quarta-feira, 19 de junho de 2013

Self lickers

Sabem, existe um tipo de pessoa que me deixa doidinha, que me dá os calores, me deixa as faces rubras e me faz tremelicar o corpo todo de uma forma quase descontrolada: os Self-Lickers.

Os Self-Lickers são aquele tipo de gente que procede com a maior eficácia ao lambimento do próprio tomate (ovário no caso feminino) e que o fazem sobre a forma de exibição da graduação académica, do título ganho na tropa ou do apelido ganho na cama. Quando nos cruzamos com um na rua é fácil a sua identificação: grande carro, bem vestidos ou num modelito "oh pra mim que posso usar um calção de praia com sapatos de vela em pleno mês de Fevereiro porque eu vim agora de férias nas Maldivas" e têm um andar assim pedante, altivo, cagão. 

Gostam de falar contigo assim a espreitar por detrás da penca (já viram a quantidade de ricos pencudos que existe!?) e tudo num tom muito monocórdico, entediado, como se nos estivessem a fazer um favor ao responder ao que perguntamos. Até aqui, só quem percebe de Self-Lickers  os consegue distinguir de um qualquer tio de Cascais que teve ordem de soltura do solário onde passa os dias, mas a diferença entre uns e outros está quando se chateiam: um lambidor do próprio tomate solta logo um "Mas você sabe quem eu sou?!" com a maior presunção à face da Terra, como se tivesse sido ele o primeiro gajo a chegar à Lua ou como se fosse ele o próprio Taveira em pessoa. Quando um lambidor do próprio tomate se vira com uma destas preparem-se, pois a quantidade de barbaridades que estão prestes a ouvir é mais do que muitas: porque EU sou um doutor qualquer de uma empresa qualquer que deve a Deus e ao demónio, porque EU tirei um curso em teoria da reprodução sexualmente assistida do caracol que me levou 8 anos a concluir, porque EU conheço gente muito influente (Taveira remember) e VOCÊ não sabe com quem se está a meter! 

E pior do que o lambidor do próprio tomate só o lambidor do próprio tomate novo-rico: são uns brejeiros de primeira, para os quais luxo implica cordões de ouro e um Mercedes do tamanho da minha casa, não sabem falar, não sabem vestir, nem sabem estar, mas como o Zé trabalhou em Angola e conseguiu engolir uns diamantes que depois cagou em Portugal já é o maior doutor da sua terra. Com estes é substancialmente mais fácil lidar pois basta perguntarmos se aquele sotaque adorável é da terra X e, seguidamente, dizemos que o nosso tio-avô-primo-da-tia-do-primo-da-outra é de lá e já são os nossos melhores amigos! Dão-nos uma palmadinha nas costas, enfiam-nos uma nota de 10€ (uns mãos largas!!!) no bolso e soltam num restaurante fino algo como um "até à próxima oh jeitosa! eheh". São os maiores broncos que já vos passaram pela vida, mas em canudos e conhecimentos apurados do cagamento do diamante, são os maiores doutores que já conheceram nas vossas vidas. 

Então e com o lambidor fino como se lida? Digam "com certeza" muitas vezes, que têm toda a razão e que vão já chamar o vosso superior. Quando a situação estiver resolvida e puderem finalmente ir buscar o artigo que o animal queria, esfreguem-no em algum sítio porco, cuspido ou vomitado (no rabo também serve). E despeçam-se com um sorriso.

 Enerva-me esta mania que o português tem de se achar doutor porque andou na escola, ou de querer tratamento especial porque só sentou o rabo em boas cadeiras e não em bancos de madeira. Os maiores seres humanos que conheci até hoje são pessoas simples, desprovidas de egos e nada cheios de si mesmo pois sabem que o seu valor está nas suas acções e não nos seus títulos frustrados. Trabalhar com o público ensinou-me muita coisa e ensinou-me, acima de tudo, que um simples "Obrigado. Bom trabalho" pode fazer o dia daquela pessoa que do outro lado do balcão é pouco mais que transparente. 


Liz

6 comentários:

  1. "Trabalhar com o público ensinou-me muita coisa e ensinou-me, acima de tudo, que um simples "Obrigado. Bom trabalho" pode fazer o dia daquela pessoa que do outro lado do balcão é pouco mais que transparente." - isto e precisamente isto o que aconteceu comigo também, em tempos.

    Eu cá Doutores e Engenheiros, atendi às pazadas e só com um ou dois eu tive a "disponibilidade" de simpatizar porque não admitiam ser tratados pelo titulo, mas pelo nome.

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    1. Foi como eu! A maioria sao uns cagoes armados em parvos que acham que por serem doutores-engenheiros da mula russa merecem atendimento personalizado e xpto sem serem sequer capazes de retribuir um simples sorriso.

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  2. O que já me ri com este teu post! Parece uma praga desta gente, por aí...estão por todo o lado, tipo baratas!

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  3. Não podia estar mais de acordo!
    Já passei por uma situação caricata, perguntei a um cliente como se chamava, ele respondeu: Eng........ , como tenho um tiquinho de mau feitio, só lhe disse: perguntei-lhe o nome, a sua profissão não me interessa :)

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