Vi ontem à noite o Eternal Sunshine of The Spotless Mind. Escolhi-o sem qualquer critério, sem saber bem o que queria ver, apenas porque em tempos disseram-me que este podia ser um dos melhores filmes que podia ver na minha vida. Claro que descrente como sou neste tipo de opiniões, deixei-o para segundo plano, até ontem. Do realizador Michael Gondry e com um guião de Charlie Kaufman este filme não me cativou nos primeiros minutos mas fez-me vir aqui escrever sobre ele, e isso, é sinal deve ter sido bom, muito bom.
Joel acorda numa manhã sentindo-se estranho. Continuando estranho, sai de casa para ir trabalhar e já prestes a apanhar o seu comboio segue o impulso de ir apanhar um outro comboio cujo anúncio ouviu ao longe num altifalante. Sabendo que não é um homem espontâneo ou dado a surpresas fica sem saber muito bem porque o fez, o que se terá passado. Chegado ao seu destino, uma praia gélida num dia de Inverno vê uma mulher com uma camisola cor de laranja feia, mas à qual acaba por achar graça pois é um ponto de cor num cenário cinzento. Até aqui tudo bem, como espectadora senti-me meio perdida na história, sem saber muito bem que rumo ia seguir até que sou levada para o momento da trama que muda tudo: o pedido de desculpas. Aqui toda a lógica existe e é encontrada, tudo se entende e depois de confrontado com a realidade Joel decide fazer o que Clementine já tinha feito: esquecê-la.
Recorrendo a um médico com um método pouco ortodoxo de eliminar memórias específicas, Joel decide iniciar o processo de esquecimento da sua ainda amada Clem: seguindo o preceito médico, reúne em sacos tudo o que tem dela, tudo o que o faz pensar nela, todas as memórias físicas e, depois das memórias mapeadas, começa a "apagar" o seu amor por ela. O problema é que a meio do processo e impotente para com as mudanças, Joel começa a recordar os momentos bons que viveram, como foram felizes, tudo o que o fez amá-la e os porquês de não a esquecer. E luta, debate-se, "esconde-se" e sai do mapa pois ao apagar o mau vai acabar por perder tudo o que de bom existiu.
Escusado será dizer que aqui a rija da Liz acabou o filme a chorar que nem um bebé pequenino mas com uma sensação de felicidade meia estranha dentro do peito. Quem no fim de uma relação, daquelas que vocês sabem, não deseja apagar tudo, esquecer tudo, passar uma borracha sobre o que se viveu e seguir com a vida em frente sem olhar para trás? Quem nunca desejou com todas as forças cair no esquecimento de quem nos atormenta e não nos dá o merecido descanso? Contudo, quantos de nós estamos preparados para perder também as memórias boas, os momentos de carinho e amor, os sorrisos, o aconchego? Quem aceita de bom grado perder as lições e o crescimento que aquela relação falhada nos proporcionou? E, em última escala
Quem me garante, que não me volto a apaixonar por aquela pessoa?
Já aconteceu uma vez, já gostámos um do outro, já fomos felizes, então porque não? Se comecei o filme a desejar com todas as forças uma limpeza cerebral como aquela, acabei-o a saber que nunca, em tempo algum, eu me quero esquecer de que um dia estive com ele. Nem que seja pela segurança de que por ali, não me volto a apaixonar.
Liz
Vi esse filme, é bastante "estranho",,,mas tenho que dizer que eu sou a favor das 2as oportunidades, ou não estivesse a viver uma ;)
ResponderEliminarEstranho é favor! Parece cinema europeu!! Ahah
EliminarE eu tambem sou....pois a segunda oportunidade que dei fez.me feliz simplesmente n era para ser!
Boa sorte para voces :)
Epá, sobre este filme... acho que só o vi 5 vezes... das 5 vezes chorei baba a ranho praticamente o filme todo. É giro ver o Jim neste tipo de papel, tão diferente do habitual.
ResponderEliminarSobre a história, acho que nunca devemos esquecer nada, mas mesmo NADA, do nosso passado, as coisas que fizemos, as coisas que vivemos, com QUEM as vivemos, pois todas estas coisas [insert cliché] fazem de nós a pessoa que somos hoje. Faz-nos saber tomar a decisão certa, não voltar a errar, ou mesmo até, a arriscar mesmo a saber que pode não dar certo.
Se daria uma segunda oportunidade a alguém? Talvez. Acima de tudo, da primeira vez que terminou, teria que ter sido sem mágoas e palavras "feias" à mistura, porque a verdade é que as palavras que nos dizem nestes momentos são das coisas mais dificeis de esquecer..
Adorei. Simplesmente adorei! Ele esta fantástico, toda a luta durante o filme...sei lá!
EliminarE sim, penso como tu. Doa o que doer, não pode ser esquecido ou apago, tem que ser sofrido, digerido e depois sim, arrumado! E essas palavras....e as atitudes que se tomam, decidem o futuro ou a existência dele.
Adorei :)