Soubesses tu o que já te escrevi aqui e eu estava perdida. Cada texto, cada tema, estivesse eu zangada, com saudades, triste, sempre te glorificou de alguma forma pois nada nos dá maior vitória do que saber que mexemos com alguém. E tu mexes, todos os dias, e como eu queria ser-te imune, indiferente.
Há dia que sinto por mim uma raiva que me vem dos ossos, das profundezas e que me faria matar-te com as própria mão se te apresentasses à minha frente.Noutros dias, os ossos que emanam raiva mudam a sua polaridade e sentem por ti saudades, falta, de ar ou de chão e nesses dias, rasga-se um dos pontos com que tenho vindo a costurar meu coração. E soubesses tu o que aqui te escrevo.
Já apaguei o teu número, mas sei-o de cor. Já destruí algumas das nossas fotos mas algumas ainda me são demasiado sagradas para conseguir elimina-las da minha vista, pois quando as vejo ainda sinto o que senti naquele momento. Sei que a tua ausência do meu mundo é a única coisa que preciso para ficar bem, mas tu teimas em não desaparecer e eu teimo em não te afastar, sendo tudo aquilo que abominas e que de certo, te afastaria. Tenho a casa desarrumada, nas paredes vejo as silhuetas dos moveis que levas-te na tua mudança, na cama o colchão teima em ter a tua forma marcada e na sala, as almofadas estão impregnadas com o teu cheiro. Das molduras tirei as tuas e as nossas fotos mas não sei ainda como as preencher de novo. Nas gavetas tenho demasiado espaço e no armário, o que era um amontoado de camisas perfeitamente engomadas, tenho agora um amontoado de cabides cantantes. A minha casa está desarrumada e eu não sei por onde começar a faxina. E soubesses tu o que aqui te escrevo.
Não és boa pessoa, e é com tristeza que o digo. És demasiado bilateral, bipolar, para que a convivência contigo seja prazerosa ou mesmo suportável. Tudo em ti é demasiado, és um colosso sentimental, busy big and massive e eu não te suporto mais pois fizeste-me chegar ao ponto em que a minha sobrevivência estava ameaçada pela tua existência. Ou eras tu ou eu, já não conseguia amar-te pelos dois, querer-te pelos dois, és um vampiro energético. Mas tal como nas historias de Bram Stroker, quem não gosta de vampiros? Quem não quer um homem que nos ama com a mesma intensidade com que nos odeia e que nos faz sentir por ele o mesmo? Quem? Mas também, quem suporta viver o resto dos seus dias dentro de um vulcão? Eu não conseguia mais e tu não me querias mais. Retirei-me, aceitas-te, mas por alguma razão, recusas o afastamento total, como se a minha presença te fosse precisa para algo.
Até podes gostar de mim, mas não me amas. Já eu amo-te, mas não gosto de ti.
Liz
Eu já teria eliminado o moço dos meus amigos do Facebook, para não haver tentações de espreitar o perfil e descobrir coisas que não me agradariam, acrescentando ao que tu disseste. Mas isto sou eu...
ResponderEliminarAcredita que esse dia já esteve mais longe ;)
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