sexta-feira, 26 de abril de 2013

Papás e Mamãs

Pelo que tenho visto nas notícias anda uma valente tourada ali na França por causa da lei que saiu para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, com os religiosos todos de cartaz nas mãos a fazerem desfiles e paradas anti-felicidade alheia com a qual ninguém tem nada a ver levando inclusive pela mão os próprios filhos. E eu pergunto: será que nenhuma daquelas crianças, que vai a reboque dos pais, irá assumir-se um dia como homossexual? E depois meus queridos botas elástico a quem regar com gasolina ainda era pouco, também vão para as ruas apedrejar os vossos filhos? Eu entendo quem se queira casar ou não, entendo quem se queira assumir ou não, só não entendo esta gente, que perde horas úteis que podiam ser passadas a fazer o amor (cristão, bonito, vestidos de preferência) ou então a comer bolos numa qualquer brasserie parisiense. 

Mas nem é isto que me incomoda mais, o que realmente me incomoda é a revolta e a autêntica caça às bruxas que a adopção por pais/mães do mesmo sexo provoca em alguns indivíduos. Há uns anos atrás tive a oportunidade de fazer voluntariado num centro social que acolhia filhos de prostitutas, bêbados, bandidos, mães adolescentes ou apenas bebés que tinham sido abandonados na maternidade e só eu sei o que me fazia por dentro cada hora passada ali. Só eu sei o que me fez ter uma menina de 6 anos a perguntar-me "ao que sabe ter um pai e uma mãe?". Porque só eu sei o que é entrar numa sala cheia de crianças dos 3 aos 6 anos e ver uma imensidão de cabeças a voltarem-se na minha direcção como quem pergunta "és tu que vais ser a minha mãe?". E quantos meninos não foram criados pelas mães, avós e irmãs e cresceram para se tornarem uns maxo mans, uns garanhões? E quantas meninas não foram criadas pelo pai e pelos irmãos pois a vida assim o designou? Para mim, estas famílias são tão legítimas de "criar homossexuais" como as famílias com dois pais ou duas mães. Para mim, estás famílias podiam ser moralmente tão condenáveis como as famílias com dois pais ou duas mães que foram a um orfanato ou centro de acolhimento buscar um menino abandonado ou rejeitado pela família de origem.

Para mim, qualquer pessoa que se sinta capaz de dar amor, carinho, afecto, comida, apoio, palmadas na hora certa, aconchego, gargalhadas e boas memórias de infância tem tantas capacidades de ser pai e mãe e tudo o mais que uma criança precisa para se tornar um adulto saudável, equilibrado e feliz.


Liz

2 comentários:

  1. Sem dúvida Liz, pais são os que sabem amar, educar, criar, que eu saiba a orientação heterosexual não é garante de que se seja bom pai, caso contrário não haveria crianças abandonadas, mal tratadas, mal educadas, e que se trasformam em adultos mal formadas como essas pessoas que perdem tempo a desrespeitar os outros.

    Bjs

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    1. É o que penso. Dói muito ver tanta criança abandonada e carente de afecto e cuidado e pensar que andam por aí tantos casais a quererem um filho....homossexuais ou não. É uma das grandes e incomensuráveis falhas do sistema.

      Beso

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