quinta-feira, 4 de abril de 2013

Estrelas

Adoro ficar deitada de barriga para cima, no meio do chão e no meio do escuro a olhar o céu nocturno contando as suas estrelas. Diz-se que não se deve contar as estrelas pois assim os sonhos não se realizam, mas eu não me importo, um objecto tão bonito será certamente incapaz de destruir sonhos. 

É a minha parte favorita de uma visita ao campo, a imagem de um céu estrelado que parece que vai cair sobre mim e que me tira o fôlego de tão poderoso e infinito e eu, tão humana. Cada vez mais acredito que os maiores luxos que a vida nos oferece estão nas coisas que não têm preço, como tomar banho numa cascata gelada, mergulhar numa praia virgem que nem sabemos bem como a descobrimos ou um céu negro meia-noite, gigantesco e coberto de estrelas. 

Não conheço as constelações e se há coisa para qual a minha curiosidade tem limites é para a materialização  de pequenos pontos de luz em signos do Zodíaco ou em ursas, sejam elas maiores ou menores. E eu nem gosto de olhar para o céu e impor-me a ver o que quer que seja, pois estou certa que o céu só me vai mostrar aquilo que quer que eu veja e eu não me importo. Gosto de ver Vénus ao fim o dia, aquele ponto luminoso pertinho da lua que nos diz que a noite vem aí, ou a estrela polar que em Lisboa não encontro mas que num céu nocturno no meio do Alentejo parecia um gigantesco candeeiro de rua lá bem em cima. Se há coisa de que vou sentir falta é daquela casinha no Alentejo, perdida no meio do monte onde nos dávamos ao luxo de brincar a apanhada todos nus pois sabíamos que ninguém ia estar a ver, ou de como podíamos fazer amor como se fôssemos os dois últimos seres humanos na Terra que ninguém ia ouvir. E o céu...os poucos e fracos candeeiros que iluminavam a estrada não combatiam com as estrelas lá em cima, com aqueles imensos pirilampos para os quais eu perdia umas boas horas a olhar todas as noites.

Começo a ganhar uma nova percepção, uma nova concepção, do que é para mim importante e do que me faz feliz e cada vez menos preciso de um jantar num restaurante caro ou de um vestido de uma marca conhecida. Prefiro uma mesa cheia de amigos e um vestido que se ajuste nos locais certos, seja ele caro ou costurado pela minha mãe na velha Singer. Sãs estas as coisas que me fazem feliz, são estas as coisas que me deixam saudades do tempo em que o amor era a dois, a vida corria bem e as estrelas pareciam brilhar só para mim.


http://www.youtube.com/watch?v=FTaKm_WPOOE&list=RD164Rq_XXT4N-k


Liz

8 comentários:

  1. Fizeste-me lembrar coisas muito boas. Obrigada **

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E só por isso vale a pena escrever :) Eu é que agradeço ***

      Eliminar
  2. Estrelas não é bem a minha cena! Gosto de ficar numa noite quente, deitado em qualquer sítio confortável, a ouvir os sons e a cheirar os aromas. Mas estrelas e planetas e cometas apesar de olhar para lá de vez em quando não me enchem as medidas. Já os teus textos são outra conversa! :)

    ResponderEliminar