domingo, 21 de julho de 2013

Leva-me #1

Fazer as malas é uma das coisas que mais gosto. Para passar a noite na companhia de quem se ama, para um fim de semana com os amigos, para uma semana na terrinha, é sem dúvida uma das coisas que mais me anima e me deixa com um sorriso. Pensar no que levar (e esquecer-me sempre de alguma coisa), fazer os conjuntos, planear, deixar-me ir de uma forma física já que a mente não se desliga nunca. Nunca.

Passei o fim de semana fora, festival no Meco, calções, tops curtos, escaldão no peito, sangria, gargalhadas, noites geladas, conduzir uma espécie de tractor familiar, ouvir bandas de luxo, saltar até me doerem todas as articulações da cintura para baixo, bandanas coloridas, ténis porcos, pó, 3 palcos, não ter horas para chegar, não ter horas para nada, um Sharpei preto com 2 meses, ouvir esta ás cavalitas de um amigo feito há um dia, lembrar-me da primeira vez que a ouvi, dormir numa tenda sendo levemente claustrofóbica, ir adormecendo com a cara no prato, comer os melhores secretos de porco preto da minha vida, beber o melhor café com leite de sempre e não sonhar todas as noites, um luxo para mim.

A merda é quando tem que se voltar e se está à porta de casa, carregada com as malas e a vontade de entrar não existe. Não por quem me espera mas pelo o que me espera, o mesmo, o igual, o "todos os dias". E a cidade que amo, a menina dos meus olhos, que todos os dias me dá motivos para me lembrar de quem me quero esquecer, com as suas curvas e esquinas onde um dia fui feliz e onde hoje, ou sinto um pequeno aperto no peito ou, ainda pior, não sinto nada. E sou dada a estas coisas, a estas estupidezes a que mais ninguém se dá, às quais mais ninguém se entrega. Já por aqui disse que emocionalmente sou um acidente de percurso e que vivo as coisas a extremos, ora ridiculamente feliz ora muito em baixo e isso ainda me vai dar conta do sistema mas, fazer o quê, quando nos fizeram nascer com o coração maior do que o peito?

Neste momento, só queria que alguém me levasse....

Liz

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