sábado, 4 de maio de 2013

Teatro

Gosto das artes, de música, de cinema, de literatura mas confesso que o teatro tem em mim um cantinho especial. É que no teatro temos perante nós, à distância por vezes de um braço, um autêntico mito, a personificação de um personagem diabólico ou do deus que existe em cada um. Costumo dizer que se o cinema é fazer amor com as luzes apagadas, o teatro, é fazê- lo com as luzes acesas. No teatro à lugar para tudo: para esquecimentos, para choros, para vergonhas, para identificação, para reacção, para medo e para libertação. No teatro, deixamos que o actor se exponha para nós sem filtro, sem segundos takes, dando-nos por vezes mais do que estamos preparados para receber. 

E não será assim, o amor? Se há quem entre numa relação recorrendo a efeitos especiais, duplos e greenscreen´s com o único objectivo de, contas feitas, ver o seu desempenho reconhecido sobre a forma de um Óscar, quem entra numa relação como se essa fosse uma peça de teatro sujeita-se a que tudo corra mal sem que dê para filmar de novo. É certo que temos o contra-ponto, uma cábula escrita na mão ou mesmo, em último caso, mandamos que se apaguem as luzes,contudo, nunca deixamos de estar expostos ao nosso "público" e ele, se for esperto, vai perceber se somos ou não bons "mentirosos".

Tenho pena de não ir mais vezes ao teatro e tenho pena de não ter para isso mais companhia, mas tal como o ano passado comecei a ir sozinha ao cinema (experiência a não repetir) talvez este ano seja a vez de ser o teatro um dos meus novos prazeres a solo. 


Liz

4 comentários:

  1. A ultima e a unica vez que eu foi ao teatro foi em 2010, foi ao teatro do La Feria ver uma peça dele, mais precisamente esta peça

    http://www.filipelaferia.pt/agaioladasloucas/

    Muito boa mesmo, fiquei rendido, grande José Raposo.

    Abraço

    Pedro Ferreira

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    1. Não tive a oportunidade de ver mas da críticas que li, foi o papel da vida (até ao momento) do José Raposo! E não era nada fácil, não só pelo papel em si, mas porque o público tinha várias referências desta peça. filme inclusive!

      :)

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  2. Já agora gostei da comparação entre o amor e a peça de teatro, acho que está bem conseguida.

    Abraço

    Pedro Ferreira.

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