Eu cresci com as princesas da Disney, vi uma e outra cada um dos seus filmes, da Branca de Neve à Mulan e,mais recentemente, à Rapunzel ou à Tiana, a primeira princesa negra. Tive as bonecas quase todas e brinquei com elas até a pobre da Bela ficar com os cabelos em pé e com uma ou outra pelada pois penteava-a durante horas. Brinquei com bonecas até aos 12 anos, idade com que as meninas de hoje começam a sair à noite e a "engatar" e a trocar olhares e, se calhar, outras coisas com rapazes. Na minha altura, os únicos "rapazes" com quem brincava eram os príncipes das minhas princesas. Apesar de ter uma colecção de bonecas que por vezes, quando a saudade bate, revisito e com as quais ainda me sento no chão do quarto a brincar, tive que as merecer, tive que me comportar, tive que ter boas notas e ser um mimo de criança (o que por norma só acontecia no mês antes dos meus anos e do Natal muahaha). E tinha um sonho...ir ao parque Disney, em Paris.
Pois se eu vos disser que o ano passado, quando me vi prestes a entrar no mundo encantado criado especificamente para fazer as pessoas felizes, quase chorei, não se admirem, pois chorei mesmo. Uma mulher do meu tamanho e com a família a volta deixei escorrer uma lágrima pois senti-me aquela menina de 6 anos que sabia de cor as músicas e grande parte dos diálogos dos filmes das suas princesas. E quando passei aqueles portões ricamente trabalhados e fui recebida por elfos, duendes, flores e ratinhos sorridentes tive que me aguentar para não começar a soluçar violentamente, era a minha infância ali, materializada, tudo aquilo que imaginei e mais qualquer coisa, um shot de felicidade bebido de um trago, a sensação de felicidade gritante que me inundou o peito, o voltar a ser criança.
O dia que lá passei foi puxado, havia tanto para ver, tantos sítios onde estar, tantas actividades para fazer e eu não tinha tempo para tudo! O Castelo da Cinderella, Agrabá e a Yasmin, a casinha da Branca de Neve, as chávenas loucas da Bela, o fundo do mar da Ariel...e sempre a noção de que nesse dia eu não andei, eu corri, eu saltei e cheguei mesmo a ter o meu puto, muito altivo, a dizer.me "tia, menos". No fim do dia o passeio pelo comboio que dá a volta ao parque e a ida aos souvenirs, uma loja de ser perder a cabeça, onde pedi o fato da Cinderella ao meu pai mas onde a única coisa que consegui foi um pontapé no rabo e um "cresce!". E como cereja no topo do bolo, o fogo de artifício que nascia das torres do castelo e eu ali, totalmente descompensada a chorar para dentro pois já era de noite e não dava tantos nas vistas. Porra...eu estava mesmo ali!
Talvez por ter crescido assim, criançola até mais não, eu me atire com unhas e dentes a quem diz que as princesas da Disney são uma invenção ridícula e sem qualquer noção de realidade, umas castradoras da mulher livre e independente, um conto de fadas que não existe nem nunca vai existir na vida real, em suma, uma estupidez sem tamanho. As princesas da Disney são as irmãs que não tive para brincar, são as meninas com quem eu passava as minhas tardes e são, acima de tudo, a lembrança da inocência com que eu via o amor: o amor conquistava e superava tudo.
Liz

Acreditas no Príncipe Encantado? :p
ResponderEliminarAgora já não :( ahahaha
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