Volta não volta trabalho com miúdos. Confesso que até gosto, que me riu imenso, que alguns dá vontade de trazer para casa, mas quando saio de perto deles respiro de alívio. Porquê? Porque não tenho paciência. Não é falta de vontade, não é nem mesmo má vontade, só não tenho paciência. As mil perguntas constantes, o mexerem em tudo, o cheirarem tudo, o comerem coisas como lápis ou meterem borrachas no nariz...são tudo coisas para as quais não tenho paciência. Adoro miúdos, derreto com bebés e quero um dia ter os meus mas vejo o caso muito muito mal parado se este problema da paciência e da falta de disponibilidade não for resolvido.
Neste momento sinto-me egoísta é verdade. Estou muito pouco disponível para fazer o que não quero, quando não me apetece, com quem não me apetece estar. Sinto-me zero dada às obrigações e até aquelas a que não posso fugir mesmo vou fazendo com alguma relutância. Sei lá...acho que fui demasiado disponível durante demasiado tempo. E vejo que às vezes sou um pouco dura com as crianças sem que eles tenham alguma culpa disso, são como são, curiosos, metediços, chatos até, mas eu também fui assim (e ainda vou sendo..) e vejo hoje que a paciência que tinha há um ou dois anos atrás agora parece ter evaporado fazendo-me pensar várias vezes que tipo de mãe vou ser eu.
E no outro dia consegui da minha mãe um olhar de reprovação que me fez pensar que ia ser deserdada com a seguinte afirmação
"As crianças são uns seres bem nojentinhos. Suam que se farta, tiram macacos do nariz, dão puns e riem-se. Sei que são tipo namorados em ponto pequeno mas os namorados sempre tomam banho antes de se agarrarem a nós aos beijos com a boca cheia de chocolate e migalhas. E não pedem ajuda para limpar o rabo"
Resposta..
"Devias ter vergonha de dizer isso! Se uma criançinha não se consegue limpar bem tens que ajudar!!! Ou como vai ser com os teus?! Que vergonha...dizer que tem nojo dos maus cheiros e fluidos das crianças..."
E fui para o meu quarto a sentir-me a madrasta da Branca de Neve e a ponderar uma histerectomia pois um ser como eu não merece por ninguém no mundo. Há gente que parece ensinada e super preparada para isto de ter filhos, são felizes, bem dispostos, rabos sujos e xixi´s em jacto não os incomoda, vomitados pelo decote também não. "Oh é do meu bebé...não me incomoda!" Se só a ideia de passar um pedaço de carne com uns 4 kg pelo meu sítio especial já me deixa a tremer das perninhas quanto mais criá-lo e saber que vai ser a "coisa" mais definitiva que algum dia vou ter na minha vida!?
Digo várias vezes em tom de brincadeira que se não tiver um homem decente comigo que arrisco na produção independente mas, aqui que ninguém nos ouve, eu lá quero passar por isto sozinha, sem ter um homem a quem dizer "vai lá que o filho também é teu!" ?
Liz
Aqui que ninguém nos ouve... Ora que expressão tão catita! :p
ResponderEliminarSabes Liz, é um pensamento que é normal de se ter. Não ter paxiência para os bebés dos outros. Mas um dia vais conhecer alguém e desejar que essa pessoa seja o pai dos teus filhos. E nessa altura vais ver tudo de forma diferente! Eu só espero é que curtas a vida até esse dia... :)
Hope so :)
EliminarSim tenho mais é que aproveitar que não me vejo no Lux com o saco das fraldas ao invés da clutch :!!
Como é óbvio é paciência e não paxiência :p
EliminarLux? Um dia talvez troquemos duas de letra por lá! :D
ahahah toma lá grammar Nazi :P
EliminarWho know´s??
Definitivamente a ideia do Lux parece-me bem melhor do que a dos bebés. Eu nunca fui ao Lux, mas gostava, e também não tenho filhos, nem quero ter!
ResponderEliminarAssumo sem problemas que seria um desastre como pai de alguém, não tenho paciência, vontade ou o mínimo instinto paternal e, em abono da verdade, também não há mãe para eles. No meu caso sei mesmo que não é nada boa ideia, sei que é ser egoísta mas não vou trazer ninguém ao mundo por trazer.
Sabes que tudo pode mudar no dia que encontrares alguém com quem queres tê-los....é o que penso para mim pelo menos :/
EliminarJá pensei nisso, já revi esse cenário na minha cabeça vezes sem conta e a conclusão é sempre a mesma: a pessoa certa não chega, é preciso que algo mude em mim e eu não sei o quê. Nisto admito que sou um bocado estranho.
EliminarAcredito que para ti faça sentido nesse caso e pelo que leio tens essa vontade no futuro.
Sim é algo que, apesar destas minhas "fitas" terei mesmo que passar. Quero-os...não seria completa se não tivesse um par de pirralhos meus :)
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