quarta-feira, 1 de maio de 2013

Desabafo

Os últimos dias têm sido difíceis, parecem mais compridos do que os outros mas quando os analizo, vejo que passam a correr, tal como os últimos meses passaram. Há uma estranheza que não consigo explicar, um desconforto, uma procura constante de coisas para fazer, sítios onde estar, um enviar de mensagens sem parar rezando para que algúem aceite o meu convite.

Estou sem trabalhar há um mês e não sei quanto mais tempo aguento assim, com tanto tempo livre, com o Domingo igual à Segunda-feira mas esperando sempre pela sexta-feira das amigas pois com ela vem a promessa de companhia. Acho que é do que sinto mais falta, de companhia. Gosto muito pouco de estar sozinha pois a solidão é um estado que só procuro quando preciso de arrumar as ideias e ando há 5 meses a arrumar ideias. Eu que gosto do 1 de Maio este ano vi a data passar-me completamente ao lado, sentindo até alguma inveja de quem alegremente gozou o feriado e de quem lutou pelo posto de trabalho. Dizem que estamos em Maio mas podia ser Janeiro, Junho ou Outubro, não me interessa, pois não tinha planos nos meses passados e também não os tenho para o que aí vêm. Tenho sonhos, ideias, tentativas de datas marcadas no calendário que me fazem ansiar pela sua chegada, mas planos? Planos não tenho. Porque nunca fui boa a fazer planos, porque quantos mais planos faço menos as coisas funcionam como eu quero e porque, no fim de contas, eu gosto de viver sem planos. Ah mas eu tinha planos, eu tinha um bilhete de avião comprado para finais de Janeiro que me ia levar ao encontro daquele que era na altura o meu castelo particular. Mas  o avião partiu sem mim e, sinceramente, ainda bem.

Mas agora chega aquela altura complicada....aquela altura em que o corpo começa a pedir gandaia, em que sair de casa depois do jantar é um requisito,  em que ter muita gente à minha volta me sabe ainda melhor. E eu estou sozinha. Não me interpretem mal, não sou nenhuma coitadinha e repudio quem assim me vê mas começo a sentir falta das pequenas coisas, das pequenas atenções, dos convites para nada ou para coisa nenhuma. E a criatividade de que sempre me gabei começa a deixar-me mal vista pois as fantasias que em pequena me entretiveram as tardes agora são entediantes, todas iguais. 

A minha vida sempre se viu pautada por momentos de mudança bruscos, entre longos marasmos e rotinas tresloucadas e eu confesso que gosto disso, que é este o ar debaixo das minhas asas que me leva para longe, mas agora, não sei, eu peço mudanças e lufadas de ar fresco mas os dias são todos iguais, não sei o que se passa comigo e só me apetece carregar esta cara de estalos pois não tenho o direito de me queixar. Descobri-me nestes últimos meses, descobri partes de mim que não sabia que tinha mas mais do que saudades do verão passado, sinto saudades minhas, daquele entusiasmo, do brilho nos olhos e de adormecer com um sorriso nos lábios por pensar "hoje foi um dia bom".

Liz

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