quarta-feira, 26 de junho de 2013

Aceitação

"A mesquinhez é a morte em vida"

Sofia Sá da Bandeira

O oposto de mesquinhez é a aceitação pois com a aceitação ganhamos poder sobre as coisas pequenas, sobre os pequenos ódios que nos dão uma lufada de ar mofento todas as manhãs ao levantar da cama. Se com a mesquinhez nos agarramos aos defeitos, às más escolhas, aos venenos psicológicos (não serão que também físicos?) como força para nos mantermos ligados a algo ou alguém que já se desligou de nós, com a aceitação permitimos que estas amarras se vão desvanecendo aos poucos, a dificuldade reside em aceitar a aceitação, em aceitar uma nova liberdade em que mudamos de estado, de país, de coração. Confuso? Eu sei. 

Quando aceitamos comportamentos, acções, palavras, finitudes e novos começos perdoamos o outro, que não agiu bem, mas acima de tudo, perdoamos-nos a nós e quem nunca se sentiu defraudado não imagina como pode ser difícil o auto perdão. Neste momento sei que são mais os pedidos de desculpa que devo a mim mesma do que os que devo a terceiros mas, enquanto dos outros não espero um pedido de desculpas, a mim todos os dias me tento redimir, aceitando as asneiras que fiz e as que não fiz. 

Assim, hoje, nesta noite quente que me remete para memórias passadas, aceito que estou sozinha, que sinto falta de algumas coisas, que fiz uma tremenda borrada comigo mesma, que me deixei reger pelas ambições dos outros, que me calei quando devia ter falado, que quando falei não soube bem o que dizer, que me infligi dores (des)necessárias, que precisei dessas dores para crescer, que não aprendo por espelho mas por experiência, que eu não sou a culpada da infelicidade dos outros, que eu nasci porque precisei nascer e porque faço cá falta, que não sou melhor nem pior do que ninguém, que tenho um lado muito muito feio que preciso controlar para que não tome conta de mim, que sou uma miúda, que já sei mais que muita gente crescida, que tenho alguns dos melhores conselhos, que ainda não os sei aplicar a mim. Aceito que acabou, que já não amo que ninguém me ama.

Em suma, sou feita carne, osso e sonhos, os meus, os que têm para mim, os que ainda não descobri serem os meus. Sou gente, sou bicho, sou eu. 


Liz

4 comentários:

  1. Eu não sei se era sobre a tua relação que a Sofia Sá da Bandeira, pensou essa frase!

    Depois de proferir, ela fez silêncio e tudo pareceu ter mais sentido!

    A mesquinhez a que ela se refere, creio eu, será aquela segundo algumas pessoas regem a sua vida, vivem a sua vida em prol duma mesquinhez, ou melhor, pensando que estão vivas, se calhar já morreram no dia em que abraçaram tamanha mesquinhez.

    ...acho que tornei isto demasiado profundo... vou dormir, que isto passa...

    Bjo*

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    1. Olha que nao eaperava nada este comentario vindo de ti...nada mesmo e que boa surpresa :)

      Sim sei que ela a proferiu num espectro muito mais abrangente do que uma mera relacao que correu mal e sabes que mais...concordo contigo ;)
      Bjo

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  2. Neste post, não consigo ser jocoso, porque me revejo no seu conteúdo.

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