Tive finalmente a oportunidade de ver o tão aclamado Gatsby. Já tinha ouvido N críticas e todas positivas o que é raro e, como clássico da literatura que é, eu não o podia perder. Fui de mente aberta, sem nunca ter lido o livro ou ter visto a primeira versão feita em 1974 com Robert Redford no papel de Jay Gatsby. Também não li qualquer sinopse e vi o trailer uma única vez. Queria ir assim, queria ser surpreendida e estar completamente livre de preconceitos. E não podia ter feito melhor.
Em termos estéticos é um caleidoscópio de luz, som e cor, muita muita cor, mas com a particularidade de não se perder nos efeitos deixando a história para segundo plano, coisa que senti no Anna Karenina, o desgosto do ano passado. Visualmente achei-o uma espécie de Moulin Rouge mas em ácidos, ou não fosse o realizador de ambos o australiano Baz Lurhmann mas tiro-lhe o chapéu em cada efeito, em cada ângulo de cada cena, em cada pormenor ou grande plano ao rosto dos actores.
A banda sonora é belíssima e cada momento musical tem um espaço específico, próprio, perfeito. Entre o New York na voz da Alicia com a cidade "recém-nascida" do outro lado da ponte, passando pelo Back to Black da Amy mas na voz da Beyoncé (sim, agora já gosto) e acabando com aquela que foi a música que hoje trouxe comigo todo o dia na cabeça: Young and Beautiful na voz da Lana. Tudo é um bailado perfeitamente sincronizado, cada momento dá o mote aos gestos e para quem acha que estas sonoridades modernas difamam o nascimento do Jazz nos anos 20 desenganem-se, pois são elas que dão a lufada de ar fresco tão necessária ao filme.
E os actores...concordo com o HSB, só a Carey Mulligan podia ser a Daisy Buchanan. Ela emana uma fragilidade, um toque de autêntica porcelana que nos deixa desconcertados e é esta fragilidade que vai fazer da história tudo aquilo que ela é: mover mundos e fundos, sair da lama e alcançar o estrelato por um ideal, por uma mulher. Quanto ao Tobey já ouvi imensas críticas negativas, que parece apagado e sei lá mais o quê mas também o achei maravilhoso como narrador partipiante da acção. No íncio do filme não conseguimos imaginar o seu derradeiro papel na trama. E last but not least, Leonardo DiCaprio no papel de Jay Gatsby. A minha opinião? Se ele não ganhar um Óscar por este papel então matem-no e atirem-no de uma ponte que o homem não vai suportar o sofrimento! Raras vezes se viu uma química entre dois actores como a que vemos entre a Daisy e o Jay, as trocas de olhares, o toque, os sorrisos, a felicidade gritante a que os dois se entregam como se fossem eternos e o DiCaprio sempre flutuando entre o Jack de Titanic e o homem com a idade que ele efectivamente já tem. Realmente, agora, não consigo imaginar outro actor neste papel. Marcante. Adorei o elenco, a química, os diálogos e, acima de tudo, o facto de o livro estar presente durante todo o filme, sendo a história o mais fiel possível ao que está escrito.
Saí daquela sala de cinema com o coração partido (quem conhece a história sabe porquê) mas arrisco-me a dizer que este se pode ter tornado um dos filmes da minha vida pois o paralelismo entre os loucos anos 20, com os seus extremos, a sua riqueza e a sua iminência do crash da bolsa e a realidade actual é tremendo. E sabem.....faz falta mais gente como o Gatsby.
(isto deixa-me em êxtase sei lá....perfeita)
Liz
Eu também gostei muito do filme...só aquela envolvência e beleza dos anos 20; (as vezes queria que existissem máquinas do tempo). a história de amor também é muito bonita e eu saí do filme a pensar que infelizmente há muitas Daisys no mundo
ResponderEliminarQuerias tu e eu pois encontro épocas tão mais interessantes do que esta em que vivemos....enfim! Sim com a Daisy nutro uma relação de amor-ódio lol se me enervou a inércia dela e o facto de ter escolhido o mais fácil é como dizes, conheço tantas.....foi pelo caminho mais fácil.
Eliminar:)** boa viagem de regresso!