Analisando-me à luz das teorias da inteligência emocional eu seria o exemplo de como não podemos em momento algum ser, pois segundo estas teorias, quem é emocionalmente inteligente afasta-se de quem magoa, de quem faz sofrer. Não se sujeita a situações de dor e põe se acima da relação, não deixando que esta o/a consuma. Sabe dizer não quando quer dizer não, sabe afastar-se quando a relação acarreta uma carga emocional demasiado grande e luta somente por relações saudáveis. Posto isto podia ser considerada um caso de estudo. Pessoalmente, acho que me limito a amar sem para-quedas.
Eu não me dou facilmente, ou não teria aos 25 anos dois namorado no meu historial (sendo um deles um come back), mas quando me dou, dou e pronto. Claro que nem sempre fui assim, na adolescência apaixonava-me ate pelos actores das Marés Vivas! Mas isso eram as hormonas e não eu... Hoje vejo como me sentia carente e sempre com a necessidade de me sentir querida, desejada. Por isso não me critico, mas critico-me por me ter posto em N situações extremamente desconfortáveis e ridículas só para me sentir aceite, querida. Não tenho por norma pensar no que passou, prefiro pensar no que aprendi. Fica a lição.
Eu não me dou a muita gente. Tenho uma mão cheia de amigas, as quais trato por meus unicórnios por serem uns seres tão raros e espectaculares a quem conto tudo. Com elas choro, grito, vou-me abaixo, dou as minhas melhores gargalhadas e em conjunto, comporta-mo-nos como um bando de rapazolas sem vergonha (sim, rapazolas, sem conotação de orientação sexual). Com elas eu deixo-me ser como sou, mas só com elas. Para os restantes...mostro o que me convém, o que me permito mostrar, pois cansei de ser tomada por parva por querer ajudar, ou por permissiva por dar a outra face. Fora os meus unicórnios só uma pessoa me conheceu assim e essa pessoa acabou por se tornar amante, namorado, melhor amigo, sidekick!
Ele foi o primeiro homem com quem eu me consegui comportar como me comporto com as minhas amigas e que ainda por cima ele adorava que eu assim fosse. Ele adora que eu goste de futebol e me comporte como treinador de bancada, adora que eu conduza melhor que ele, adora que eu coma como um homem e ainda assim tenha curvas, adora que eu ria alto e dum jeito sem vergonha, adora que eu me arme em coronel Jesuíno dizendo de um jeito altivo "deite-se. eu vou lhe usar!". Adora que eu compare orgulhosamente o músculo residual que o meu braço aka caniço com os dois troncos que ele usa como braços. Adora que no meio das lutas em que eu, mais uma vez, subestimo a sua força, acabe a gritar "não quero brincar mais!" Adora....talvez devesse ter escrito adorava, pois agora as minhas piadas estúpidas que lhe arrancaram boas gargalhas irritam-no e tudo na minha existência lhe causa desconforto. A verdade, é que vendo que com ele poderia ser o rapazinho que gosto de ser...me dei.
Dei tudo. Dei corpo, alma, coração e, se me pedisse, o c* e 10 tostões. Dei-me sem pensar duas vezes, deixei que as suas palavras e os seus gestos me levassem à certa, deixe que virasse o meu mundo de há 3 anos (um mundo de que eu gostava muito) de pernas para o ar. Deixei...e deixava novamente pois em momento algum me arrependo de ter sido um rapazinho pois ao menos hoje eu digo
Amei, fui amada, fiz alguém feliz e fui estupidamente feliz. Foi o meu primeiro amor, foi com quem eu tive mais primeiras vezes e a quem daria o direito de ter todas as outras primeiras vezes que quero para mim. Chorei até quase desmaiar e ri até me doer a barriga. Conduzi milhares de km´s para estar contigo alguns minutos e esperei cada regresso teu com uma ansiedade que me tomava as noites de sono, parecia Natal nesses dias. Fizeste-me extremamente feliz, aquele tipo de feliz que nos deixa mais bonitas e mais bem dispostas e mais tudo. Não foi sempre, nem foi assim durante tanto tempo...mas fizeste-me feliz.
O problema de me ter dado a alguém desta forma? Eu não uso para-quedas, eu sou uma skydiver do amor. Se tiver que me espetar dum jeito horroroso eu espeto mas a viagem fez com que tudo valesse a pena. Espetei-me....esperei, pedi, implorei que me agarrasses e tu deixaste-me cair. Ainda assim, só posso dizer que desde que o ano começou a atitude mais inteligente já tomei foi a de me afastar e pedir que te afastasses. É que neste momento são demasiados os ossos que tenho para cicatrizar para me poder dispor a ajudar-te a cicatrizar os teus.
Se me sinto culpada de alguma coisa? Sim. Amei-te demais.
Liz
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