domingo, 2 de junho de 2013

Feira do Livro

Estando eu entediada mas acometida por um acutilante mau feitio, peguei na camisa de ganga e nos meus Jacobs  e lá fui eu para a Feira do Livro, segura de que o pior do calor já tinha passado e que a maior parte do povo já tinha rumado a casa. Pois enganada estava eu, quando dou por mim a arfar que nem um cão fechado dentro de uma viatura após a caminhada que me levou até à Feira e ainda pior fiquei quando chego ao cimo do Parque e vejo uma mancha de gente desorganizada, quais formigas num holocausto de insecticida. 

Mas depressa me passou o desespero pois vi ao fundo, qual miragem tremeluzente, uma roulotte das farturas. Pois quem me conhece sabe que se vou a uma feira (seja qual for) e não comer uma fartura é como ir a Roma e não ver o Papa e tratei logo de me servir de um farturão de meio metro de massa frita e parti à descoberta da Feira. Para terem uma ideia do quanto eu gosto daquele sítio imaginem um viciado em prostitutas a ir à Red Ligth District em Amesterdão, o sentimento é o mesmo. Os títulos que me saltam à vista, as páginas novas e nunca antes lidas por ninguém ou as folhas amareladas e mofentas dos livros dos alfarrabistas, tudo é para mim uma autêntica experiência dos sentidos. Escusado será dizer que as ideias para textos, contos, fábulas tomaram-me conta do cérebro e pudesse eu postar telepaticamente e vocês já teriam literatura da minha autoria até serem velhinhos.

Pecorri a Feira toda, de fio a pavio, grandes editoras e bancas de alfarrabistas, livros da moda e relíquias centenárias, fizeram com que as 3 horas que lá estive passassem a correr. Tive a oportunidade de ver gente famosa e "gira" e de ver autores conhecidos como o José Luís Peixoto, por quem descobri recentemente a minha admiração. Ele estava lá a autografar os seu títulos, eu à frente dele com o Uma Casa na Escuridão na mão e, expect the unexpected, tesa que nem um carapau! É verdade, saí de casa sem carteira, simplesmente com o porta moedas com meia dúzia de trocos, mas carteira que é bom ficou em casa. Ainda pensei pedir-lhe um autógrafo num lenço de papel mas estava demasiada gente à volta e ele tem tatuagens e cenas....

Prossegui a minha caminhada, agora a sentir-me uma grande parvalhona pois fui para uma Feira sem dinheiro, mas aproveitei para mirar todo o ambiente do sítio. Se vos disser que são mais as barraquinhas de comida que as de livros não pensem que estou a dramatizar pois a sensação com que fiquei foi mesmo essa. E o tuga estava a comprar livros? Aaachas!? A maioria andava lá "a passeio" ou a encher a barriga de petiscos e doces e só algumas escassas almas andavam mesmo a gastar as poupanças. Os preços estão muito muito mais baixos do que alguma vez me lembro de ter visto e mesmo assim, as pessoas não compram. Ainda fiz olhinhos a um dos senhores de uma editora que tinha lá umas coisas bem interessantes mas ele respondeu com um ar demasiado tarado e eu fugi. Menina. 

E foi isto a minha tarde, passear sozinha pelo paraíso de qualquer nerd sonhando, imaginando, expectando, que um dia, talvez, veja algo meu naquelas bancas. Sonhar não custa não é?

Liz

2 comentários:

  1. Sempre é melhor ir passear para uma feira apinhada e farturas do que passar a tarde num shoppingue qualquer...digo eu... :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nao duvides!! Centro comercial com um sol daqueles é quase um insulto...

      Eliminar