar lá a casa? Será que lhe vais contar os teus segredos, medos inseguranças, como um dia fizeste comigo? Provavelmente sim e isto é o que mais me dói, saber que perdi a exclusividade de que um dia me gabei. Sempre aprendi tudo às minhas custas e sempre continuará a ser assim.
Talvez te choque ou te espante ao fim de 5 meses ainda me ter doído saber que namoras mas é simples: lembraste de como sofreste para "arrumar" a Rita da tua vida? A tua primeira namorada, da adolescência, a quem deste 5 anos da tua vida? E lembras-te de que ainda hoje choras quando te lembras de como ficaste naquela altura? Pois agora sou eu assim, visto que tu foste o meu primeiro amor e o meu primeiro fracasso. Tive saudades tuas de fazer doer o peito e confesso que, às vezes, ainda tenho pois em ti encontrei um partner in crime para falar, rir, brincar, ser criança e mulher, em suma, para tudo e pensava que para ti eu significava o mesmo. Enganei-me.
Não és má pessoa mas és muito muito egoísta sendo que tu és a tua pessoa favorita e a única que vais sempre ouvir. Vives de ti e para ti, trabalhas para ti e qualquer noção de vida a dois contigo é completamente errada pois quando eu me senti segura, tu tiraste-me o tapete e vai ser sempre assim até ao fim dos teus dias. És o melhor amigo que se pode ter mas como namorado, deixas muito a desejar. Enganaste-me, mentiste-me, fizeste-me sentir errada quando o errado eras tu, afastavas-me mas não me deixavas ir embora, não me querias mas também não me querias com mais ninguém. Contigo aprendi muito, o bom e o mau, a lidar com coisas com as quais não sabia lidar, apesar de serem inúmeras as situações em que assumi culpas que não eram minhas por erros que tu cometes-te. Cresci, amei, sofri e deixei-te fazer-me feliz do jeito que sabias enquanto eu te amei como se nunca mais fosse amar ninguém. São muitos os nossos momentos que vou guardar comigo num recanto escuro e abandonado do meu coração pois acho que em algumas coisas tivemos uma história bonita, em algum momento fomos felizes e encontrei em ti características que quero no homem que preciso a meu lado: bem disposto, engraçado, irreverente, desbocado, inteligente e muito carinhoso e meigo. O problema está no facto de também ter encontrado as características que nunca mais quero encontrar em ninguém: egoísmo, desprezo pela dor do outro, sentimento de superioridade, ciúmes doentios e controle, fuga à verdade dos factos e instabilidade. 
Gostava de um dia te chamar meu amigo, gostava de que um dia pudéssemos falar como um dia falámos mas não sei se isso alguma vez será possível pois ao namorar contigo, coloquei em ti um rótulo que não devia ter colocado: amor da minha vida. Fi-lo pelo simples facto de saber que nunca mais irei amar alguém como te amei...talvez dum jeito diferente, talvez com a mesma intensidade mas nunca como te amei e com isto, coloco em ti 3 anos de mim, de amor, dedicação (devoção?), luta, sofrimento, resiliência e uma vontade louca de ser feliz contigo. Aceito que já não me amas, que já não me queres. Peço-te apenas que aceites que na minha vida já não tens lugar pois eu já não sou a miúda com quem em tempos dizes ter sido feliz. Não sei o que te desejo...talvez mais calma, ponderação e o dom de pensar no outro antes de fazer a primeira merda que te vem à cabeça. Talvez, que sejas feliz. Não sei que mais te possa desejar....Adeus Hugo. 

2 comentários:

  1. Quando nos partem o coração dessa forma é difícil voltar a juntá-lo inteirinho, mas consegue-se...ficarão cicatrizes, mas o o tempo notar-se-ão cada vez menos. E mesmo que não acredites: vais voltar a amar tão ou mais intensamente.
    Beijinho*

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    1. Obrigada minha querida :) preciso de ouvir essas coisas...preciso saber que um dia isto vai passar.

      Beijinhos

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