sexta-feira, 19 de abril de 2013

Tristeza

Há qualquer coisa em mim que me faz sentir que só escrevo realmente bem, quando escrevo triste. Deve ser  desta coisa do "ser" portuguesa e desta tristeza que nos acompanha, ora pelo triste fado de sermos tantos e tão grandes e nos termos tornado tantas vezes tão pequenos e tão fracos, ora pelo mais português dos sentimentos, a saudade. 

Já por aqui tenho escrito muito, sobre muitos temas, uns fúteis e desligados de  mim, outros, tão meus como a minha alma, ou não seriam eles, fotografias literárias da mesma. Tenho textos engraçados, caricatos e pautados pelo humor mas não os considero bons, são simplesmente textos. Agora os bons, que por vezes releio e com os quais me deixo ficar incrédula (passando a modéstia) pela riqueza da escrita e do sentimento lá exposto, são os tristes, o que chorei enquanto escrevia. 

A tristeza, ao mesmo tempo que me leva para o sítio frio e escuro onde me refugiu do resto da humanidade, dá-me o tom e a audácia para brincar com as palavras, para me atrever a brincar com algo que respeito tanto como admiro, as palavras. As palavras são como a pintura, a música, a escultura, uma forma de arte, sendo os poetas os seus artistas. Não digo escritores pois qualquer um que se atreve a brincar com palavras não é escritor mas poeta, pois tal como um carpinteiro constrói em madeira, é o marceneiro que a molda e lhe dá espaço para ela se tornar numa obra de arte.

Se me acho poeta? De todo, pois apesar de brincar com as palavras não passo de uma curiosa das letras que deixa a sua tristeza e os muitos livros já lidos pautarem o que escrevo numa página da internet, tão impessoal como minha, como palpável. Deixo-me escrever o que sai e poucas vezes revejo o que escrevi, aceito o que escrevo e aceito que nem sempre consegui dizer o que realmente queria. Estou triste e as palavras fluem, estou feliz e nada parece fazer sentido. As vezes é complicado ser assim, complicada, cheia de arestas e contradições. As vezes é a minha maior virtude, pois a mente não precisa contorcer-se muito para que as ideais saltem. Há dias que penso se não seria este o meu dom e noutros, sei que nunca vou conseguir.

Liz

4 comentários:

  1. Tu e eu, mulher, andamos de mãos dadas...

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    1. Falta-nos mais uma e somos os anjos de charlie ahaha

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  2. Olá, temos-nos cruzado por caixa de comentários alheios e ainda não tinha passado por aqui. Posso escrever um comentário um pouco maior? O fado veio com os Árabes (os mouros). Não sei se será daí... A saudade, bem, a palavra vem do latim. Também não temos exclusivo...
    O que eu acho que acontece é que, quando estamos tristes, perdemos parte da nossa racionalidade, que é o que inibe normalmente a "veia" criativa. Tristeza é uma emoção forte e não se vence racionalmente. As melhores composições são de compositores infelizes (Beethoven!), na pintura idém (Van Gogh!). Será natural nas palavras também (Pessoa!).
    Posto um comentário deste tamanho todo, posso dizer: gostei do que li aqui.

    Boa noite Liz :)

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    1. Antes de mais, benvindo a esta mui humilde casa! :)

      Concordo em.pleno com o teu comentario e.nao peças desculpas pelo comentario longo,.ja.que eu nao consigo escrever pouco! E ainda bem que falaste de Pessoa...tao incompreendido mas que eu percebo tao bem :)

      Uma boa noite para ti tambem inocentinho

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