Hoje fui almoçar com a mãe do H. Se para alguns é simplesmente doentio e reprovável que eu mantenha este contacto, para mim, é lógico e natural que o faça. Foram 3 anos da minha vida em que ela me recebeu na sua casa e na sua família como se me conhecesse à muito tempo, acabando por me tratar em certos momentos, como sua filha. Sempre foi bem disposta e querida comigo e quando a confiança aumentou viu em mim alguém com quem falar, alguém com quem desabafar, alguém que a ouvia. No dia que a conheci estava em pânico! Imaginei-a A Sogra, conhecendo eu de antemão a total adoração e cuidado que nutre pelo seu menino de ouro, por isso esperava encontrar uma senhora que me olhasse de cima a baixo e me desse uma estalada com uma luva. A recepção não podia ter sido mais diferente e o que vi foi uma senhora adorável e que mostrava sinais de ter sido muito bonita quando era mais nova. A frase ficou marcada
"espero que possamos ser amigas"
Isto tirou-me anos de preocupações de cima das costas e esta pessoa acabou por se revelar um apoio muitíssimo importante, sem a qual a relação não tinha durado nem um ano. Cheguei a ir de férias com a família, participei em todos os aniversários e reuniões familiares, dormia lá em casa (comprou uma cama de casal para estarmos mais à vontade) e sempre que havia brócolos para o jantar (vegetal do demónio) ela fazia qualquer coisa diferente para mim. Tratou-me e trata-me por "minha querida" ou "minha menina" e hoje, voltou a dizer como lhe custou a nossa separação, que podia esperar qualquer coisa mas nunca que eu e o H tivéssemos um fim e muito menos da maneira feia como o fim chegou. Da maneira como ela me falou desta parte tão minha, posso arriscar dizer que lhe doeu mais do que ao próprio interveniente, o filho.
Por todas estas razões e por muitas mais custa-me cortar com ela e "demitir-me" do papel que ela desde o primeiro dia me deu: amiga. Ela é uma senhora extremamente carente e frágil que precisa de alguém que a entenda e que lhe diga que não é louca nem descompensada e infelizmente, não tem perto dela quem o faça. Também entendo as pessoas que lhe são próximas pois é difícil viver com alguém com este tipo de perfil, devido às exigências que uma pessoa assim põe aos outros e, numa base diária, pode ser muito desgastante. Mas ela não é má pessoa nem os que lhe estão perto são, simplesmente, é difícil.
Como seria de esperar, o almoço e a tarde foram passados a falar daquela pessoa que mais quero esquecer mas eu ia preparada para isso, pois não lhe podia negar falar do filho, logo eu, a pessoa a quem ela o associa, que ela vê como aquela que o conheceu tão bem ou melhor que ela. E falámos, a tarde toda, de tudo, desde o fim da relação e da sua desilusão pois
"era contigo que eu o via Liz, contigo! Contigo eu estava descansada com o meu filho pois sabia que ele estava em boas mãos. És uma miúda muito bonita, boa dona de casa, uma mulherzinha e serás um dia uma mãe espectacular, pois nasceste para isso"
...aos pequenos tiques e manias dele. Relembrámos historias como aquela em que ela entrou pelo quarto sem bater à porta e lhe perguntou porque estava nu, ou como foi a primeira vez que o levámos ao aeroporto. Durante um ano eu fui a sua companhia nas saudades, falávamos ao telefone ou estávamos juntas, só que aí era bom falar dele, enquanto hoje eu tive que me aguentar à bronca e morder o lábio para não ter "uma fuga" em frente à senhora. Não foi uma tarde má mas foi uma tarde algo demanding (não sei o termo em Português) em que voltar àquela casa me relembrou do quão bem em tempos eu me senti ali. Apesar de tudo ela entende a separação e entende que não haja volta pois
"dizer-te o que ele te disse não se diz a ninguém. É mais que normal que estejas magoada e sabe-se lá se algum dia vais deixar de estar e eu quero que sejas feliz, mesmo que com outro rapaz, mas tu mereces ser feliz"
Há momento em que nós não queremos ouvir certas coisas, mas quem as diz, precisa muito de as verbalizar e quando estes momento aparecem temos que nos esquecer de nós, esquecer as nossas necessidades, e dar ao outro um momento, um escape, um aliviar das saudades ou do que precisa ser aliviado. É por isto que tenho um blog, não porque vocês que me lêem queiram ler o que escrevo mas porque eu preciso de escrever para expurgar a minha alma.
Liz

Leio-te e nao sei o que dizer....não tive essa sorte nunca bem recebida fui e por isso cortar foi facil.....já com outras pessoas da familia, amigos....complicado de gerir interiormente....compreendo te
ResponderEliminarComplicado mesmo...já com os amigos o contacto esta praticamente perdido. Mas com a mãe...tem custado**
EliminarTu escreves bué.... amanhã leio isto!
ResponderEliminarPodias dividir em 3 posts!!!
:p
Que rei!!! A sério, hoje a taça foi tua!!!
EliminarVai dormir preguiça ;)
Justamente... purgar o que nos invade!
ResponderEliminarEscrever por nós e para nós.
Sobre o "ouvir"... mais importante é realmente Escutar.
E há tão pouca gente por aí que saiba escutar....
EliminarLiz: É muito complicado, é como ter uma ferida aberta e passar-lhe um bocadinho de alcool de vez em quando...mas não te esqueças que apesar de arder, o alcool ajuda a curar. Estás a ajudá-la a ela e sem que percebas também te ajuda a ti a arrumar o que se passou nas devidas gavetas, até que chegará o dia, em que já não doi nem a uma, nem a outra, só espero que quando esse dia chegar vocês tenham conservado essa amizade que poderá existir, como está provado independente do terceiro elemento.
ResponderEliminarSim sei que apesar de tudo preciso disto...ainda preciso deste contacto que fala do tal terceiro elemento mas estou confiante que chegará o dia em que ele deixará de ser o tema de conversa e seremos só duas mulheres que gostam de conversar uma com a outra :)
Eliminarobrigada pelo comentário*
Li tudo... Do princípio ao fim... E cada vez compreendo mais o que sentes. Porque escrevi basicamente o mesmo... :p
ResponderEliminarSe bem que os meus motivos sejam diferentes, atenção! Aí, nada a ver
Sim cada um terá os seus motivos! E todos são válidos :)
EliminarManter uma relação assim, com essa história, vai ser muito exigente para ti, sabes disso, certo? Sempre que falares com ela, o assunto vai inevitavelmente bater no H. Por ora, ainda estás numa fase de muito sofrimento e falar/escever alivía. Mas e quando essa necessidade terapeutica passar? Fica com isso bem consciente para seres sempre verdadeira, quer com a sogra quer contigo própria. ***
ResponderEliminarEstou ciente dos ricos mas agradeço muito o aviso minha querida! Sei que ontem também fui eu a puxar assunto, também eu queria muito ter notícias, saber dele...no dia que esta necessidade passar estou certa que ela me vai saber respeitar e mesmo que fale dele será de outra forma. E sim, sempre verdadeira acima de tudo :)***
EliminarE ainda o teu comentário...sei também que vai chegar o dia em que vou meter a viola no saco e no máximo, falaremos por altura dos anos e do Natal...foi o que aconteceu com a outra namorada de anos e nem eu sei até que ponto será saudável para as duas manter o contacto sabendo que ja há uma nova pessoa.
EliminarEntão vai pensando no que é melhor para ti. É preciso é que te protejas, o resto é conversa :)
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