quinta-feira, 2 de maio de 2013

Este país não é para velhos

Também não está bom para os novos, mas só recentemente, já para os velhos, acho que nunca foi uma terra fértil para quem "padece" de velhice. Li por esta blogosfera um texto que me incomodou, que me chocou, mas que não comentei, não só por não ser comentadora e seguidora do blog, mas porque eu não sinto que tenha o direito de ir para um blog onde não sou presença assídua dar opinião sobre um tema que me incomoda. 

O texto em questão falava de como os velhos são feios, porcos e maus, personas não gratas e um estorvo, desperdício de espaço. Respeito a opinião, até porque foi justificada mas não a aceito, o ser humano tem destas coisas e se há coisa que me faz feliz é a liberdade de expressão. Eu não posso em tempo algum concordar com isto e quem por aqui me segue há algum tempo sabe que a condição de velho é algo que respeito, algo a que ambiciono e algo que me comove. Porque no meu país, dito de primeiro mundo e com tecnologia de topo, deixa que os velhos sejam abandonados em hospitais sem se saber a quem "pertencem". Porque no meu país não se sabe quantos velhos moram sozinhos e doente esperando apenas por uma queda mal dada ou que a fome/falta de medicação os consuma. Porque no meu país se aceita que os bebés sujem fraldas e babetes porque, coitadinhos, são pequenos e não podem fazer melhor, mas quando é um velho nessa condição, é um porco, um nojento. Porque no meu país não existe um sistema de saúde que garanta cuidados paliativos em quantidade suficiente para os milhares de velhos que formam a nossa população. Porque no meu país, quem sabe, talvez eu fique doente um dia quando velha, talvez eu não tenha família, talvez, eu morra sozinha.

Há velhos maus, há velhos porcos, há velhos tarados e há velhos nojentos. Tal com velhas e eu conheço tantas. Há velhas desocupadas e maldosas cujo único objectivo de vida (ou da que resta) é destilar veneno na vida alheia. E destes eu também não gosto, mas todas estas características são algo que também abomino em gente nova. Contudo, existem também velhos no limiar da pobreza pois em novos, talvez vivendo do campo e dos animais, não souberam precaver esta coisa da reforma. Há velhos que morrem sozinhos, mesmo tendo família, pois os filhos não perdoaram certas e determinadas atitudes, eu não me meto, mas o meu pai e a minha mãe, por mais diabos que pudessem ter sido para mim, mereciam sempre um fim decente. Porque desde pequena que oiço histórias do arco da velha sobre a minha avó, a que ainda tenho, mas que não me impedem de ficar comovida com os seus 98 anos e ainda assim me reconhecer.

Ser velho é complicado, é mesmo fodido e é algo de que eu tenho muito medo pois vivi a vida toda rodeada de gente (que não sendo velha) vive com as condicionantes da terceira idade. Porque é complicado não conseguir tomar banho sozinho, comer sozinho, ter dores o dia inteiro a todas as horas durante anos, ter que tomar medicação e o dinheiro não chega, perder os dentes e não ter dinheiro para outros e, acima de tudo, deve ser muito complicado à noite pousar a cabeça na almofada e pensar que o meu pai, mãe, tia bruxa, tio diabo ou avó maldosa estão mal e eu estou bem.


Liz

3 comentários:

  1. Respeito muito as pessoas idosas...muito mesmo! Aliás e minha família dá imenso valor aos mais velhos, sempre foi e sempre será pois eu penso que se eles já aqui estiveram por nós, agora somos nós que temos que estar para eles!
    Babi

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    1. Exactamente o que penso. Daí ficar tão triste com certos textos....

      beso

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    2. :( é mesmo caso para tal Liz

      Babi

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