Ao fim destes meses começo a entender algumas coisas, começo a ter aos poucos as minhas respostas e isto tem-me trazido algum paz de espírito. Para desânimo de alguns que por aqui andavam, pouco tenho escrito sobre o quão partido o meu coração ainda está e isso fez com que esses alguns tenham partido. Lá está, "limão nos olhos dos outros para mim é refresco", mas hoje entendo, não esses outros, mas a vida que me deixei ter.
Finalmente começo a compreender algumas das tuas atitudes pois finalmente percebi as minhas, era uma dinâmica de acção-reacção, de conflito contra conflito, que acabou a gerar o caos em que nós os dois nos vimos. Olhando para trás, vejo que em determinados momentos fui má, mesquinha, diria mesmo insuportável, mas agir daquela forma, era a saída que encontrava para a tua cada vez mais frequente indiferença ao que a mim dizia respeito, eu não soube fazer melhor, eu não conseguia responder com indiferença ou simplesmente esperar que te caisse a ficha. Eu vivia num constante estado de confusão, de ansiedade, de medo de te perder para alguém, o que fez que me desligasse de mim, de quem sou. Eu não sabia de que músicas gostava, ouvia o que tocasse. Não sabia o que queria fazer um dia mais tarde, estava demsiado concentrada em anunciar ao mundo que ia mudar de país para ir ter contigo. Eu vivia da mensagem de bons dias, do skype depois de jantar e só podia esperar que ao fim de semana te dedicasses um pouco mais, o que foi deixando de acontecer. Nunca fui um poço de auto-confiança e ter-te a dizer-me no teu jantar de aniversário que eu sou uma miúda insegura, ainda que não tenha motivos para isso, arruinou-me, logo tu, que na minha fita de final de curso dedicada ao namorado escreves-te
"E quando todos já desistiram, a Liz vem e tenta mais uma vez. Remexe o cabelo, puxa a blusa para baixo e empina o nariz e lá vai ela e por norma, consegue"
E onde é que eu, a miúda da fita, fiquei no meio disto tudo? Deixei-me ficar pequenina perante ti, desesperada, angustiada, a um passo de me tornar aquele tipo de mulherzinha que abomino: a dependente. Porque só tu tinhas graça, só tu me animavas, só tu eras bonito e inteligente, só tu tinhas o que era preciso para ser o meu homem. E eu, com o passar do tempo, fui-me convencendo disto, quando no fundo, tinha perfeita noção de que não o era, de que não és. Gabo-te em várias ocasiões a paciência, mas entendo porque não querias essa pessoa a morar contigo, nem eu teria paciência para me aturar quanto mais tu, que só a ti mesmo aturas de bom grado.
Ainda não posso dizer que esteja naquele estado iluminado de total transcendência metafisica em que digo que te superei, que te perdoei e, ainda mais importante, que me perdoei. São tantos os meus demónios com que todos os dias me debato, são tantos os "ses" e os "eu devia" e se soubesse o que sei hoje, da última vez que fizemos amor tinha-te exigido amor e não sexo. Contudo, finalmente aceito que não foste tu nem eu, fomos os dois, eu a exigir que me desses algo que não tinhas para dar e tu, a fugir desesperadamente de alguém que te sugava cada vez mais afecto e amor. As coisas estão a mudar...esperemos que para melhor.
"Ambos não estavam com planos um do outro.E ainda assim, foi incrível. Mas acabaram por se afastar, uma pena. Um desperdício de corações, de sensações, de amores e ilusões. Mas olha, ela ainda sonha com ele...e ele de vez em quando ainda pensa nela."
... (Desconhecido)
Liz

Por vezes, os nossos ímpetos levam à nossa cegueira e ao nosso egoísmo, mas fazer mea culpa é meio caminho andado para seguir em frente...e apesar da distância física, a memória sempre ficará...
ResponderEliminara mea culpa é um dos melhores "sinais que se podem ter"...é sinal de que começamos a ver as coisas com distanciamento, logo, começamos a por os pés no chão. A memória fica....a memória deixou as saudades
EliminarBem vindo NightDark :)
A clareza que vem com o tempo é sempre esclarecedora em relação a muita coisa, principalmente a nós mesmas. É importante reter a informação ;)
ResponderEliminarAcredita.....eu pessoalmente não acredito que o tempo cure tudo, mas que ajuda a perceber muita coisa, ah lá isso ajuda! :)
Eliminar