Vou pela primeira vez falar de algo em que não tenho a mínima experiência: o amor incondicional. Dizem que é a única forma de amor puro, que nada espera e que nada pede em troca e que o recebemos das pessoas que nos deram a vida, os nossos pais. Dizem também que é aquele comportamento, aquela forma de estar e de amar que comummente chamamos de amor de mãe, mãe, aquela a quem nunca fui capaz de agradar.
A minha relação com ela sempre foi complicada, tortuosa, demasiado estreita para ser suportada de animo leve. Fui criada num útero em medo, nervoso e tive uma gestão ansiosa, acabando por nascer com medo, com a clara noção de que não vinha para a minha "casa" mas que devia lutar pela minha "sobrevivência". Como sei isto? Fiz perguntas, muitas perguntas, quis saber de onde vim e como tudo aconteceu, numa tentativa de tentar saber quem sou. Acabei a descobrir que naqueles que são os 9 meses mais importantes na vida de alguém, senti o medo e a angustia e a incerteza de quem me carregava o que desde logo me ligou a ela, neste vinculo doentio de medo-resistência.
Os anos não passaram por nós da mesma forma e acabei por criar um relação de amor-ódio com o maior alicerce da minha vida. Tentei por mais que uma vez remediar esta situação, tentei tudo, pedi desculpas até por ter nascido mas a única coisa que nunca consegui de volta, foi essa coisa do amor incondicional. Mais uma vez as ironias pautam a minha realidade pois a única pessoa a quem quero verdadeiramente agradar é aquela que não sabe gostar de mim.
Mas eu quero quebrar este ciclo, é tudo o que mais quero, quebrar este fado de geração atrás de geração de mulheres que querem amar as suas filhas mas que não foram amadas pelas suas mães. Quero um dia construir a minha relação de sonho, aquela em que os meus filhos (que tanto desejo ter um dia) são parte de mim e eu deles, em que eu os aceito sobre qualquer forma e em que eles me aceitam, não só como mãe, mas como humana.
Será que somos capazes de dar algo que nunca recebemos? Preciso pensar que sim pois se aceito a estranheza de mundo que mora a minha volta e que em nada está ligados a mim, como posso não aceitar a mesma estranheza aos meus filhos? Tentarei tudo para que um dia os meus filhos me digam que fui uma boa mãe e , acima de tudo, para que eu esteja certa de que o fui. Aceito a rebeldia, o pisar os limites, os corações partidos e as escolhas menos boas. Só há uma coisa que não aceito de ninguém e que não aceitarei dos meus filhos: a falta de princípios.
De resto...permitam-me amar amar e amar. Amar o que um dia vai crescer dentro de mim como se fosse uma partícula de Deus implantada no meu útero. Deixem-me amar....incondicionalmente.
Liz
"Será que somos capazes de dar algo que nunca recebemos?"
ResponderEliminarJá conheces a minha história? Certo? Não quero estar aqui a alongar-me numa resposta maior que o teu post;), mas a resposta é:; Sim é possível. Eu costumo dizer que estou a educar as minhas filhas por antítese, ou seja fazendo tudo o que a minha mãe não fez comigo...
jinhossss
E parece-me que estas a fazer um trabalho espectacular :)
EliminarIrei por os olhos em ti Suri!
Beijinhos
Ai meu Deus, não fales assim, que sinto a minha responsabilidade a crescer...a responsabilidade de fazer e dizer sempre a coisa certa.
EliminarSou uma mãe cheia de buracos(falhas), disfarço é muito bem;)e tenho muiiita sorte com as meninas que Deus me deu, outras fossem e não tinham pachorra para me aturar;)
jinhosssss
És a mãe que precisas ser para as filhas que tens. Está explicado :)
Eliminarbeijinhoss
Arrepiei.me toda!!eu não tenho o dom da palavra e uma escrita belissima e envolvente cm tu liz...mas conseguiste descrever exactamente a relaçao que tenho com a minha mae...e aquilo a que nao quero sujeitar os meus filhos um dia...deixa.me adivinhar...a tua mae tambem te diz que quanto mais cresces mais asneiras fazes?!e que apesar de seres boa aluna e menina bem comportada nunca és boa o suficiente para ela..nunca perfeita...nunca um incentivo positivo...nunca te permitiu chorar no colo dela...se é que me percebes...pois um dia...eu quero que os meus filhos chorem no meu colo...seja por um desgosto amoroso..seja por pressao profissional...seja pelo que for. Bjinhos e mto obrigado por este post
ResponderEliminarNo dia que soube que entrei na faculdade deu-me os parabéns, fez a festa e depois disse-me "agora vamos lá ver se o acabas". No dia em que consegui o meu diploma, ao fim de 3 anos e com boas notas disse "fico contente por teres acabado o curso mas a minha felicidade podia ser maior se não namorasses com aquela merda de homem". Estas coisas custam, magoam muito mas sabes...quando da nossa mãe ouvimos estas coisas ficamos muito mais rijas para as criticas do outros, que não nos podem afectar nem metade!
EliminarEu é que agradeço :) beijinhos
Se tens tanta vontade de ser Mãe, de certeza que conseguirás! É mais de meio caminho andado, digo eu...
ResponderEliminarNão quero ser só mãe...quero ser uma Boa Mãe, não uma mãe-amiga ou uma mãe-tirana, mas uma mãe que vive ali no meio destes dois mundos :)
Eliminarbeijinhos