O Meu Amor[Citações da entrevista do jornal Público a Miguel Esteves Cardoso (MEC) e Maria João Pinheiro (MJ), no dia 21 de Abril de 2013]
MEC - Ela é sempre maravilhosa. Vivia muito desconfiado nos, sei lá, nos primeiros meses e anos. Desconfiava de que ela tivesse uma Maria João verdadeira que não fosse assim mágica. Que fosse prática e muito diferente. Que houvesse - há sempre - uma pessoa escondida dentro dela. Mas não. Não há.
(...)
MJ - O Miguel é uma pessoa. Uma pessoa maravilhosa. Um tesouro.
(...)
MJ - Foi conhecer a pessoa mais generosa, perfeita, bondosa. A alma mais pura.
MEC - Devíamos dar mais entrevistas. Eu nunca ouço isto. Estou inchado. Se achavas isso antes, por que é que não disseste?
(...)
MEC - Sim. E fiquei como nunca fiquei antes. Fiquei assim toinggg. Parecia extremamente feliz. E eu: «Ah!!» E luminosa. Risonha. Como se fosse um prémio. Sabe?, um prémio. «Aqui está a tua sorte.» Senti uma ausência de dúvida. Eh pá. Só queria que fosse minha.
(...)
MEC - É a mulher mais bonita que alguma vez vi. Era linda de morrer e podia ser uma víbora. Era uma mulher linda, linda, linda e isso já era suficiente.
(...)
MJ - Amor. Amor. Era a coisa que lhe faltava e que ele encontrou em mim, e eu nele.
MEC - Foi amor desde o princípio. Amor e encantamento. É muito, muito fun [divertido], isto. O tempo era sempre pouco, como é pouco ainda. Não temos tempo, embora estejamos quase sempre juntos.
(...)
MEC - Nós, à mínima coisa, ou se ela estiver a olhar para outra coisa, fico cheio de ciúmes. Faço uma cena. Também é preciso ter atenção a qualquer desvio ou decadência. Dizemos muito: «Tu dantes rias-te mais comigo. Tu dantes perguntavas mais o que é que eu pensava. Tu dantes falavas mais de ti.» Todos os dias temos isto. Todos os dias há coisas de ciúme, de comparação com o passado, reconciliações (depois de eu quase ter tido um ataque cardíaco).
(...)
MJ - Ele está a dizer que eu gosto de quem sou e que queria ser ainda mais eu. Também não temos muita escolha, não é? Temos de ser nós.
MEC - Eu não era eu. Ela ensinou-me isso. Ensinou-me muito bem a estar à vontade. Eu estava sempre a fingir que era outra coisa que não era. Estava sempre muito ansioso. Muito «show off». A tentar disfarçar. Sempre muito malà laise [pouco à vontade, inadequado]. Sempre a querer fazer graças ou a ser o palhaço da turma. Divertir as pessoas à força. Uma coisa desesperada para que gostassem de mim. Era um trabalho. Detestava.
(...)
MEC - Ela é sobretudo muito bem-disposta. Muito, muito bem-disposta. Muito, muito boa companhia. As pessoas da minha geração, os meus amigos, a matilha, divertíamos-nos muito. Mas não estava habituado a rir-me com uma rapariga. -"-Mas é inveja da boa, daquela inveja do "eu também quero disto para mim" mas sem cobiçar o do outro. Eu quero do meu, do só meu, concebido pelos deuses à minha imagem e semelhança. Quero disto...quero voltar a olhar para alguém e estar certa de que aquele homem é a coisa mais espectacular que já me aconteceu.Liz
MEC - Ela é sempre maravilhosa. Vivia muito desconfiado nos, sei lá, nos primeiros meses e anos. Desconfiava de que ela tivesse uma Maria João verdadeira que não fosse assim mágica. Que fosse prática e muito diferente. Que houvesse - há sempre - uma pessoa escondida dentro dela. Mas não. Não há.
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MJ - O Miguel é uma pessoa. Uma pessoa maravilhosa. Um tesouro.
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MJ - Foi conhecer a pessoa mais generosa, perfeita, bondosa. A alma mais pura.
MEC - Devíamos dar mais entrevistas. Eu nunca ouço isto. Estou inchado. Se achavas isso antes, por que é que não disseste?
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MEC - Sim. E fiquei como nunca fiquei antes. Fiquei assim toinggg. Parecia extremamente feliz. E eu: «Ah!!» E luminosa. Risonha. Como se fosse um prémio. Sabe?, um prémio. «Aqui está a tua sorte.» Senti uma ausência de dúvida. Eh pá. Só queria que fosse minha.
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MEC - É a mulher mais bonita que alguma vez vi. Era linda de morrer e podia ser uma víbora. Era uma mulher linda, linda, linda e isso já era suficiente.
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MJ - Amor. Amor. Era a coisa que lhe faltava e que ele encontrou em mim, e eu nele.
MEC - Foi amor desde o princípio. Amor e encantamento. É muito, muito fun [divertido], isto. O tempo era sempre pouco, como é pouco ainda. Não temos tempo, embora estejamos quase sempre juntos.
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MEC - Nós, à mínima coisa, ou se ela estiver a olhar para outra coisa, fico cheio de ciúmes. Faço uma cena. Também é preciso ter atenção a qualquer desvio ou decadência. Dizemos muito: «Tu dantes rias-te mais comigo. Tu dantes perguntavas mais o que é que eu pensava. Tu dantes falavas mais de ti.» Todos os dias temos isto. Todos os dias há coisas de ciúme, de comparação com o passado, reconciliações (depois de eu quase ter tido um ataque cardíaco).
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MJ - Ele está a dizer que eu gosto de quem sou e que queria ser ainda mais eu. Também não temos muita escolha, não é? Temos de ser nós.
MEC - Eu não era eu. Ela ensinou-me isso. Ensinou-me muito bem a estar à vontade. Eu estava sempre a fingir que era outra coisa que não era. Estava sempre muito ansioso. Muito «show off». A tentar disfarçar. Sempre muito malà laise [pouco à vontade, inadequado]. Sempre a querer fazer graças ou a ser o palhaço da turma. Divertir as pessoas à força. Uma coisa desesperada para que gostassem de mim. Era um trabalho. Detestava.
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MEC - Ela é sobretudo muito bem-disposta. Muito, muito bem-disposta. Muito, muito boa companhia. As pessoas da minha geração, os meus amigos, a matilha, divertíamos-nos muito. Mas não estava habituado a rir-me com uma rapariga. -"-Mas é inveja da boa, daquela inveja do "eu também quero disto para mim" mas sem cobiçar o do outro. Eu quero do meu, do só meu, concebido pelos deuses à minha imagem e semelhança. Quero disto...quero voltar a olhar para alguém e estar certa de que aquele homem é a coisa mais espectacular que já me aconteceu.Liz
Liz, o que ele foi escrevendo diariamente durante a(s) doença(s) dela, foi das coisas mais profundas que alguma vez se escreveram em português sobre o amor (em risco, mortal). Tocante, comovente, na verdade.
ResponderEliminarah pouco vi uma reportagem com os dois e ele afirmou com todas as certezas do mundo
Eliminar"se ela tivesse morrido, morríamos os dois"
Acho que amor é isto....e acho que por acreditar com todo o meu ser que amor é isto me custe tanto entrar nele e, ainda mais, sair dele..
Acho que aquilo porque eles passaram só tem duas consequências: ou acaba com tudo (se do lado de uma das partes não for forte: já vi!) ou reforça (que é o caso deles). É um teste. Terrível, talvez o teste mais extremo. Mas se resistiram, é de aço, mais forte que a armadura do Iron Man :)
EliminarE são muitos mais o casos em que a corda rebenta do que aqueles em que o casal fica mais forte....é complicado! E a armadura do iron man ainda é susceptível aos riscos, estes dois, continuam polidos e intactos, talvez, mais fortes :)
EliminarO caso deles é muito interessante: a diferença (significativa) de idades, a diferença (ainda mais significativa) de estilos, tinha aparentemente (quase) tudo para dar errado... e contudo... (eu quando soube, na altura, não dei muito pela continuidade, I must confess).
EliminarNestas coisas que puxam ao sentimento, não há receitas, de facto. :)
E não é sempre assim? Não são sempre aqueles casais meio estranhos, meio "disfuncionais", em que não se percebe lá muito bem porque estão juntos....que acabam a ser felizes. Contudo, parecem feitos um para outro. Não é maravilhoso ver que estávamos errados? :)
EliminarEu já vi uns quantos e tu certamente terás também, imagino. E acho que ninguém quer ver (sobretudo se são gente próxima) o rasto dessa arma de destruição massiva chamada amor de rastos... Por isso, sim, pessoalmente desejo-lhes sempre que tudo corra bem por muito diferentes que sejam.
EliminarE fico contente se vejo que falhei um palpite, para o lado do bem, como no caso deles :)
Sou pequena para chorar a ler o que ele escreveru sobre a sua Maria João...
EliminarIno
Eliminarsim infelizmente são mais os casos negativos do que os positivos....mas depois existem estas pequenas pérolas que nos dão outro ânimo :)
A Chata
Ai és tu pequena e sou eu também....
Liz, eu também gosto muitíssimo de tudo o que ele escreve, sobre ela e sobre o amor...é comovente, acho que só as pedras não se sentem "tocadas", no entanto há uma coisa que me deixa "desconfortável"...a parte em que dizem "pensar em conjunto" tipo "o que é que nós pensamos sobre isso?"
ResponderEliminarEsse anular completo de duas individualidades arrepia-me um bocadinho.
Como sabes amo muito MorMeu, mas não acho positivo anularmos "o que eu penso" para passar a ser "o que nós pensamos"...não sei se me fiz entender...
jinhosssssss
Suri, entendo-te perfeitamente e também é algo que me incomoda! Mas se para eles resulta e se conseguem funcionar assim, como se fossem um "organismo perfeitos"....então parabéns! Mas eu sempre gosto de manter uma distancia saudável e a possibilidade de trocar ideias, de discordar :)
EliminarBeso