sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Melancolia das horas de trabalho

Gosto de ritmo acelerado, preciso dele, é o que me mantêm mentalmente sã (como se ainda existisse algo são dentro desta cabeça). Gosto de não ter tempo para respirar, de ter que ir à casa de banho a correr e de tirar 5 minutos para enfiar um iogurte goela abaixo. Gosto de me fardar à pressa e de apanhar o cabelo num rabo de cavalo pois o calor já não se aguenta. 

E porque gosto eu deste ritmo que tantas pessoas consideram avassalador e fisicamente traumático? Porque um corpo cansado é sinal de noite bem dormida e eu, não tenho conseguido dormir. A cama que é minha há 5 anos, composta pelo colchão escolhido a dedo para mim, feita com os lençóis sempre imaculadamente por mim passados a ferro, é-me agora estranha, desconfortável. 

Estou cansada, doí-me o corpo, a cabeça, e os olhos pesam mas não consigo dormir. Não um sono reparador, descansado, daqueles que gabamos aos pequeninos a sorte de  dormirem assim. Ando às voltas, tenho calor e fico suada, arrefeço e acordo a tremer em pleno mês de Agosto. Os pés batem no fundo da cama em madeira corpulenta e a cabeça, dá demasiadas marradas dolorosas. É como se tivesse ficado demasiado grande para a cama onde durmo, como se um colchão de corpo e meio já não fosse o suficiente para 1,74 e 60 kg de gente. 

E o resto se passa com tudo o resto. Tudo me aperta, constringe, empacota ou deixa desconfortável quando até o comboio é demasiado pequeno para mim, eu, que se quero ir confortável, vejo os meus joelhos a baterem no banco da frente. Sinto-me fora do meu meio, do meu habitat natural e, quase como  um caranguejo ermitão, a minha concha está agora demasiado pequena. Preciso desesperadamente de encontrar outra, de preferência hoje, porque hoje, eu só me queria sentir pequena outra vez...


Liz

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