Como já por aqui contei, no meu grupo de amigas funciono muitas vezes como conselheira sentimental e nem eu sei bem porquê pois não me sinto exemplo para ninguém mas, e segundo elas, tenho a capacidade de dizer a coisa certa na hora certa.
A S. está apaixonada. A S. está apaixonada por um homem bonito, muito bonito, com uma profissão tentadora e cheia de mulheres à volta, mais velho, sabido, tentador. Se para qualquer pessoa isto seria a lotaria, para mim, é ver-me a rezar a todos os meus santos e deuses pedindo encarecidamente que já que não me pouparam, que a poupem a ela. Para ela, eu sou a sua consciencia, a sua Grilo Falante, a quem pede conselhos, a quem conta coisas que não conta a mais ninguem e eu gosto disso, gosto de ser merecedora deste tipo de confiança. E ela mais uma vez pede-me conselhos, o que fazer, o que dizer, como reagir. A coisa mais inteligente que lhe consegui dizer foi
Não faças a merda que eu fiz, não aceites tudo o que eu aceitei e não suportes aquilo que eu suportei. Contudo, se conseguires ser feliz como eu fui, então atira-te.
Ela agradeceu e eu sorri. Não lhe posso pedir mais nada, não há mais conselhos que veja como úteis nesta nova fase da sua vida. São as escolhas dela e o caminho que por aí vem nem eu conheço, apenas posso desejar vê- la ridiculamente feliz, levitando, com aquele brilho nos olhos que nós mulheres adquirimos quando um parvalhão nos ama.
Liz

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