terça-feira, 26 de março de 2013

Genes

Tenho um sobrinho que desde o primeiro em que lhe peguei ao colo o apelidei de "meu puto". Eu era muito garota quando ele nasceu e para mim aquele bebe-michelin não passava de um nenuco muito gordo e que fazia barulhos estranhos, mas a bem da verdade, se fosse meu não o amava mais do que o amo. 

É parecido comigo, assim meio descompensado e com uma noção de vergonha/isso não se faz muito particular, fazendo piadas extraordinárias e sendo o mais despachado dos miúdos.  É também parecido na maneira como não suporta sentir-se gozado por ninguém ou como uma palavra mais agreste o pode ferir até ao fundo da sua tenra alma. Raramente o vemos maldisposto mas quando fica, é um dragão aqui como a sua titia e apesar de cada átomo do seu ser emanar "gajo" tem uma meiguice,  uma fragilidade que só apetece encher aquelas bochechas de beijos (que ele adora).

Há também uma parte dele parecida comigo e que me preocupa de sobremaneira: o coração. Aquela amostra de macho-man em potência já viveu um "amor" que lhe comeu os 3 primeiros anos da escola primária tendo ele sofrido horrores por nunca ter sido correspondido. A paixoneta começou logo no primeiro dia de aulas pois o tóino (tal como a sua tia) não pode ver um palminho de cara sem que o seu coração dispare e, ao ver aquela menina de cabelos cacheados da cor do sol e com uns olhos azuis do tamanho de laranjas, o pequeno descompensou. Ele bem tentou sem um gentleman, tratava-a melhor que às outras meninas, fazia por se sentar perto dela e a caminho da casa, era uma onda de suspiros que me fazia pensar se ele ia aguentar até ao dia seguinte. Um dia, a mãe encontrou-o no quarto, sozinho, sentado no chão a um canto e a chorar. Em pânico perguntou o que se passava tendo ele dito que tinha saudades da menina (Joana se não estou em erro) ao que a mãe respondeu que não devia ficar triste pois que há muitas meninas na escola de quem ele pode gostar

"mas a minha cabeça só pensa nela..."

Quando ouvi isto senti vontade de raptar a miúda e coloca-la numa caixa de vidro no quarto dele! Dilacerou-me o coração saber que o pirralho que ainda não tinha idade sequer para saber o que é o amor, já o sofria no seu tenro coração. E foram anos neste sufoco, por mais meninas que o achassem o maior gato da escola ou por mais tentativas (todas falhadas) de o consolar, ele só queria aquela. Que fez o quê? Apaixonou-se e teve "uma relação" com o melhor amigo dele!! Isto não devia ser tão complicado nestas idades...

A continuar deste jeito e sendo eu um bom exemplo do que é ser assim, só posso concluir que tamanha estupidez sentimental só pode ser genética e meu puto perdoa-me que te diga isto mas, tas f"#$%&.


Liz

4 comentários:

  1. Tem uma boa tia para amparar o coração :)

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  2. Tava a gostar tanro e depois veio o último parágrafo...

    E gstei ainda mais! Lindo!

    You got a way with words, baby!

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