"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.
23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse e... Foi assim."
Num minuto conseguimos ver a história que tiveram e que para nenhum deleschegou ainda ao fim. Afastaram-se de comum acordo mas nunca se conseguiram afastar realmente um do outro. A reacção dela levou-me às lágrimas...o peito arqueou com a emoção e o ar custa-lhe a entrar a partir do momento em que abre os olhos e o vê, ali, materializado à sua frente, 23 anos depois. Ele olha-a e com aquele encolher de ombros parece desculpa-la de algo, parece finalmente tirar de cima do ombros dela um peso que carrega há duas décadas, uma espécie de "já não faz mal, já não importa".
Isto ultrapassa a arte, o ensaio, a homenagem. Isto é a expressão crua do que um amor nos consegue fazer 23 anos depois. Toda e qualquer tipo de concentração artística que ela tivesse nesse momento desmaiou perante a imagem do homem da sua vida do outro lado da mesa.
Quantos de nós não daríamos um dia por um momento destes? Um minuto livre de cobranças, frases inteligente ou feitas, livre de desculpas e perdões, um minuto em que dizemos tudo sem ser preciso pronunciar uma única palavra?
Liz
Sem comentários:
Enviar um comentário