terça-feira, 15 de outubro de 2013

Teorias emocionalmente irrefutáveis

Dizem que só se desilude quem um dia se deixou iludir. Dizem, os emocionalmente inteligentes, os saudáveis, os felizes, os que só mantêm nas suas vidas as coisas belas da mesma, que em ordem de não nos desiludirmos, não podemos nunca cair no erro de esperar dos outros mais do que eles podem dar, mais do que são, que sejam iguais a nós, ou seja, não nos podemos deixar encantar pelas maravilhosas ilusões (as de óptica e as outras). 

Dizem também que o que os olhos vêm e a mente acredita. É este o princípio básico que os ilusionistas usam, mas eu nunca gostei de magia, vá-se lá saber porquê, contudo, deixo-me iludir, uma e outra vez, caindo qual pata num charco morno que afinal não é mais do que uma panela ao lume. E ainda voltando à magia, posso dizer que nunca a apreciei pelo simples facto de saber que estou a ser descaradamente enganada pelos meus olhos que, por sua vez, enganam a mente fazendo-me acreditar que um Boing 747 consegue ser desaparecido debaixo de um lencinho de assoar em algodão branco e eu, não gosto disto. Não gosto que me enganem propositadamente, mais ainda, não gosto, detesto, repudia-me, ser enganada por mim mesma, deixando-me cair nos truques e jogos de luzes e espelhos que os outros me fazem.

E dizem que a isto se chama desilusão: a confrontação do Eu enganado com o Eu que se engana a si mesmo, sendo que o Eu enganado fica depois danado da vida porque o Eu que devia ser seu amigo e alertá-lo para estes ilusionismos ainda se dá ao luxo de gozar com o pobre coitado dizendo coisas do tipo "seu grande otário que caíste de boca!". Mas a bem da verdade, nenhum dos dois é bem culpado deste engodo pois ambos acreditaram no que lhes foi mostrado, dito, prometido. Simplesmente um dos Eu aceitou sem enganado. E porquê? Porque o engano era bom, era doce, era tão mais bonito e colorido do que a realidade que se tornou mais fácil agarrar-se à ilusão do que à certeza concreta de que efectivamente, há gente não vale um tostão furado. 

E se a falta de qualidade dos outros é problema deles a desilusão é exclusivamente nossa e o melhor consolo que ouvimos dos outros é um encolher de ombros e um "aguente-se". E perdoe-me o tom por norma sempre educado e bem falante deste blog mas hoje, a única coisa que me apetece dizer em jeito de closure é um




Liz

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